Madam Secretary – 3×08 – Breakout Capacity

Madam Secretary Breakout Capacity MAIOR

Imagem: Recap Guide

A última vez que um candidato independente venceu um estado foi em 1968, quando George Wallace saiu-se vencedor de todos os estados do chamado deep south, no jargão americano, que engloba a Georgia, Alabama, Mississippi, Louisiana, Arkansas, além de um distrito congressional da Carolina do Norte. Desde então, inúmeros candidatos tentam colocar algum medo nos dois principais partidos, mas o máximo que conseguiram foi mover alguns votos para cá e pra lá, como Ross Perot em 1992 e Ralph Nader em 2000. Caminho estava aberto, ficticiamente, para Dalton fazer história.

Imagem: TV Show Guide

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Confesso que me surpreendi com a decisão dos roteiristas em trazer o dia das eleições logo no início da temporada, pensei que deixariam para o Winter Finale na tentativa de criar um gancho e segurar o telespectador até os primeiros episódios de 2017. Até porque é exatamente a ferramenta que séries com histórias fracas, com algumas ressalvas, usam para fidelizar seu telespectador por mais algum tempo. Felizmente, Madam Secretary mostrou-me, mais uma vez, que é diferente das demais e possui muita segurança na proposta e onde quer chegar. Não serei mentiroso em dizer que não esperava tal resultado, mas é sempre muito empolgante ver os artifícios e as novidades que o roteiro usa para atingir seu objetivo.

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Com a decisão dos próximos quatro anos nas mãos de Ohio, o que geralmente acontece na vida real e em anos normais de eleições, os roteiristas foram sábios ao trazer com mais atenção do que nunca, o que cada personagem fez naquele dia até que os primeiros resultados fossem anunciados. Destaco Elizabeth, que teve que lidar com mais uma crise envolvendo o Oriente Médio e a Rússia, e Henry, que deu a Jason uma pequena aula de civilidade, respeito e história na tentativa de fazê-lo considerar suas opiniões a cerca de Bernie Sanders, ou melhor, Fred Reynolds.

Inteligentíssima a ideia de trabalhar uma nova crise com o Irã, suspeito de violar o acordo nuclear com os Estados Unidos e a Rússia. Logo de início, julguei toda a sequência como um grande clichê diplomático, até porque, todos os problemas internacionais que outras produções americanas tratam resumem-se ao país asiático e/ou alguma nação do Oriente Médio. Entretanto, entendi que tal trama irá interferir com muita intensidade no resultado final das eleições, até porque, depois da lambança feita no Iraque e no Afeganistão, nenhuma legislatura quer bancar uma nova invasão.

Para quem teve a oportunidade de assistir o revival do musical Pippin em 2013, como eu, sabe que o talento vocal e artístico de Patina Miller não é apenas impressionante, como algo de se pontuar sempre que possível. Exatamente por isso, fiquei fiquei realizado quando o roteiro resolveu explorar seus dons musicais numa sequência impecável em que faz um dueto com o talentoso Erich Bergen, que já mostrara o poder da sua voz quando co-estrelou o longa Jersey Boys

Quem acompanha a política americana, ou pelo menos entende como o sistema funciona, sabe que a Câmara dos Deputados renova-se a cada dois anos, diferentemente do Brasil, além de cadeiras avulsas do Senado. Infelizmente, Madam Secretary sequer tratou do tema. Sabemos que há uma certa resistência de revelar o (ex)partido do Presidente Dalton, mas para uma eleição que será definida na caixa baixa do Congresso, acredito ser de suma importância que o telespectador pudesse saber qual lado cederá mais.

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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