Marvel’s Daredevil: as influências da série da Netflix

Demolidor Netflix

 

São bons tempos para quem gosta de histórias de super-heróis. Com um universo já consistente no Cinema, a Marvel resolveu reter seu público em outro veículo que vem ganhando cada vez mais reconhecimento: a TV. Primeiramente no canal ABC, rendeu até agora duas produções bem realizadas. A primeira é Agents of S.H.I.E.L.D., conectada com a franquia Avengers. A outra é a minissérie Agent Carter.

A aposta da vez é ainda maior. Em parceria com a Netflix, a Marvel prepara um total de cinco programas que acontecerão no universo unificado. A primeira delas, que estreou no dia 10 de abril já com todos os treze episódios da temporada no catálogo, é Marvel’s Daredevil, ou simplesmente Demolidor. A data, aliás, não foi escolhida por acaso. É a mesma em que Matt Murdock fez sua estreia nos quadrinhos, há 51 anos. Na sequência, virão as adaptações de Jessica Jones, Punho de Ferro e Luke Cage. O “quinto elemento” é a minissérie The Defenders, que vai unir os quatro heróis que nem acontece nas telonas com Os Vingadores.

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daredevil 1964Criado por Stan Lee e Bill Everett, Demolidor é provavelmente a adaptação mais esperada dentre os Defensores. Publicado pela primeira vez em 1964, o herói cego que trabalha como advogado durante o dia, já veio em sua própria revistinha que defendia a chegada de um vigilante “diferente”. Na época, ainda não usava a famosa roupa vermelha, misturando a coloração mais popular com o amarelo. No Brasil, o personagem apareceu pela primeira vez no “Almanaque Marvel” em abril de 1979.

A série produzida por Drew Goddard (LOST) se inspira em outra “era”, já nos anos 1980, quando Frank Miller assume o controle criativo. O direcionamento do enredo mudou, abordando o herói de forma mais adulta, humanizada e bebendo até mesmo do gênero noir.

A decisão de contar a história a partir da origem criada por Miller fica clara desde o início da série, quando assistimos Matt Murdock combater o crime urbano usando uma roupa preta – bem parecida com a dos quadrinhos. As primeiras edições desse período estão sendo relançadas pela Panini em uma coleção de luxo intitulada “Demolidor, por Frank Miller & Klaus Janson”.

Demolidor roupa preta

Algumas histórias clássicas também são lembradas. “O Homem Sem Medo” (1993), por exemplo, é certamente a base mais forte para este início. É quando acontece o treinamento com Stick, além do surgimento do Rei do Crime e a mudança de roupa – só para citar algumas relações com a versão da Netflix.

O arco, roteirizado por Miller com traços de Romita Jr., é considerado um dos mais importantes por ter a origem do herói reformulada de forma definitiva. Embora seja uma ótima escolha para descobrir como tudo começou, vale lembrar que a narrativa fica mais interessante para quem já conhece outros momentos do personagem.

Com menor intensidade, há referência a outros enredos essenciais como “A Queda de Murdock” (1986). Dessa vez acompanhado por David Mazzucchelli, Frank Miller realiza o que seria a trama mais complexa de Demolidor. Claro que para a cronologia da série de TV, o roteiro que desenvolve a relação nada saudável entre Karen Page e o Rei do Crime estaria um pouco adiantado. Ainda assim, alguns questionamentos feitos aqui são recorrentes nos episódios em live action, como valores morais e os temas religiosos que se tornam ainda mais fortes. Fora a guerra anunciada entre o tráfico e o “Diabo Destemido”. É certamente o arco que melhor envolve todo o universo do personagem.

Com o objetivo de convergir os quatro Defensores, ainda é cedo para saber o rumo que Daredevil vai tomar após esse encontro. A verdade é que Matt Murdock tem fases que merecem ser adaptadas, vilões clássicos e plots bem escritos para desenvolver no futuro. Até lá, existe material suficiente para, como diria Karen Page, se perder em meio à cacofonia da Cozinha do Inferno.

Equipe Mix

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2 comments

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  1. Caroline Marques
    Caroline Marques 13 abril, 2015 at 19:42 Responder

    Que texto gostoso de ler, estou louca que DD dure muito tempo, porque realmente fazia tempo que eu não via um material dessa qualidade! O ator, tanto dos flashbacks quanto o de hoje são muito carismáticos. Impressionante!

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