O cinema dinamarquês volta a chamar atenção na Netflix com Manga, o novo filme dirigido por Mehdi Avaz, que mistura drama, comédia e romance em uma história de recomeços ambientada em um belo pomar de mangas na Espanha. Apesar do título curioso, o longa pouco tem a ver com a fruta — e muito mais com as conexões humanas que florescem entre personagens imperfeitos, mas genuínos.
Trama previsível, mas com boas intenções
A história gira em torno de Laerke (Josephine Park), uma arquiteta e executiva obcecada pelo trabalho, que tenta equilibrar uma relação estremecida com a filha adolescente, Agnes (Josephine Hojbjerg). Quando viaja a Málaga para convencer o dono de um pomar de mangas a vender sua propriedade, ela descobre que o homem em questão é Alex (Dar Salim) — o mesmo sujeito que, horas antes, a havia confrontado em um voo.
A partir desse reencontro, o filme segue o caminho previsível de muitos romances da Netflix: um cenário paradisíaco, conflitos emocionais e uma transformação pessoal que já se vê chegando de longe.
Entre clichês e sinceridade

Ainda que o roteiro siga fórmulas batidas, Manga consegue se sustentar durante boa parte do tempo graças ao talento do elenco. Josephine Park transmite vulnerabilidade e empatia a uma personagem que poderia facilmente ser apenas antipática, enquanto Dar Salim — em mais uma atuação sólida — empresta humanidade e sinceridade a Alex. A química entre os dois dá vida a um romance simples, mas com momentos genuínos.
Vale a pena assistir?
Manga é previsível, sim, e o terceiro ato sofre com pressa e soluções fáceis. No entanto, há algo reconfortante em sua leveza. O filme não tenta ser mais do que é: uma história sobre culpa, reconciliação e novas chances, embalada por paisagens deslumbrantes e boas interpretações.
Se você procura uma trama profunda ou inovadora, pode pular. Mas se o objetivo é relaxar com um romance solar e emocionalmente sincero, Manga é um fruto doce o bastante para experimentar.