Mad Men – 7×10 – The Forecast

Mad-Men-7x10-analisis-betty-sally

Quando me perguntam sobre o que se trata a série Mad Men, sempre digo que retrata sobre cotidiano de uma agência de publicidade na década de 60 (sei que ela já está na década de 70, mas a série começa nos anos 60). Ao olharmos a nossa volta, existem milhares de Don Draper, Sally, Betty, Glen, Peggy, Joan etc. Esses personagens são pessoas comuns que são passíveis de erros e acertos. Mad Men é muito mais do que isso: ela fala de relações humanas e como é difícil entender o ser humano por ser tão complexo.

Don Draper renderia várias discussões nas aulas de psicologia, pois suas complexidades são enormes. O que se passa na cabeça de uma pessoa que nasceu pobre – como disse Sally -, mas que agora tem tanto dinheiro que lhe possibilitou comprar uma cobertura? É difícil decifrar sua mente. Nem o Draper conhece a si próprio. Portanto, ponto para os produtores e escritores do seriado por construir um personagem dessa forma.

The Forecast, assim como os outros episódios, foi genial. Vimos os personagens com um grande conflito interno. Don naquele vazio existencial; Sally indecisa sobre a sua vida; Betty com sentimentos confusos no campo amoroso; Joan e Peggy com problemas nos seus relacionamentos amorosos. Cada personagem tem um “eu” caótico e não sabem como lidar com isso. Por isso, se sentem perdidos, sem um direcionamento definido. É como se eles se perguntassem a todo o momento: “E agora José?”.

Continua após a publicidade

Eu amo a Sally. Sério. Ao lado da Peggy, para mim, foi a personagem que mais cresceu na trama. Começou criança e agora atingiu a puberdade. Ela tem uma personalidade forte, assim como a de seus pais e devido à isso, tem medo de se transformar num Don Draper da vida. Acredito que ela tem muitas características do pai e não é inegável que ela é a filhinha do papai. Sentirei faltas das cenas da Sally. :’(

Como já sabemos, a série iniciou-se nos anos 60 e nessa sétima temporada se encontra nos anos 70. Um dos principais eventos dessa década foi a Guerra do Vietnã que fez com que o patriotismo americano fosse para as alturas. Muitos jovens foram à Guerra com o pensamento de lutar pelo seu país, algo semelhante com o que ocorreu em 2003 na Guerra do Iraque. Ao ver a fala do Glen exaltando os motivos pelos quais ele resolveu ir para o Vietnã, me remeteu aos discursos dos soldados americanos indo para o Iraque. Isso só comprova que a história se repete.

Mad Men se mostra genial nos detalhes. A cena inicial e a final mostram um Don Draper sozinho, largado, desanimado e solitário. À medida que a câmera se distanciava dele, assistíamos, como testemunhas, o seu semblante perdido; um vazio que tomou conta de tudo e se estendeu para o lugar onde mora. Outra cena magistral foi a demissão de Mathis, um dos empregados, e foi nessa hora que o Don tomou um choque de realidade: ouviu que não tinha caráter, situação esta que ele nunca passou, pois sempre foi elogiado e não está acostumado a ouvir críticas.

Tags Mad Men
Daniele Duarte

Daniele Duarte

Carioca da gema, amante de literatura clássica. Machado de Assis é o seu autor favorito. O tríade de melhores séries são Six Feet Under, Breaking Bad e Sherlock . Séries inglesas também faz parte da sua grade de séries. Ela é a pessoa que chora rios com a series finale de SFU.

No comments

Add yours