Mais quantas temporadas Grace & Frankie terá? Co-criadora responde

Grace and Frankie Netflix
Grace and Frankie Netflix

Imagem: Netflix/Divulgação

“Essa série não é sobre política, e também não quero que ele trate apenas de um tópico,” disse a co-criadora de Grace & Frankie, Marta Kauffman, sobre sua comédia cuja terceira temporada estreou na Netflix na última sexta-feira (24). “Quando você começa a ser “tópico” fica muito, muito difícil em continuar a ser exibida em todos os momentos e não sentir que o programa está datado,” adiciona. “Eu estou nesse negócio para entreter as pessoas.

Para comentar as mudanças que a série tem mostrado até aqui, o que podemos esperar do futuro, a possibilidade de Dolly Parton fazer uma participação especial e o porquê não teremos uma reunião de 9 to 5, Marta Kauffman deu uma entrevista especial para o Deadline que o Mix de Série tem o prazer de trazer para vocês.

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Dominic Patten [jornalista] | Com a estreia da terceira temporada de Grace and Frankie em 24 de março, esse continua sendo aquele programa que você e Howard [J. Morris] levaram a Netflix a alguns anos atrás?

Marta Kauffman | É sim, mesmo que eu tenha que admitir que certas coisas nós tivemos que mudar porque nós tínhamos uma proposta muito forte nas duas primeiras temporadas, nos termos de como lidar com divórcio e seus maridos serem gays. No momento que você chega na terceira temporada, é hora de lidar com elas vivendo suas vidas e como seguir em frente depois daquilo tudo, o que inclui a ideia de tornar essas auto suficientes enquanto têm setenta anos.

Dominic Patten | A última vez que vimos essas mulheres na segunda temporada, elas tinham decidido mergulhar de cabeça no negócio de brinquedos sexuais para mulheres mais velhas. Onde que a ideia de auto-determinação nos leva nesse novo ano?

Marta Kauffman | Essa terceira temporada é a verdade sobre envelhecer no mundo e como que o mundo olha para você, incluindo nos negócios. Como que você lida com o mundo contemporâneo quando você não está acostumado a empresas de tecnologia, começar um negócio e conseguir um empréstimo nessa idade.

Dominic Patten | Continuando com a evolução de mudá-las de inimigas para melhores amigas…

Marta Kauffman | Sim, mas elas continuam sendo mulheres muito, muito diferentes, mesmo que estejam passando por essa encruzilhada juntas, e nós conseguimos ver muito claramente como elas se ajudam. Nós também exploramos suas diferenças em alguns episódios.

Dominic Patten | Todos nós sabemos que Reed [Hastings, CEO da Netflix] e sua “gangue” na emissora não tornam os números de visualizações públicos, mas é bastante claro que Grace And Frankie atraiu uma audiência além daquela dita como o alvo do mercado. Se tornou, e me desculpe dizer o óbvio, uma nova versão de The Golden Girls nesse sentido. Porque você acha que esse é o caso?

Marta Kauffman | Quando nós fizemos Friends, recebemos o direcionamento de que ter personagens mais velhos atrairia uma audiência mais vasta. O que foi dito antes, e eu acredito que se aplica agora, quando você conta uma história universal as pessoas vão assistir. Eu penso que esse é o caso desta série, elas se sentem bem. É uma mensagem positiva de que você pode recomeçar sua vida a qualquer momento e em qualquer ponto da sua vida.

Dominic Patten | Falando da sua vida antiga nos grandes canais da TV aberta, e com a perspectiva de trabalhar na quarta temporada de Grace And Frankie, como tem sido semear suas raízes no universo de streaming.

Marta Kauffman | Você quer saber? É um pouco de tudo. A grande mudança no processo foi não fazer um piloto. Isso é estranho a primeira vista porque você não consegue aprender dos seus erros – você tem que aprender no decorrer do processo. Entretanto, a melhor coisa para mim como uma roteirista é que a história sabe o quanto tempo tem que durar. Não tem que ser 22 minutos e 13 segundos ou qualquer coisa do tipo, com a obrigação de ter um comercial de tal tamanho e duração. A história fica mais orgânica e diz pra você quando que aquela cena termina, quando que o episódio termina e quando a história acaba. Também permite que você amarre tudo perfeitamente e não tenha que fazer duas ou três partes.

Dominic Patten | Não que você não tenha feito sua marca com Friends, mas você tem Grace and Frankie e agora muitas multi-plataformas pulsando. Então, você voltaria para a TV aberta para fazer uma série no ponto da sua carreira?

Marta Kauffman | Não.

Dominic Patten | Sério, porque?

Marta Kauffman | Porque eu realmente amo a ideia da liberdade da história organicamente se desenvolvendo. Quer dizer, como roteirista, como que eu não gostaria de navegar nisso? Agora não quer dizer que se algo passe pelo meu caminho que seja incrivelmente delicioso eu não tentaria, mas no momento não seria o meu primeiro lugar para ir.

