MacGyver mistura o desprendimento dos anos 1980 com muito High-Tech

séries que os fãs de Hawaii Five-0 precisam assistir
Imagem: CBS
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Para quem cresceu nos anos 1980 ou nos anos 1990, existe uma lembrança bem clara de MacGgyver – Profissão Perigo na Rede Globo: os mais velhos, série sendo exibida aos domingos na hora do almoço (uma espécie de Smallville da década de 1980) e, posteriormente, movimentando as tardes da Sessão Aventura – extinta com a estreia de Malhação em 1995. Quando anunciada, o remake da série dividiu opiniões. Os que gostam do trash exaltaram, outros criticaram. E assim será o veredito da série, após a exibição do piloto – uns vão amar, outros odiar.

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MacGyver, conduzida por Peter M. Lenkov, showrunner que trouxe Hawaii Five-0 de volta à vida, é um mix de tudo o que já vimos na TV, inclusive da própria H50. Mas de alguma forma, ela resgata um tom que não víamos desde os oitenta.

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Os que viveram a inocência daquela década e viajavam na essência da série original irão enxergar traços do clássico na nova versão. Angus MacGyver, interpretado aqui pelo simpático Lucas Till, continua aquele mesmo canastrão inteligente, que desmonta armas com clips e cria as mais variadas engenhocas, tudo no improviso. Ele trabalha para um departamento secreto (ou clandestino) do governo norte-americano, o DES, e se vê em missões que não seriam feitas por qualquer um.

Imagem: CBS.

Mãos ao alto. O trash está de volta à TV!

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Para os fãs do original, existe um problema: a série vai muito na pegada de Hawaii Five-0, e isso talvez incomode para os que venha buscando determinado formato. MacGyver pode até ser o protagonista, mas certamente não é o centro total das atenções. Divide a tela com personagens funcionais e – acredite – carismáticos, que formam um time que deverão, semanalmente, resolver casos que até a segunda ordem seriam impossíveis. Com uma equipe formada e uma história de fundo – a traição de um membro da equipe original – a série já armou o campo para um possível crossover com H50. O problema é o showrunner conduzir a série muito para este lado e esquecer da essência original do show.

Imagem: Youtube

Referências por toda a parte, temos a clássica cena dele carregando um míssil nos ombros, as engenhocas com fita adesiva (saudades silver tape) e bastante ação – incluindo uma cena bizarra do personagem se dependurando em um avião (alô Tom Cruise, é você?). O que incomoda, em alguns pontos, é a série ficar explicando através de legendas o que o protagonista esta fazendo. Nos anos 1980 não tínhamos isso. Será que éramos inteligentes? Ou despreocupados o suficiente para não exigirmos muita explicação?

Lucas Till divide tela com bons nomes. George Eads em seu primeiro trabalho após 15 anos de CSI está bem como Jack Dalton. Com doses de humor certas, ele tenta parecer cool, mas na verdade já é um veterano de campo que tenta pegar o pique do jovem MacGyver. Tristin Mays é um colírio como a hacker Riley e, ainda, temos Justin Hires como Bozer, que deverá ser o grande alívio cômico do show. É um bom pacote, temos de admitir. Talvez este seja um dos ingredientes principais usados por Lenkov para conquistar o público. É bem certo que a série faça sucesso – a começar pelo piloto assistido por mais de 10 milhões de pessoas – e cative uma sólida fã base às sextas feiras.

Trash até dizer chega, MacGyver resgata o descompromisso que a TV tinha nos anos 1980 de forma tecnológica para a atualidade. Talvez devêssemos olhar para a atração com o esse mesmo ar, procurando apenas uma boa diversão para assistir sem compromisso.

Em épocas que, qualquer roteiro é analisado como parâmetro para ser ou não indicada à um Emmy da vida, MacGyver quer apenas terminar o dia salvando o mundo – nem que seja com um clips de papel.