Mad Men – 7×14 – Person to Person [Series Finale]

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Que series finale emocionalmente foi essa de Mad Men? A série terminou magistralmente como o esperado. Não deixou nenhuma ponta solta e os seus personagens tiveram um final concreto. Assim como a vida, nem todos obtiveram o happy ending, até porque Mad Men não é conto de fadas: ela conta como as pessoas são de verdade.

Mad Men, desde a primeira temporada, teve como pontapé inicial em contar sobre o mundo da publicidade, como são produzidos os comerciais. Mas, mais do que isso, a série contou sobre a rotina das pessoas e tentou recriar o cenário da década de 60, cuja época foi marcada por momentos que entraram para a história da humanidade, como a inserção da mulher no mercado de trabalho, as pílulas anticoncepcionais, o movimento hippie, etc.

Essa série é uma das poucas que conseguiu permanecer com a sua qualidade ao longo de 7 anos. Também é uma das poucas que conseguiu desenvolver seus personagens tão brilhantemente. A Sally é um ótimo exemplo disso. Vimos nessas 7 temporadas uma criança passar a ser adolescente. Isso foi um crescimento normal da atriz e Mad Men soube aproveitá-lo a seu favor. Sally se tornou uma das minhas personagens favoritas e devo isso ao fato de ela ter uma personalidade forte e ser decidida. Ela sabe tomar as melhores decisões, muito embora, às vezes, possa se encontrar numa situação péssima. Ela consegue pensar de cabeça fria e agir inteligentemente. Por exemplo, na sua conversa com seu pai, ela se mostrou muito sábia ao dizê-lo qual seria a melhor decisão sobre seus irmãos. Sally teve bastante maturidade ao contar sobre o problema da Betty. Ela é, portanto, anos-luz mais madura que seu pai, e isso se confirmou nesse episódio.

Todos os personagens tiveram um fim. Para o Pete foi o melhor possível, ele voltou com sua ex-esposa, e o casal, ao entrar no avião, protagonizou uma verdadeira cena de comercial de margarina. Peggy encontrou seu par que estava bem na sua frente. Torço muito pela felicidade dela, apesar de achar que o seu destino será igual ao Don, por serem tão parecidos. Joan abriu sua própria empresa, começando o seu negócio do zero, e eu acredito que dará super certo. Roger terminou com a mãe de Megan.

A última cena da série, que terminou com Don no retiro espiritual, nos deu uma sensação de aquilo não terminou. É como se aquela cena nunca tivesse terminado e que a qualquer momento veríamos a continuação dela.

Ainda sobre ele: eu chorei durante a cena do desabafo do Leonard que era exatamente o mesmo drama vivido pelo Don. Por sua vez, o Draper foi até ele para abraçá-lo e era uma forma de dizer: “Te entendo, também estou passando por isso”. O protagonista vivia uma vida de sonhos: era bem sucedido, rico, tinha todas as mulheres aos seus pés, era respeitado no seu meio, mas, mesmo com tudo isso, era infeliz. Parecia que faltava algo na sua vida, e ele foi em busca disso. Foi por isso que ele fugiu e viajou ~thousand miles~ para tentar se descobrir. Ele teve liberdade ao longo desse tempo, pois não tinha ninguém mandando nele e nenhum tipo de compromisso. Para mim, ele se encontrou nesse retiro (quem diria). E no final do episódio, ele deu um sorriso, indicando que encontrou algum sentido para a vida. Logo após, temos o comercial, que se tornou ícone da Coca Cola, significando que o Draper retornou para a agência e fez o melhor comercial de toda a sua carreira. Duvido que Don continuaria naquela comunidade hippie, pois ele não nasceu para viver ali, mas aquele ambiente foi fundamental para perceber que não era o único que estava com crise existencial e precisava encontrar algum sentido para a vida.

Vida longa a Mad Men! Sentiremos a sua falta.

Daniele Duarte

Daniele Duarte

Carioca da gema, amante de literatura clássica. Machado de Assis é o seu autor favorito. O tríade de melhores séries são Six Feet Under, Breaking Bad e Sherlock . Séries inglesas também faz parte da sua grade de séries. Ela é a pessoa que chora rios com a series finale de SFU.

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