A nova série Lanternas, da HBO, promete apresentar uma abordagem inédita e ousada sobre a mitologia da Tropa dos Lanternas Verdes — e ninguém melhor que Nathan Fillion para antecipar o tom único dessa produção. Conhecido por interpretar Hal Jordan diversas vezes nas animações da DC, o ator agora estreia em live-action como o excêntrico e nada convencional Guy Gardner, um dos Lanternas mais controversos dos quadrinhos. E, segundo o próprio Fillion, a série será tudo, menos tradicional.
Um Lanterna imperfeito (e muito engraçado)
Em entrevista recente, Fillion descreveu seu personagem como “98% defeituoso” — e é justamente isso que o torna fascinante. “Guy Gardner é uma mina de ouro para comédia. Sempre achei difícil fazer as pessoas rirem, mas fácil deixá-las rirem de você”, explicou o ator. Guy não é o tipo de herói inspirador como Hal Jordan ou John Stewart. Ele é egocêntrico, impulsivo e, muitas vezes, insuportável — e é exatamente isso que torna sua presença única na nova fase do DCU sob o comando de James Gunn.
O traje de Guy Gardner reflete sua personalidade: o personagem se recusa a tirá-lo, mesmo em cenas mais casuais. Segundo Fillion, havia um figurino civil preparado para uma cena em um restaurante, mas a equipe decidiu mantê-lo uniformizado, porque Guy quer ser reconhecido o tempo todo. “Ele é aquele tipo de cara que nunca quer passar despercebido”, brinca.
O icônico corte de cabelo e as decisões de bastidores
Outro traço marcante do personagem — que gerou debate nos bastidores — é seu corte de cabelo: o infame bowl cut. Para Fillion, tratava-se de uma questão de fidelidade aos quadrinhos. “Começamos com algo parecido com o He-Man, depois passamos por um estilo à la Justin Bieber, até chegarmos no corte tigela clássico. É canon. Se não fizermos, vamos ouvir reclamações.” O ator defendeu o visual com entusiasmo, afirmando que o corte ridículo é parte essencial da identidade do personagem.
Dinâmicas explosivas com outros Lanternas

Na nova série Lanternas, Guy divide os holofotes com os outros Lanternas mais conhecidos do universo DC. Aaron Pierre interpreta John Stewart, um recruta mais contido e introspectivo, enquanto Kyle Chandler assume o papel de Hal Jordan, o veterano confiante. A série será centrada em uma investigação de assassinato no interior dos Estados Unidos, conduzida por Hal e John, mas Guy Gardner logo se intromete — com resultados explosivos.
“Soltei mais palavrões nesse projeto do que em toda a minha carreira”, confessou Fillion. Na série, sua primeira interação com John Stewart já deixa claro o contraste entre os dois. “Guy entra todo cheio de si, mas ao fim da cena, ele já não está confortável. Você percebe a força real de John. É aí que está o coração da série.”
James Gunn e o futuro do personagem
A relação de longa data entre Nathan Fillion e James Gunn — que remonta a Slither (2006) — é um dos motores por trás dessa escalação. Fillion lembra com carinho do momento em que descobriu que interpretaria Guy Gardner: foi durante a festa pós-Guardiões da Galáxia Vol. 3, quando Gunn cochichou a novidade em seu ouvido. Desde então, o ator passou a integrar oficialmente o novo DCU.
Apesar de não saber todos os planos que Gunn tem para Guy Gardner, Fillion acredita que está bem posicionado: “Sou o primeiro Guy Gardner em live-action. Se houver outro depois de mim, ainda serei o primeiro.” Ele também não descarta uma volta à animação, já que Gunn pretende manter a consistência entre atores de live-action e vozes animadas.
O que esperar de Lanternas
Com roteiro e produção de nomes de peso como Damon Lindelof (Watchmen) e Tom King (roteirista e ex-agente da CIA, responsável por arcos aclamados dos quadrinhos), Lanternas promete equilibrar drama, ação e muito humor ácido. A presença de Fillion, com sua veia cômica e seu domínio sobre o personagem, sugere que a série trará um frescor bem-vindo à franquia — fugindo da solenidade de adaptações anteriores e apostando em um tom mais provocador e humano.
Para os fãs de longa data e os novatos curiosos, Lanternas pode ser a versão da Tropa dos Lanternas Verdes que o público nunca soube que precisava — até agora.