Madam Secretary – 3×07 – Tectonic Shift

Madam Secretary Tectonic Shift MAIOR

Imagem: Arquivo pessoal

 

Crises humanitárias são responsáveis, ou pelo menos deveriam ser, em trazer nações para mesa numa tentativa de solucionar o problema e evitar que o mesmo tome proporções gigantescas e se torne impossível de se resolver num curto espaço de tempo. Caso tenha pensado na crise de refugiados, está certo, mas Madam Secretary ainda não debruçou-se sobre o assunto e resolveu levantar a questão após um terremoto atingir a Venezuela que não só destruiu a capital Caracas, como também deu início a uma crise constitucional o Presidente e todos os outros nomes na linha sucessória.

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Imagem: TV Show Guide

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Sem dedicar muito tempo para falar sobre a relação difícil que o país tem com os Estados Unidos desde quando o Presidente Bush foi acusado, em 2002, de tentar promover um suposto golpe para derrubar Hugo Chavez, o roteiro mostrou-se mais preocupado em trabalhar a ideia do quão difícil é para bolar soluções rápidas e inteligentes para um conflito que pode, dentre outras coisas, prejudicar as chances eleitorais de Dalton no pleito presidencial.

Reconheço, é claro, o quão originais e criativos os roteiristas foram para resolver o problema da sucessão de regime na Venezuela, além de libertar médicos feitos reféns por um aprendiz de ditador. Entretanto, tudo me pareceu fantasioso demais e surreal, visto que chega a ser impossível imaginar que dois adversários políticos, principalmente nos tempos polarizados como os de hoje, iriam colocar suas diferenças de lado para ajudar outro candidato a solucionar um problema que poderia ser muito bem usado contra ele na campanha.

Além disso, construir toda uma operação midiática para enganar um traficante de drogas, mostra-lo irritado e logo em seguida dar o assunto como vencido, parece não só prematuro como também extremamente precoce. Acredito que o roteiro poderia voltar a trabalhar essa história num futuro breve, mostrando uma certa reação do filho do ex-Presidente ou algo parecido. Esse acabamento é tão fundamental quanto performances decentes e uma trama interessante para que o final não parece apressado ou incompleto.

Não entendi muito bem o porquê resolveram trazer um problema resolvido do passado para Nadine. É fato que os personagens coadjuvantes estão quase tão esquecidos quanto os trabalhadores brasileiros, mas é preciso que tenhamos arcos mais consistentes e frescos para que eles tenham o brilho de anterior, porque o filho de Nadine não retorna para visitar a mãe? Porque Daisy não fica responsável por elaborar uma campanha publicitária para tornar o Departamento de Estado mais conhecido? Por onde anda Matt após um episódio excelente sobre islamofobia? Qual a história de Jay? E porque ouvimos sobre a vida privada de Blake num episódio avulso da primeira temporada?

Apesar de invocaram um flashback preguiçoso para contar o passado de Elizabeth e seu irmão, gostei muito de saber como que tudo começou, principalmente como a futura Senhora McCord era vista pela sua própria família. Porém, confesso que ficou um pouco frustrado com a falta de densidade e profundidade que os roteiristas lidaram com o relacionamento dos dois. A direção pecou ao não saber como conduzir, propriamente, a discussão entre o casal de irmãos visto que faltou emoção e capacidade de envolver o telespectador com aquele drama familiar.

 

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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