Dominic Patten | Então, com todas as participações especiais que você já teve com Grace And Frankie e Peter Gallagher juntando-se neste ano, parece que o rumo certo a seguir, pelo menos do ponto de vista do elenco, seria Dolly Parton. Agora que a comédia já está solidamente estabelecida, há algum plano em finalmente traze-la e fazer uma espécie de reunião de 9 To 5?

Marta Kauffman | Nós falamos sobre isso e tomara que consigamos fazer num dia. Ela tem uma agenda muito, muito cheia, então quando tentarmos fazer acontecer funcionará de uma forma que ela entrará com facilidade na história. Honestamente, eu já pensei muito nessa questão da Dolly. A verdade é, primeiramente, eu estava hesitante porque não quero fazer como uma reunião de 9 To 5. Por outro lado, se encontrarmos uma forma de não transparecer como uma reunião e juntar essas três mulheres de uma forma especial, então sim. Com certeza.

Dominic Patten | Nos termos de outra forma de participação de que você, assim como grande parte de Hollywood, era uma apoiadora de Hillary Clinton assim como Jane Fonda. Nós teremos a oportunidade de conferir a política preenchendo algum espaço nessa terceira temporada ou até mesmo no próximo ano?

Marta Kauffman | “Essa série não é sobre política, e também não quero que ele trate apenas de um tópico. Quando você começa a ser “tópico” fica muito, muito difícil em continuar a ser exibida em todos os momentos e não sentir que o programa está datado. Eu estou nesse negócio para entreter as pessoas. É claro. Eu tenho uma maneira muito ética de abordar as coisas seguindo o meu próprio sistema de valores. Mas a verdade é que nós temos dois personagens. Uma teria sido uma apoiadora da Hillary e outra do Trump. Nós não lidamos com isso diretamente, mas por um momento, essa temporada trará um episódio falando sobre posse de armas e como que elas se sentem sobre isso. Então, discretamente nos termos presentes da vida, tem uma certa metáfora por traz de tudo.

Dominic Patten | A série parece ter um balanço perfeito entre comédia e drama que você e Howard tentaram fazer desde o início do show. Você vê desta forma?

Marta Kauffman | É uma linha muito tênue, você tem toda razão. Mas, eu realmente acredito que se uma comédia é real e não baseada na realidade, a série permite que você vá a outros lugares porque aqueles piores momentos da vida são aqueles que rendem excelentes histórias. Nós tentamos manter o mais real possível.

Dominic Patten | Dizendo a verdade por um momento, essa é uma comédia de co-criação feminina, cujas protagonistas também são produtoras executivas – muito longe daquela indústria que lamenta a desigualdade e discriminação, mas na realidade toma espaços de bebês para mudar alguma coisa.

Marta Kauffman | Não é uma parte inevitável da indústria, é uma escolha que as pessoas tomam. Nós temos um grupo de mulheres incrivelmente forte, sem contar com Jane e Lily. Minha companhia é mulher, muitos dos departamentos são mulheres e nós temos algumas mulheres por traz das câmeras. É importante para mim pessoalmente, principalmente pelo que representamos e acredito que estamos fazendo um bom trabalho com isso. Nós encontramos diretoras incríveis. Também temos homens extremamente talentosos como diretores, mas nós tentamos balancear igualdade em todos os departamentos.

Dominic Patten | Nesse departamento, e isso pode parecer prematuro com a terceira temporada sendo lançada recentemente, mas com alguns episódios já filmados, onde que o quarto ano vai nos levar?

Marta Kauffman | Ha! Então, a quarta temporada estará lidando com o processo real de envelhecer nos termos daquilo que acontece conosco. Com isso eu quero dizer, não apenas no mundo porém também nos nossos próprios corpos e como que afeta nossa independência.

Dominic Patten | Quatro temporadas já exibidas e as realizações já são inúmeras. Por mais quanto tempo você consegue ver Grace And Frankie indo em frente? Você tem uma ideia de quantas temporadas vocês queriam quando começaram?

Marta Kauffman | Eu nunca fiz isso. Nunca pensei no quanto tempo esse show precisaria ter, o roteiro eventualmente nos conta. A verdade é que eu espero que dure ainda mais tempo. Quer dizer, eu não tenho o menor controle sobre o material, mas sim, eu penso que a série pode ir muito longe.

Dominic Patten | Como que estão as coisas com a minissérie We Are All Completely Beside Ouserlves da HBO que você está fazendo com Natalie Portman, que é baseada numa série dramática da TV israelense e aquele outro projeto na Amazon?

Marta Kauffman | Não esqueça que também estamos fazendo um documentário sobre a advogada Gloria Allred chamado de Seeing Gloria.

Dominic Patten | Tem isso também…

Marta Kauffman | O show da Amazon está pronto para entrar em fase de roteiro e estamos trabalhando num rascunho para a minissérie da HBO.

Dominic Patten | E ainda tem muita coisa relacionada a Grace And Frankie também…

Marta Kauffman | É aí que eu me permito dizer o quão bom é ser mulher, porque você consegue ser muito boa com multitarefas. Eu poderia cuidar de alguém e fazer o jantar ao mesmo tempo. É uma luta. É uma luta que você tem que se comprometer a trabalhar nos finais de semanas – eu faço ambos.

Fonte: Deadline

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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