Justiça – 1×06 – Capítulo 6

Imagem: Gshow

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E no sexto capítulo Justiça veio falar de reencontros e recomeços. De certo modo, toda as histórias ali apresentadas falarão disso, pois para haver a tão prometida Justiça é preciso que nossos protagonistas encarem seus fantasmas frente a frente. Então não é exclusividade da história de terça. Mas Fátima não quis reencontros. Pelo menos não esse. Seu objetivo era outro.

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Portadora de uma resiliência que nem os anos da prisão parecem ter abalado, o que Fátima quer é tocar a vida e reunir sua família, seu filho Jesus e sua filha Mayara. Ponto. Isso ficou muito claro em todo o desenvolvimento do capítulo. E ficou nítido que ela não quer acertar contas com Douglas – dele falaremos mais à frente -, pouco importa o que ele tenha feito. Fátima quer paz.

Ô Fátima! Já estamos te achando uma força inabalável que, depois de tudo o que aconteceu, ainda tem gás para correr atrás de um emprego, ter um insight e ir vender marmitas feitas naquele fogãozinho, além de, claro, ter a misericórdia de salvar uns dos responsáveis por sua tragédia. Poético, não fosse duro. Não fosse o alento do refrigerante à beira do balcão e o flerte tímido com o moço cantor. Poético ela ir de encontro à letra da canção de Geraldo Azevedo, pois Fátima acredita na existência de um futuro, de um porto seguro, e ela segue, como se em uma ode à superação dos desafios que a vida lhe dá, sentimento estampado nas feições da personagem, mais uma excelente interpretação de Adriana Esteves. Fátima segue por entre os apertos do mercado de rua, guiada pela luz da lamparina. Poético, não fosse duro.

E aí que a narrativa melodramática quando bem feita nos traz sua excelência. Alguns criticaram e vêm criticando severamente os recursos de narrativa que estão sendo utilizados na minissérie: “só tem esse policial no Recife? Só esse quiosque? Só essa faculdade?”. Discorda-se. Pois a solução encontrada para reunir mãe e filho, entre outras, foi a mais plausível que se possa pensar. Muito bem amarradas, foram sequências sensíveis e bem escritas, dando um nó em nossos estômagos.

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Outro ponto do capítulo que nos deu um nó, agora em nossas empatias, foi Douglas, personagem com ares de vilão que foi tão desconstruído que chegou a virar o alívio cômico da história. E outra baita interpretação do Henrique Diaz! Sua cena no quiosque, o coração partido que vê no mijo a desforra, e seu diálogo com o ainda desnorteado Jesus foram momentos excelentes.

Aguardemos o novo desenrolar dessa dinâmica entre vizinhos, com a promessa da visita de Mayara, agora Suzy, que ao contrário da mãe, está com a vingança nos olhos e fez dela seu propósito de vida.

P.S.: Em sua segunda semana, arrisco dizer ser esta a história melhor estruturada.

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