Justiça – 1×01 – Capítulo 1

Imagem: Reality Social (Twitter)
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“Até onde você vai em busca de justiça?”

 

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Essa é a pergunta principal que norteia o roteiro da nova e maravilhosa minissérie da Rede Globo, Justiça. Ao contrário do que o nome pode sugerir, Justiça não narra a rotina dos tribunais, nem questiona a aplicação das leis. Com 20 capítulos e quatro histórias independentes, mas interligadas, a minissérie propõe uma reflexão sobre o justo na prática, ali no nosso dia a dia, na vida normal cheia de tombos que vivemos todos os dias.

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Sabe, quando é o seu calo que aperta? Pois então, é nesse ponto que Justiça quer tocar. Sem levantar bandeiras para nenhum dos lados, a minissérie mostra pessoas comuns lutando contra os seus próprios demônios, suas culpas, suas dores.

Começamos a narrativa por uma história que tem se tornado (infelizmente) bem comum: feminicídio. Não, não é crime passional e, principalmente, não se trata de amor, se trata de poder, o famoso “se não vai ficar comigo, não ficará com ninguém”, simples assim.

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Vicente e Isabela viviam um namoro fadado à tragédia. Ele, garoto rico e mimado, violento e sempre bêbado; ela, garota de classe média alta, mimada, acostumada a ter todos aos seus pés. Ele descobre que sua família está indo à falência, ela se afasta, e os ciúmes de Vicente chegam ao ápice quando encontra Isabela com o ex-namorado, de quem ele sempre desconfiou.

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Imagem: Reality Social (Twitter)

A genialidade do roteiro nós encontramos aí, porque os vários “tipos” de brasileiros viram esse crime cada um do seu jeito. Teremos aqueles que culparão Isabela por sua própria morte, traidora, safada, vagabunda, fácil, a culpa é sempre da mulher mesmo, “ela sabia como ele era”. E teremos aqueles que torcerão pela morte de Vicente, afinal, é um assassino louco que não merece perdão, e sim um tiro na cara, “pena de morte já.” O meio-termo entre esses dois pensamentos que é difícil de encontrar.

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Depois de uma das cenas de morte mais lindas da dramaturgia brasileira, ao som de “Pedaço de Mim”, clássico absoluto de Chico Buarque – criado em homenagem à Zuzu Angel, logo após perder seu filho para a Ditadura Militar, se passam sete anos. Sete anos em que Vicente viveu alimentando sua culpa e arrependimento, sete anos em que Eliza, a mãe de Isabela, alimentou sua dor, seu ódio e seu desejo de vingança.  

“A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu.” Chico Buarque

Sete anos é pouco para um assassinato? É sim. Para a justiça não é, caso ele tenha bom comportamento. Para quem cometeu o crime é tempo demais, e para quem perdeu um ente querido é tempo de menos. Para um pai ou uma mãe, qualquer tempo seria pouco para justificar a dor.

E é por não concordar com o sistema que a professora de Direito Elisa resolve matar o assassino de sua filha, justiça com as próprias mãos, claro, por que não? Ou por que sim? Será que ela realmente têm direito de fazer isso? Tirar uma vida? , por que não teria? Bandido bom, é bandido morto! Mas e se esse bandido for teu filho? Se não for, tudo bem! Mas Vicente tem uma filha agora que, vejam só, se chama ISABELA, o que fazer?

A continuação da vingança e redenção de Elisa nós veremos na próxima segunda-feira.

todas as histórias estão interligadas de alguma forma
Imagem: Reality Social (Twitter).

Hoje teremos o início de outra história (todas as histórias estão interligadas de alguma forma), que cobriremos também por aqui, no Mix de Séries.

Em uma época em que a violência aumenta e as justificativas são várias, Justiça se mostra com o timing perfeito. Esse é o tipo de produto que a nossa sociedade precisa. Afinal, quem faz justiça com as próprias mãos também vira um criminoso, ? Ou não?