John Adams e o Nascimento de uma Nação

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Uma das principais missões de produtores e roteiristas é oferecer ao estúdio e ao público ideias que se tornem sucessos, que atraiam audiência, que sejam aceitas. Algo parecido acontece com quem escreve colunas, como eu. Ora, espera-se que o colunista escreva sobre coisas que sejam lidas, que atraiam leitores. Assim, um dos objetivos sempre é encontrar alguma série popular e querida para servir de pano de fundo para o texto. Falar sobre Chicago Fire ou The Walking Dead, por exemplo, garante visualizações e leituras, já que ambas possuem inúmeros fãs.

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Mas alguns projetos são tão fantásticos que merecem – devem! – ganhar espaço, mesmo que não sejam conhecidos. Estas obras devem ser comentadas justamente para serem lembradas e recomendadas a outras pessoas. É o caso de John Adams, minissérie da HBO lançada em 2008 que hoje se encontra fora do radar dos seriadores. E é inaceitável que uma produção como esta não seja devidamente assistida e reconhecida: com elenco estelar e comandada por um diretor extremamente competente, John Adams tem como base a forja dos Estados Unidos como um país democrático e independente. Mas não tema: a história da minissérie vai além do ufanismo e toca qualquer espectador em diferentes partes do globo.

Dirigida por Tom Hooper (Os Miseráveis e O Discurso do Rei, pelo qual venceu o Oscar), a trama acompanha John Adams (brilhantemente interpretado por Paul Giamatti), advogado que passa a participar da luta dos Estados Unidos pela Independência. Adams não pega em armas e muito menos as dispara em campo de batalha; o foco é acompanhar os bastidores da Independência. O grande barato do projeto é acompanhar o processo pelos olhos de Adams, homem simples, mas influente, que acabou se tornando o segundo presidente da república estadunidense.

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Enquanto George Washington e Thomas Jefferson (primeiro e terceiro presidentes, respectivamente) são reconhecidos como verdadeiros heróis da liberdade, Adams é lembrada como um burocrata pouco elegante e heróico. A minissérie, aliás, não tem medo de retratá-lo como um homem feio e pouco agradável, que acaba sendo empalidecido por figuras imponentes como Washington. É como se acompanhássemos uma pessoa comum, como qualquer um de nós, no meio de lendas históricas. Isso, no final, acaba aproximando Adams do público que passa não só a entendê-lo, mas a se importar com ser humano complexo que ele é.

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john adams elenco
Adams, sua esposa Abigail, Jefferson, Benjamin Franklin, Washington, entre outras figuras históricas.

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De todos, Adams talvez tenha sido o revolucionário da independência que mais ajudou e sofreu. Ainda que tenha participado da elaboração da Declaração de Independência e que tenha sido vital no tratado de paz com a Grã-Bretanha, Adams acabou sendo “apenas” vice de George Washington. Quando enfim tornou-se presidente, sofreu nas mãos dos adversários e do próprio partido. Sua voz não era ouvida e suas investidas políticas eram ignoradas. Seu tempo como chefe da nação durou apenas um mandato. Jefferson, que era seu vice, acabou o substituindo.

A minissérie, portanto, se sai incrivelmente bem como relato histórico e como biografia. Além de acompanhar a Independência americana como um todo, a obra ainda encontra espaço para momentos curiosos como os bastidores da construção da Casa Branca (Adams, aliás, foi o primeiro presidente a habitar a famosa mansão). Ao fim, o programa presta um bom serviço à figura de Adams sem soar piegas e sem torná-lo um herói. É pelo viés puramente humano e realista que John Adams conta sua história. É verdade, porém, que a série possui algumas divergências com o livro original sobre Adams, escrito por David McCullough e vencedor do Pulitzer. Ao fim, contudo, o relato é válido e elogiável.

Caso você não esteja tão interessado na história e na veracidade dos fatos, John Adams é um drama impecável, feito com incrível esmero técnico. O estilo do diretor, que incomoda diversos críticos, está lá, bem como seu olhar acurado para a direção de arte e figurinos. Paul Giamatti tem atuação irretocável, bem como seus famosos parceiros de elenco, como Laura Linney, Danny Huston e Tom Wilkinson. Vencedora de 4 Globos de Ouro e 13 Emmys (recordista de prêmios entre as minisséries e um dos programas com mais vitórias em um único ano), John Adams é altamente recomendada.

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