Let’s do the time warp again!

Imagem: Arquivo Pessoal

Science fiction, double feature… Ok, aqui vamos nós.

Vou ser honesto com vocês – até porque quanto mais coloquial for o resultado, mais satisfeito eu vou ficar – esse é só mais um Editorial. E acho importante começar por esse detalhes, afinal eu tenho plena consciência do quão absurdos, desconexos e por muitas vezes entediantes os meus textos são. Então, enquanto você navega por essas linhas por sua conta e risco, lembre que este não é um panfleto, um manifesto de revolução, muito menos uma “bíblia” de moralidades afins. Mas nesses tempos, digamos, “interessantes”, é impossível evitar certas coisas.

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A questão é que, em meio a insatisfações, apatia, moderada concordância e aquele básico “to nem aí”, muita coisa dos últimos dias aponta para uma ideia fixa que se tornou esse texto. Não me entendam mal, não se trata de atribuir rótulos ou levantar questões de valor ou moralidade – minhas divagações nessa coluna já são, e eu sei muito bem disso, entediantes ao extremo sem isso –, mas mesmo nesse mundo de distopia levemente tecnologia que descaradamente e sem nenhuma genialidade imita a arte, nunca foi tão envolvente entrar na discussão e ser surpreendido por ela.

E em termos de discussão e ideia fixa, nunca achei que seria surpreendido pela maneira com que a indústria de entretenimento iria me surpreender. Bugou? Explico. Mesmo em meio a essa Era de Cyberataques, nunca achei que veria a Netflix ser o alvo. Mais ainda, nunca esperei que os fãs, até mesmo os seriadores mais hardcore sairiam em defesa da companhia, mobilizando as redes sociais para que as pessoas não assistam aos episódios vazados. Tudo isso na mesma semana em que a mesma Netflix anunciou a saída de alguns favoritos – como How I Met Your Mother, 24 Horas e Prison Break – do seu catálogo. Que grande confusão, não?

Ainda no domínio da Netflix, essa parte particular do Império do Streaming tem trazido, a sua forma e com seus problemas, questões gritantes da “pós”-modernidade e, pasmem, a reação do público não foi referente aos temas abordados, mas a dose de ficção acrescentada para retratar/imitar essa realidade.

Nesse meio tempo, a própria indústria parece ter caído nessa miríade de contradições. Vejam, que curioso, dez anos depois, o sindicato dos roteiristas precisou, mais uma vez, adotar medidas extremas – como a greve – para lidar com questões que uma pitada de bom senso poderiam resolver – afinal, corrigir salários que não acompanharam a ascensão meteórica de lucros da indústria que aconteceu desde que essas reivindicações foram abordadas na última greve não parece algo muito absurdo.

Então, do que se trata tudo isso? Qual o grande problema? Embora a piada no título tenha vindo de outro lugar, ela é um desafio para apresentar uma resposta. Tomemos dez anos como referência e vemos que, fora a grande quantidade de problemas sociológicos que surgiram, a impressão que fica é que nada mudou. A indústria continua em sua saturação de si mesma, questões de vazamento, fraude, propriedade e pirataria não desapareceram, tornaram-se ainda mais graves.

Mas alguma coisa mudou. E é exatamente isso que, fora por ser uma referência velada a The Rocky Horror Picture Show, o título representa. Depois desse time warp, e mesmo a sociedade tendo ido para lugares muito mais distópicos, ainda sobraram surpresas e essa é a parte que eu mais adoro no texto. Quem, em sã consciência, iria imaginar que o fandom, até mesmo o do Brasil – vejam o Twitter para mais evidências – iriam ficar do lado do estúdio, do lado do release oficial, do lado do não assistir?

Então, que nos custa suportar mais um warp? Sobrevivemos, junto com a indústria – e com a realidade que ela imita (ou que é imitada por ela) – a tantas coisas e ainda sim existem formas de nos surpreender! E mesmo que a curiosidade tenha vencido uma parcela dos fãs, é uma parcela maior ainda de fãs que saiu em defesa da série. E mesmo que sejam motivados pela discordância ou insatisfação, os temas cuja abordagem gerou tanta insatisfação conquistaram espaço até mesmo no streaming, e todos nos vimos confrontados por essas questões.

Logo – e com uma dosinhas de trash, porque a realidade é mais divertida com isso – talvez ser entregue a toda essa sorte de reveses com e sem maniqueísmos seja um prefácio mais positivo do que parece. Porque, independente do lado em que você esteja em qualquer uma dessas e das outras questões que têm povoado timelines por aí afora, ame ou odeie vazamentos, espere ou não pelo lançamento oficial, esteja do lado da emissora ou do hacker… seja qual for o resultado dessa e de todas as outras questões que nos cercam, há mais esperanças do que podíamos imaginar para a indústria e, claro, para a sociedade a qual ela imita – ou é imitada por ela.

Tags Editorial
Richard Gonçalves

Richard Gonçalves

Estudante de Letras, apaixonado por quadrinhos, música e cinema. Viciado em séries desde sempre. Fã de carteirinha de Doctor Who, House, Battlestar Galactica, Sherlock, 24 Horas, The Borgias, Penny Dreadful, E.R. e Lost. Aqui no Mix de Séries é editor de reviews, além de escrever as reviews de Marvel's Jessica Jones, Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. e The Originals.

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