Maldade: Vale a pena assistir a nova série do Prime Video? | Review

Review | Maldade: nova série do Prime Video desperdiça boas ideias em um suspense vazio

Maldade (Malice), nova série do Prime Video criada por James Wood, até começa sugerindo um thriller psicológico provocador, mas rapidamente se revela uma produção mais interessada em parecer inteligente do que em realmente envolver o espectador. Com um elenco conhecido e uma premissa que flerta com manipulação, desejo e paranoia, a série acaba presa a uma narrativa fria, distante e, no fim das contas, esquecível.

A história gira em torno de Adam (Jack Whitehall), um tutor carismático e invasivo que se infiltra na vida da família Tanner. Ele se aproxima de Nat (Carice van Houten), uma mulher rica, elegante e claramente entediada, enquanto desperta o ciúme imediato do marido, Jamie (David Duchovny). Desde o início, fica claro que Adam não é apenas inconveniente: ele é uma presença tóxica, calculada e predatória.

O que a trama de Maldade traz?

A série até tenta ser simbólica. Logo no primeiro episódio, imagens de cobras, raposas e ratos surgem como metáforas óbvias para Adam, reforçadas de forma quase didática pelo uso de um malware chamado “RemoteRAT”. O problema é que Maldade confunde metáfora com profundidade. Tudo é tão sublinhado que não sobra espaço para ambiguidade ou descoberta. Adam não é um mistério a ser decifrado, mas um vilão unidimensional, definido desde o início.

Jack Whitehall claramente se diverte no papel, exagerando no charme irritante e na crueldade disfarçada de ironia. Em alguns momentos, essa escolha funciona, especialmente quando o personagem cruza limites de forma desconfortável. O problema é que o roteiro nunca oferece um contraponto emocional à altura. Não existe um ponto de vista claro, nem um personagem com quem o público consiga criar vínculo real.

Nat e Jamie, apesar de bem interpretados, são figuras distantes. Seus conflitos conjugais, o privilégio social e até o comentário tímido sobre desigualdade econômica aparecem de forma superficial. A série parece querer dizer algo sobre ricos versus pobres, controle masculino, desejo e poder, mas abandona todas essas ideias pela metade.

Maldade acaba decepcionando

Visualmente, Maldade também decepciona. Há uma ou outra imagem interessante, como uma cena em que Jamie bêbado parece um animal domesticado por Adam, mas são exceções isoladas em uma direção sem personalidade. Nem mesmo o suspense se sustenta: as reviravoltas são previsíveis, e o clima de ameaça nunca se transforma em verdadeiro impacto.

O final, propositalmente aberto, soa menos como provocação e mais como indecisão narrativa. Não fica claro se a intenção é sugerir uma segunda temporada ou apenas encerrar a história sem compromisso. Em ambos os casos, a sensação é a mesma: a jornada não vale o destino.

No saldo final, Maldade é uma série autocentrada, satisfeita consigo mesma e pouco interessada no público. Há bons atores em cena, mas falta alma, tensão e, principalmente, um motivo real para continuar assistindo. É aquele tipo de produção que passa pela tela sem deixar marcas — elegante por fora, vazia por dentro.





Maldade: Vale a pena assistir a nova série do Prime Video? | Review
SOBRE O AUTOR
Matheus Pereira
Matheus Pereira é Jornalista e mora em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Escritor assíduo na época dos blogs, Matheus desenvolveu seus textos e conhecimentos em Cinema e TV numa experiência que já soma quase 15 anos. Destes, quase dez são dedicados ao Mix de Séries. Além disso, trabalha há mais de dez anos no campo da comunicação e marketing educacional, sendo assessor de imprensa e publicidade em grandes escolas e instituições de ensino.