Madam Secretary – 3×04 – The Dissent Memo

Imagem: Spoiler TV

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Acredito que desde a segunda temporada estava desejando e clamando para que os roteiristas finalmente desenvolvessem uma trama de Madam Secretary que fugisse do Oriente Médio, região preferida por qualquer produção americana para trabalhar tramas internacionais. Isso porque tivemos, além de críticas muito interessantes e sutis à hipocrisia do ser humano, um olhar cuidadoso, gentil e muito, mais muito necessário para nossa amiga Angola.

Imagem: NewsBusters

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Com uma economia quase tão ruim quanto a brasileira, o país africano é atualmente um dos mais afetados pela crise econômica que atinge a África nos últimos 20 anos, mas a proposta dos roteiristas aqui foi algo mais pontual e próximo da nossa realidade – a ameaça ao processo democrático por governos que outrora eleitos pelo povo, agora flertam com a ideia de tornarem-se ditaduras. Tal narrativa começa tão agressivamente que enquanto uma opositora discursa e ressalta o fato da situação ter cortado 30% na saúde, uma bomba simplesmente explode. Tudo isso em menos de cinco minutos do episódio.

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Quando encontramos Elizabeth pela primeira vez, ela já está acompanhando um atentado, mas não aquele da Angola, mas sim um que aconteceu em Roma, à comando de um grupo terrorista. O problema começa quando o grupo responsável por controlar o que acontece no continente africano envia um memorando à Secretária de Estado afirmando discordar da maneira na qual o governo americano está tratando a crise na nação africana.

A melhor crítica de todas está no momento em que os próprios acessos do Presidente sequer dão bola para a situação na Angola, até porque, é uma questão pequena perto da turbulenta eleição que a administração deve entrar com a corrida independente e desafiando o partido. Felizmente, o tal memorando vaza para a imprensa e o próprio The New York Times, que estava à beira de endossar a reeleição de Dalton, avalia que vai segurar o editorial até saber como que o governo tratará daquele assunto.

Acredito que toda essa situação seria cômica se ela realmente não acontecesse, onde determinada crise tem que chegar à beira de uma catástrofe para que a ONU, juntamente com a comunidade internacional, tome alguma iniciativa como a Síria, o Haiti, Venezuela, Filipinas e entre tantos outros exemplos. Ressalto que apesar de ter gostado muito do tema tratado aqui, a narrativa que Henry participava parecia ser muito mais interessante da atenção que recebeu do roteiro.

Espero que o ritmo continue daqui para frente e lembrando de um velho jargão da política americano –  “So Goes Ohio, So Goes the Nation”, ou “Da forma que vai Ohio, vai toda a Nação”.

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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