Estreou nesta sexta, 4 de abril, no Disney+, a série nacional Maria e o Cangaço, e ela chega com uma proposta que vai além da aventura sertaneja: dar voz a uma mulher que, por muito tempo, ficou à sombra da história contada pelos homens.
Com Ísis Valverde e Júlio Andrade nos papéis de Maria Bonita e Lampião, a produção de seis episódios mergulha no universo do cangaço com um olhar feminino e sensível — algo raro quando o assunto é esse capítulo marcante da cultura brasileira.
A série parte de uma pergunta simples, mas poderosa: quem foi Maria Bonita antes de se tornar lenda? A resposta vem com força. Nascida Maria Gomes de Oliveira, ela era uma mulher alfabetizada, corajosa e que escolheu entrar para o cangaço por vontade própria — não por submissão, nem por acaso.
Em vez de apenas seguir Lampião, ela viveu ao seu lado como parceira, estrategista e líder. E é justamente essa versão de Maria que Maria e o Cangaço quer mostrar ao público.
Maria e o Cangaço: Muito além de Lampião


Inspirada no livro Maria Bonita: Sexo, Violência e Mulheres no Cangaço, da jornalista Adriana Negreiros, a série vai fundo no papel das mulheres dentro dos bandos cangaceiros. Elas não eram figurantes. Elas lutavam, decidiam, articulavam estratégias e, principalmente, resistiam.
A produção dá destaque a essas histórias, sem romantizar, mas também sem esconder a força que essas mulheres carregavam, mesmo em um mundo dominado por armas, secas e opressão.
Com direção de Sérgio Machado e fotografia assinada por Adrian Teijido — o mesmo por trás do vencedor do Oscar Ainda Estou Aqui — a série impressiona pelo visual. As paisagens áridas da região de Cabaceiras, na Paraíba, servem como cenário autêntico para as filmagens, reforçando o compromisso da equipe com a fidelidade histórica. E não faltam cenas de ação, tensão política e emoção. Quase 80% das filmagens foram feitas na região, e os outros 20% em locações icônicas como o Raso da Catarina e o Rio São Francisco.
Além de Ísis e Júlio, o elenco ainda conta com nomes como Chandelly Braz, Dan Ferreira, Thainá Duarte, Rômulo Braga e Mohana Uchôa. Todos ajudam a dar vida a uma narrativa que, embora baseada em fatos reais, nunca foi contada dessa forma.
Maria e o Cangaço não é só uma série sobre o passado. É um lembrete de que, até hoje, muitas histórias ainda precisam ser recontadas — especialmente quando são de mulheres que ousaram viver fora do que lhes foi imposto.
Agora disponível com todos os episódios no Disney+, a série é um convite para ver o cangaço com outros olhos. E, principalmente, para conhecer a verdadeira Maria por trás do nome Bonita.