A Netflix estreou Leanne, sitcom criada por Leanne Morgan em parceria com Chuck Lorre e Susan McMartin. A série marca a estreia de Morgan como protagonista e co-criadora, em uma produção que busca resgatar o estilo de comédias clássicas como Two and a Half Men e The Big Bang Theory. No entanto, o resultado parece preso ao passado, com piadas datadas, personagens caricatos e subtramas que pouco se desenvolvem.
A história por trás de Leanne
A trama acompanha Leanne Murphy (Leanne Morgan), uma mulher de cinquenta e poucos anos que vê sua vida virar de cabeça para baixo quando descobre que o marido a traiu com uma mulher bem mais jovem. A partir daí, ela precisa lidar com a separação e recomeçar do zero, ao lado dos filhos, netos, amigos e familiares que, cada um à sua maneira, complicam ainda mais sua nova fase.
A proposta é simples e lembra muito as sitcoms clássicas dos anos 90 e 2000: personagens exagerados, gargalhadas de fundo e piadas rápidas em sequência. É justamente nesse ponto que a série falha. O humor parece engessado e datado, enquanto os personagens mudam de personalidade de um episódio para outro para justificar as situações cômicas.
- Leia também: Leanne | Tudo sobe a nova série da Netflix
Piadas fora de tom e personagens problemáticos

Um dos maiores problemas da série está na construção de alguns personagens e nas piadas utilizadas. O pai de Leanne, John (Blake Clark), é retratado como um avô “adorável”, mas carrega falas machistas e atitudes que hoje soam ultrapassadas e incômodas. Há também situações constrangedoras, como a cena em que um jovem pai ajuda uma mulher bêbada e acaba sendo assediado por ela – algo que a série tenta tratar como piada.
Além disso, Leanne abusa de gags repetitivas, como as piadas sobre esquecimento relacionadas ao personagem idoso. Embora algumas cenas funcionem, grande parte do humor não se sustenta, especialmente para um público acostumado a comédias modernas com narrativas mais sutis e inteligentes.
Subtramas rasas e falta de desenvolvimento
Outro ponto fraco da série são as subtramas, que começam de forma abrupta e são abandonadas rapidamente. Personagens mudam completamente de comportamento de um episódio para o outro, como Carol, irmã de Leanne, que passa de mulher independente e descolada para alguém subitamente apaixonada após um romance repentino.
Apesar disso, alguns arcos têm potencial, como o de uma possível nova relação amorosa para Leanne e os momentos em que ela cria laços inesperados com outros personagens. Esses pequenos respiros mostram que havia espaço para uma narrativa mais consistente.
Para quem é Leanne?
Apesar das falhas, Leanne pode agradar a um público que sente falta das sitcoms tradicionais, com formato simples e piadas mais diretas. Para quem cresceu assistindo a séries como Friends ou The Big Bang Theory, a nostalgia pode ser suficiente para relevar os problemas.
No entanto, para espectadores acostumados a comédias modernas como The Bear ou The Marvelous Mrs. Maisel, a série pode parecer ultrapassada. A produção não se aprofunda na jornada de superação da protagonista e aposta em humor previsível, o que pode dificultar sua permanência na plataforma em meio a tantas opções.
Vale a pena assistir?
Leanne é uma tentativa de trazer de volta a era de ouro das sitcoms, mas acaba soando fora de lugar em 2025. A química entre o elenco é um ponto positivo, assim como a experiência de Leanne Morgan no humor, que dá certo carisma à protagonista.
Ainda assim, as piadas datadas, a falta de desenvolvimento das histórias e os personagens inconsistentes tornam a série uma experiência irregular. Para quem gosta de comédias clássicas e não se importa com clichês, pode render boas risadas. Mas, para quem busca algo novo e bem escrito, Leanne dificilmente vai conquistar.
Se conseguirá sobreviver ao temido “cancelamento precoce” da Netflix, só o tempo dirá.