Law & Order: True Crime – 1×03 – Episode 3

Imagem: Justin Lubin/NBC/Divulgação

Depois de episódios iniciais bem irregulares, True Crime chega num momento onde não pode mais parecer em dúvida sobre qual história ganhará mais atenção, qual personagem receberá mais destaque ou a maneira pela qual trabalharão melhor na construção do clímax. É chegada a hora da produção mostrar a que veio, apresentar suas armas secretas e surpreender não só pela forma como também pelo conteúdo. Felizmente (e finalmente), eles entregam tudo que o telespectador esperava assistir desde o princípio que é um drama jurídico baseado em fatos reais que não tem problema em falar sobre assunto difícil.

Imagem: NBC/Divulgação

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O que me deixou mais satisfeito após assistir esse episódio foi o fato de que o roteiro não concentrou-se apenas no julgamento, dando inclusive uma aula sobre como a televisão era feita durante o final dos anos 80 e início dos 90. E tal abordagem é essencial para que o telespectador possa entender exatamente como que tudo aconteceu e porquê. Vejamos a maneira ridícula na qual o gabinete do Procurador do Distrito estava lidando com o caso – ao invés de concentrar-se na acusação, provas e argumentos, eles traçavam qual era a melhor maneira de injetar várias informações na imprensa, confundir a sociedade e provocar uma condenação antecipada dos Menendez.

Ira Reiner, interpretado aqui pelo sempre sóbrio e consistente David Warshofsky, estava pronto para fazer qualquer coisa para ser o novo Procurador Geral dos Estados Unidos ou da Califórnia, haja vista que ambos os cargos seriam renovados em 1991. Vazar informações, liberar o acesso às celas dos irmãos para que a ABC pudesse fazer imagens e criar um grande espetáculo midiático, foram algumas das alternativas usadas pelo então procurador para fazer carreira. É verdade que ele não seria escolhido para nenhuma das funções posteriormente, mas que abriu aquele precedente perigoso para o que poderia vir no futuro, como o que aconteceu no caso de O.J. Simpson.

A imprensa, entretanto, também exerceu um papel chave nessa primeira parte do julgamento o que o roteiro consegue trabalhar de uma forma clara e sem cair em moralismos. A ABC, que notoriamente beneficiou-se mais do caso, viu naquele situação uma oportunidade perfeita para sair da crise de audiência que sofrera durante o início dos anos 1990. Diane Sawyer, interpretada sem muita elegância e originalidade por uma desconhecida chamada de Kate Beahan, que à época lutava por um lugar ao sol na emissora estava pronta para dar o melhor de si numa cobertura que levaria a jornalista a ser promovida a âncora do 20/20 em 1998.

Todos esses elementos combinados a performance sempre espetacular de Edie Falco, que realmente nos brinda com o esperado The Edie Falco Show ao roubar todas as cenas na qual participa, tornam True Crime aquela série imperdível, sensacional e suculenta que a NBC nos prometeu desde o início.

Obs: Para quem ficou perdido nos diálogos que fazem referência a um tal de may sweeps, deixe-me explicar. O responsável por medir a audiência nos Estados Unidos é a Nielsen, cuja medição em mercados menores, como o interior do Alabama por exemplo, é feita em apenas quatro meses do ano (novembro, fevereiro, maio e julho) através de diários de papéis. Ou seja, quanto maior for a audiência nesse período maior será o retorno para as emissoras. A primeira audiência dos dois? Maio de 1990.

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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