Law & Order: True Crime – 1×06 – Episode 6

Imagem: Justin Lubin/NBC/Divulgação

O grande momento de um tribunal do júri é quando a defesa põe o acusado no banco para que ele possa responder perguntas e contar sua versão da história, até porque é ali que ele terá a oportunidade de implorar pela misericórdia dos jurados, chorar, invocar o nome de Deus e derrubar qualquer estratégia que a acusação vinha construindo. Em True Crime não é diferente, até porque os Estados Unidos estava assistindo.

Imagem: Justin Lubin/NBC/Divulgação

Apesar da minha enorme expectativa em torno do que assistiria nesse sexto episódio, também tinha uma certa preocupação de que eles não seriam capazes de entregar tudo o que vinham prometendo, ou quem sabe até que os atores pudessem trazer performances caricatas com o intuito de emocionar o telespectador ao invés de leva-lo a desconstruir alguns preconceitos com o caso. Felizmente a direção de Fred Berner, um fiel escudeiro de Dick Wolf, foi além do melodrama.

A aposta do roteiro em contar detalhe por detalhe, incluindo os mais sádicos e inacreditáveis, me fez lembrar da audiência de Anita Hill no Senado americano em 1991 contra o agora juiz da Suprema Corte, Clarence Thomas, que trouxe desde assédio sexual até zoofilia na faixa vespertina da programação da televisão americana. Tal artifício não foi bom apenas para chocar o telespectador, como também ser o mais verossímil possível numa plataforma cheia de restrições do governo. Foi inteligente e ajudou a tornar True Crime ainda mais poderosa.Sinto falta de imagens reais da época, ferramenta que The People v. O.J.Simpson utilizou fartamente para deixar a ficção ainda mais próxima da realidade, principalmente no que se refere aos depoimentos, reação do público em geral e cobertura da mídia. Seria um auxílio gigantesco para True Crime, sem dúvida alguma, assim como trabalhar essa parte midiática personificada pela CourTV. Repito que em nenhum momento vemos produtores comentando sobre audiência, sobre demográfico, o que é um enorme desperdício de fazer uma crítica necessária.

Os atores representam um pilar independente de qualidade, principalmente nesse sexto episódio. Miles Gaston Villanueva e Gus Halper mostraram mais uma vez o porquê são grandes revelações desta temporada com performances sóbrias, mas emocionantes, fortes e poderosas num momento que Hollywood é consumida por denúncias de abusos e assédios sexuais. Edie Falco e Jualianne Nicholson chamam atenção, mas esse episódio foi dos dois atores.

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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