Justiça – 1×12 – Capítulo 12

Imagem: Gshow
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Primeira observação sobre este capítulo: era a história de Maurício, ou um mix das histórias dele, de Suzi e Rose? Ficou a impressão de que a divisão das tramas não foi bem dosada aqui, como se faltasse força na história do contador e precisassem preencher com quem está dando liga. Impressões…

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Pois bem, quem aqui achou que Maurício mataria Antenor? Talvez quem não tenha lido a sinopse da trama de sexta. Por lá foi dito que Maurício se aproximaria de Vânia, esposa do candidato a governador. E se estávamos esperando para Drica Moraes mostrar o que sabe fazer, o capítulo dessa sexta foi dela – e das mulheres.

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Com relativo pouco tempo de tela, já se conseguiu perceber a complexidade da personagem: uma mulher extremamente atormentada, carente, frustrada, refém de um relacionamento abusivo, que encontrou refúgio no álcool. O que chamam de “surto”, aquela cena em que ela invade o Snack, chamo de epifania dessa complexidade de Vânia. Ela que ser respeitada, ela quer ser amada. E Maurício percebeu isso ao mudar seus planos.

O que não deixa de ser tão desrespeitoso quanto o tratamento desferido por Antenor à esposa. Maurício julgou melhor usar quem não tem nada a ver com suas dores para atingir seus objetivos. Você tem certeza que é tão bom moço assim, Maurício? Não adianta de nada se esconder atrás da camisa engomadinha, dos porres e replays no celular. Porém, narrativamente, essa guinada é interessante. Em Justiça, assim como do lado de cá da tela, nada é preto no branco, lembram-se?

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O que nos leva a falar sobre Antenor. Que homem inescrupuloso! O mais perfeito retrato do combo empresário-político-corrupto-inatingível capaz de qualquer coisa pelos interesses e pela eleição. “Eu estou em campanha!” bradou incontáveis vezes ao longo do capítulo. O estereótipo está todo lá, repleto de manobras e calhanices, muito bem interpretado por Antônio Calloni. Ele resume todo o desprezo que um ser humano pode ter por outro, ao mesmo tempo que exala fraqueza e a covardia por detrás de seus feitos.

Conectado direta ou indiretamente aos interesses dos homens, este capítulo trouxe muito bem colocadas algumas condições de insignificância da mulher que ainda insiste imperar em nossa sociedade. Tivemos Vânia, humilhada e usada. Tivemos Vanessa, impotente diante da hospitalização e do suborno de Antenor – uma decepção tomará conta caso a moça aceite o acordo. Tivemos Suzi, agredida física e verbalmente. A fala de Kellen ecoa por todos os cantos. “Puta não responde. Puta aceita, internaliza e depois manda a conta”.

Substitua “puta” por “mulher”. Pois é. Essa tal conta está grande, sociedade. E está sendo cobrada. Espera-se que na ficção ocorra o mesmo.

Produtora e realizadora audiovisual, no momento em processo acadêmico. 99% seriadora com aquele 1% noveleira. Divide as fases da vida em Buffy, a Caça-Vampiros, Gilmore Girls e Grey's Anatomy. Sua menina dos olhos, porém, é Penny Dreadful. No Mix de Séries escreve as reviews de Modern Family, Orange is the New Black, Scandal e o que vier.