Luther – O início da loucura

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Há muito tempo que quero falar sobre Luther. Uma das melhores coisas produzidas pela televisão britânica nas últimas décadas (o que não significa pouco, já que as séries britânicas raramente decepcionam), Luther, criada por Neil Cross, é uma mistura impecável de visual arrojado, protagonista marcante e narrativa belissimamente construída. Tudo que há de bom nas boas e velhas histórias de detetives é abordado e melhorado por Cross na série que é um dos grandes sucessos da BBC.

Após descobrir que Cross havia escrito um livro sobre o detetive, percebi que ali estava a oportunidade de falar sobre esse belo projeto. Para quem não sabe, a série acompanha John Luther, um atormentado detetive que busca por justiça acima de tudo e de todos. John não é corrupto, não é má pessoa e muito menos um mau policial; mas John não mede esforços. Ele não sossega até descobrir o culpado e quando descobre, não descansa até vê-lo pagar por seus atos. Seus métodos são nada ortodoxos e sua vida é deprimente, mas sua personalidade é tão marcante e seu psicológico tão complexo que é impossível não se encantar pelo personagem e sua história. John Luther não é o homem perfeito, de intelecto impecável. E isso é o que há de melhor nele.

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A primeira temporada começa com Luther encerrando um complicado caso que acabou com suas energias e sua vida pessoal. O casamento desmoronou e sua sanidade ficou por um fio. Tudo por causa de sua dedicação exclusiva ao seu ofício de detetive. Assim, Luther já começa à beira do precipício. O roteiro e o visual (volto a dizer que a série é visualmente belíssima, graças ao belo trabalho de direção) acabam por reforçar essa fragilidade do sujeito: várias vezes vemos Luther isolado em cena, com um enorme vazio sobre sua cabeça, como se todo o caos, culpa e anarquia do mundo repousasse sobre ele. Não é à toa que John é visto geralmente cansado e levemente curvado, como se houvesse um peso sobre ele. Uma bela composição de personagem tanto do roteiro quanto de Idris Elba, um ator absolutamente fascinante.

 

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Como dito, o programa começa com John no fim de um caso complicado que quase o destruiu. Que caso é este? Por que parece tão complicado, tão destruidor? Quem é o criminoso? Quais os seus crimes. São estas perguntas que movem o livro The Calling, prequel que conta como John Luther chegou ao estado em que se encontra na série. Assim, The Calling traz os mesmos personagens da série e o mesmo universo, tudo para contar uma história que vem antes dos acontecimentos vistos na TV. Para Neil Cross, o criador da série e escritor do livros, Calling é o primeiro de três livros que existem completamente separados da série. Quem vê o programa não é obrigado a ler os romances, nem os leitores precisam assistir o show. Para Cross, os livros são complementos que nos ajudam a conhecer um pouco mais da psique de Luther. As páginas servem para irmos mais a fundo nos medos, dúvidas e decisões do detetive, bem como chegar ainda mais perto dos terríveis casos encarados por ele.

Em The Calling, Neil Cross desenvolve ainda mais um personagem marcante e denso como John Luther. O detetive, que atua em Londres, tem muito de seus colegas de ofício; algumas características o ligam a Sherlock Holmes e Miss Marple, personagens conhecidos da literatura britânica. O que o difere de todos os outros é que ele está sempre no limite, na beira do abismo, da loucura. Luther está sempre próximo a explodir ou usar a violência como um atalho para se chegar à justiça. Pois se John precisar matar uma pessoa ruim ou arrancar-lhe um braço para descobrir a verdade, assim o fará. Por chegar tão próximo da maldade e mexer com gente que não devia, Luther está sempre em perigo.

The Calling ainda não tem data de lançamento no Brasil, mas pode ser encontrado em inglês. Assim como a série, é uma obra que vale a pena conferir. Caso você não queira ler, faça um favor a si mesmo e coloque Luther em seu currículo de seriador. A série tem três temporadas curtas (seis ou quatro episódios) e em breve irá ganhar um especial dividido em duas partes que promete encerrar a trajetória de John Luther na TV. No universo literário, dois livros já foram prometidos. O fato é: John Luther merece ser conhecido e respeitado. Não importa aonde ou como. Busque por ele e suas histórias assim como ele busca por justiça. O resultado não decepciona.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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