Limitless – 1×13 – Stop Me Before I Hug Again

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Imagem: Captura de Tela/Reprodução

 

Limitless sempre foi admirável pela plasticidade. A série consegue juntar referencias e desconstruir arquétipos, tudo isso enquanto procura (?) construir algo similar a uma trama central. Entretanto, “Stop Me Before I Hug Againg”, o episódio dessa semana, errou o tom.

Até aqui, o aprofundamento no subconsciente de Brian tinha sido algo interessante, que criava um dialogismo maior, dando a narrativa da série uma vantagem para superar as limitações procedurais (e certas atuações). Os trocadilhos também eram uma dose de humor negro necessário, que simplesmente combinavam com o todo. Só que, mesmo sendo a comédia aquilo que exalta o pior do ser humano – vide a “Poética” de Aristóteles para mais explicações – é preciso saber onde parar. Dualizar um serial killer que mutila, estupra e mata mulheres com uma parte infantilizada do subconsciente de Brian simplesmente não é apropriado. Eu entendo o uso para diminuir a terminologia, ou talvez por restrições envolvendo horário e faixa etária… mesmo assim, um personagem infantil? That’s just wrong!

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O personagem de Terry Serpico foi uma surpresa (boa) a parte. Todo o tom almighty do profiler, cheio de issos e aquilos foi simplesmente impagável. Desde a morte de Casey e considerando toda a desconstrução feita em Boyle, a série precisava de alguém com esse “Q” de velha guarda, cheio de trejeitos, e esse vácuo foi temporariamente preenchido por David Englander. É claro, o personagem também serviu para levar a série de volta a parte mais institucional (uma visita a Quantico), talvez numa tentativa de reavivar certos traços básicos da série.

É claro, não seria um episódio de Limitless sem pelo menos um bom plot twist, e descobrir que Englander tinha capturado a pessoa errada em seu caso mais celebre foi o turning point para um episódio que ficaria rotulado como de muito mau gosto. Juntar vários casos de serial killers, erros de um profiler e, como Brian classificou, teorias sobre “real life Inception” trouxe de volta o aquela atmosfera de Techno-thriller que fez tanto sucesso no filme que deu origem a tudo isso.

O momento road trip de Brian e Rebecca também não deixou a desejar. Aborda a parceira dos dois, humaniza mais Rebecca, explora um pouco mais a teia de mentiras (o esforço para mantê-la e as consequências disso) em que Brian está envolvido e, como bônus, retoma a cruzada da mocinha para descobrir os segredos do Senador Morra – algo que, eu espero, seja explorado e aprofundado até o fim da temporada.

Apesar dos erros nesse mesmo quesito, a série também não falharia em empregar um alívio cômico descente. A lista de crimes que Brian cometeu desde que se juntou ao FBI – onde figuram itens como “roubar 120 post-its do trabalho” e “dançar macarena no Central Park” – foi uma das melhores sacadas do episódio.

Infelizmente, mesmo com todos os bons resquícios do que gostamos na série, Limitless fecha o episódio com um saldo negativo. Rebecca ter descoberto o detalhe do botão quase que instantaneamente é forçar a barra demais, até para os padrões NZT. Resta esperar que o próximo episódio seja melhor, e que não apresente um desafio de semântica da língua inglesa. See ya!

Tags Limitless
Richard Gonçalves

Richard Gonçalves

Estudante de Letras, apaixonado por quadrinhos, música e cinema. Viciado em séries desde sempre. Fã de carteirinha de Doctor Who, House, Battlestar Galactica, Sherlock, 24 Horas, The Borgias, Penny Dreadful, E.R. e Lost. Aqui no Mix de Séries é editor de reviews, além de escrever as reviews de Marvel's Jessica Jones, Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. e The Originals.

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