Justiça – 1×10 – Capítulo 10

Imagem: Gshow
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Sabe aquele capítulo sem tirar nem por? Teria sido este, não fossem alguns moralismos enfiados garganta a baixo. Mas falemos disso mais adiante. Antes, os acertos.

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É interessante como a minissérie tem mostrado a cidade de Recife e suas dualidades. Belas imagens do rio Capibaribe, com a imponência dos prédios a suas marges, contrastam com a precariedade dos cais de Brasília Teimosa e a simplicidade dos mercados de rua. É para nos lembrar que Recife não é a beleza dos casarios históricos.

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No meio dessa pandemia sócio-econômica, Fátima continua lutando com toda a garra para se manter justa, sóbria e consciente de si. Quer um futuro para o filho, quer um futuro para a filha. Ela quer evoluir. Quer que o  filho seja mais do que um motorista de ônibus. Piegas? Talvez. Porém, condizente com a personalidade dela. Pergunta-se, entretanto, quando ela vai explodir e extravasar todo esse controle…

O que nos leva a Enrique, uma figura que se tornou um escape de Jesus. Diante da correção e dos puxões de orelha da mãe, o menino enxergou no vizinho uma parceria. Parece até um vislumbre de uma figura paterna. E até que se entende, Jesus não teve referências. Seu modus operandi é o que tem para fazer, é do jeito que é.

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Sobre Suzi, está ficando  cada vez mais intrigante o jogo entre ela  e Kellen. Apesar da marcação da cafetina, Suzi está conseguindo executar seu plano de vingança, seja qual for. Até a preocupação com o acidente da mãe conseguiu controlar. A dinâmica das duas está muito boa e está rendendo. Arrisca-se um previsão para esse desfecho: Suzi virar a dona do bordel e inverter  essa relação.

Ponto alto? A cena da praia em que a população captura os  dois moleques que furtaram Regina. Um reflexo dessa nossa sociedade histérica, descrente e esquizofrênica. Deu para entender, ? Regina, a mais prejudicada, não foi nem ouvida diante do levante popular contra os meninos.

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E tanta maravilha para deslizar. Cansa-me, cansa-te, cansa-nos esse moralismo enfadonho da recompensa da justeza. Jesus furtou Firmino e se redimiu pelo erro. Sua punição? Ganhar o dinheiro que havia furtado e comprar picolés. Oras, em uma minissérie que se propõe a ser “diferentona”, inquieta e problematizadora trouxe uma dinâmica mela-cueca, que contradisse inclusive a própria conduta de Fátima. Erraram e erraram feio.

Ainda assim, apesar dos escorregos, continua uma trama concisa.