Mais Um Verão Americano e a inspiração para a série do Netflix

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Se você era um adolescente nos anos 2000 com certeza você se lembrará do filme Mais Um Verão Americano. Mas se você já era crescidinho, se lembrará ainda mais.

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O longa de David Wain lançado em 2001 foi um fracasso de bilheteria, mas acabou se popularizando em VHS, conquistando o título de cult. E quando eu disse que se você já era crescidinho na época do lançamento ia se lembrar mais, é porque o filme aborda, ou melhor, satiriza uma época vivenciada por muitos fãs desta produção. Na verdade, a função de Mais Um Verão Americano é justamente ironizar os filmes da década de 1980, principalmente as comédias e os romances.

Wet-Hot-American-Summer2A história se passa no Acampamento Firewood, no ano de 1981, e mostra um grupo de crianças juntas de seus monitores, aproveitando os últimos dias do verão. As características daquela época são levadas ao extremo. Jovens fumando cigarros, conversando abertamente sobre sexo, e realizando suas primeiras descobertas… Tudo isso muito bem representado nos seus personagens das mais diversas características.

Atores de 20 e 30 e poucos interpretando adolescentes. Isso sempre foi uma prática comum em filmes, e foi usado à exaustão na década de 1980. Paul Rudd rouba a cena muito bem, interpretando um jovem playboy que não quer saber de nada, apenas curtir intensamente, transar e fazer hora com a cara dos outros. Aliás, Rudd faz parte da safra de adultos que acabaram fazendo sucesso após o filme, como Bradley Cooper que interpreta o monitor Ben, Amy Poehler, que vive a monitora Susie, e Elizabeth Banks, como Lindsay. Todos com diálogos incríveis, a nível de se tornar realmente um clássico cult.

wet hot americanO exagero dos acontecimentos ali mostrados acaba virando uma marca registrada do longa, que trata de todos os temas explorados aos montes nos clássicos dos anos 1980, como o geek apaixonado pela garota popular, o playboy que humilha a todos, os mini-cientistas excluídos socialmente, os nerds que jogam RPG, o garoto que não quer tomar banho, o garoto que não saiu do armário e os amigos querem que ele transem com uma mulher… Todos estereótipos que estão ali com uma determinada função – ou estão ali por estar. Adicionando uma trilha sonora fantástica, com clássicos da época, acabou se tornando a fórmula perfeita para ser lembrado todo este tempo.

É justamente esta fórmula que David Wain resolveu trazer para a nova série do Netflix, que resgata um período anterior ao do filme. É um misto de nostalgia com vergonha alheia, que fazem você se sentir em uma época de ouro. Quem viveu, gostaria de viver novamente. Quem não viveu, fica frustrado por não ter aproveitado. E para quem já era fã do filme de longa data, o resgate que a série proporciona para o público é incrível.

Portanto, você precisa assistir o filme com a cabeça bem aberta. Algumas falas ou até mesmo cenas não farão sentindo algum. É tudo uma grande brincadeira, que acabou dividindo opiniões. Tem gente que gosta, tem gente que odeia. Mas no final das contas, é um grande entretenimento para quem é fã desta época.

Anderson Narciso

Anderson Narciso

Mestre em História, criador de conteúdo, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias e resenha séries semanalmente.

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