Marco Polo – 1×01 – The Wayfarer

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Disponível via streaming desde 12 de dezembro de 2014 pela Netflix, Marco Polo surgiu com grandes pretensões. Maior orçamento do canal até o presente momento (se o formato do Netflix permite essa denominação), o show veio com a expectativa de ser a Game Of Thrones da empresa.

A equipe do Mix de Séries teve acesso ao episódio piloto durante a Comic Con Experience, no início de dezembro, e entrevistou alguns atores e o produtor do programa. E muito do que foi dito por eles durante essa entrevista, como a fidelidade a história real do explorador do século XIII e a amplitude dos cenários, foi avaliado.

O piloto, “The Wayfarer”, estabelece o aspecto mais presente em toda história: o de que se trata de um estranho em uma terra estranha, tentando se adaptar aos costumes do lugar. Ele mostra a infância sem pais de Marco Polo, interpretado pelo simpático Lorenzo Richelmy. Sua mãe morreu quando ele ainda era criança e seu pai é um mercador, o que significa anos ausente. Vale aqui apontar como Lorenzo falha em imprimir carisma a seu personagem, algo que ele faz muito bem ao vivo. Essa falha é diluída ao longo dessa primeira temporada. Mas tanto a proposta de narração, que deixa Marco como coadjuvante em sua própria história, como o conforto de Lorenzo com seu personagem, deixam a desejar e permitem que outros personagens brilhem mais do que ele.

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A fase da adolescência do futuro explorador é mostrada de maneira que se compreenda que a família Polo faria qualquer coisa por ouro, mas o cenário da Itália é rapidamente substituído. Seu pai e tio se preparam para uma nova jornada, e Marco, mesmo proibido, de se unir a eles. Vai clandestinamente. O destino é a atual região da China, dominada por Kublai Khan (Benedict Wong) e seu exército de Mongóis.

Podemos ver que o dinheiro investido em locações reais foi bem gasto. De acordo com o produtor durante a Comic Con, as locações são reais em grande parte e o CGI foi minimamente utilizado. Situadas na Itália, no Paquistão e na Malásia, elas possibilitaram um nível de profundidade épica para as cenas, conferindo realismo e veracidade para a história.

É estabelecido que Kublai Khan dominava toda a região na época, especialmente a terrível Rota da Seda, uma jornada desértica e árida, que ligava o misterioso oriente ao resto do mundo. O pai de Marco leva óleos e sacerdotes cristãos para o imperador Mongol, por motivos que podemos apenas supor. A caravana deles é interceptada pelo exército de Khan que mata os guias e… os sacerdotes. Levados a presença de Khan, os Polo são tratados menos como prisioneiros e mais como estorvos que não conseguem fazer nada direito. Nesse ponto, o pai de Marco conta ao imperador uma meia verdade: diz que os sacerdotes morreram pelos rigores da viagem e não pelo próprio exército do Mongol. Porquê?! Não temos essa explicação. Benedict Wong dá a seu Kublai Khan contornos aterrorizantes e imprime todo o poder do gordo imperador ao tratar os Polos, seus servos e soldados. Sua interpretação impacta desde o começo e contrasta bastante com dos outros atores.

Divergindo da história real, o pai e tio de Marco o abandonam na China como forma de não serem eternamente expulsos da rota comercial pelo imperador e ele passa a ser um prisioneiro-bicho-de-estimação-escravo-espião de Khan, para desespero do protagonista que se vê novamente separado do seu pai.

Até esse ponto, muito pouco de Marco Polo é realmente mostrado. Traços da sua personalidade, ou o que ele realmente é, ficam pouco evidentes, tornando o choque de cultura, em ter que viver em uma terra estranha, menos evidente.

De prisioneiro, Marco Polo é elevado a bicho de estimação e passa a ser treinado em diversas artes pelos servos do rei. O interesse de Khan em Polo é ter uma visão estrangeira e destreinada sobre os acontecimentos do reino, o que mostra sensibilidade e capacidade de liderança do Imperador Mongol. Durante esses treinamentos, somos apresentados a Cem Olhos, um mestre de artes marciais cego que treina com cobras e surra Marco em suas aulas.

Ainda temos a três cenas expressivas nesse primeiro episódio: o encontro de Marco com uma bela Chinesa, o exército do imperador Khan e seus ministros discutindo maneiras de derrotar o forte chinês de Xiang Yang, que permanece contra os Mongóis e um teste que o imperador dá a Marco: entrar no Hall of Five Desires e não fazer… Bom, nada. Nesse lugar, mulher nuas se jogam sobre você e a putaria come solta. Marco consegue resistir e fugir, provando sua lealdade ao grande líder.

Como um episódio piloto, Marco Polo falha em dar “gostabilidade” ao seu protagonista, mas brilha em seus outros personagens, especialmente por se tratar da primeira produção para a TV dessa escala, com nenhum ator americano envolvido, apesar de todos na Itália e na China serem fluentes em inglês. A variedade de atores, além da experiência de alguns, quase supre a falha de Lorenzo em se manter no foco do espectador, culpa parte dele, parte do roteiro, que prima em desenhar os acontecimentos e falha em nos mostrar todo o contraste que isso realmente teria.

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Equipe Mix

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Perfil criado para realizar postagens produzidas pela equipe do Mix de Séries.

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