Marvel’s Luke Cage – 1×06 – Suckas Need Bodyguards

Imagem: Banco de Séries

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“Depois de tudo isso, não pode dizer que não é especial.”

Chegamos praticamente na metade da temporada , no que poderia ter sido um episódio de conclusão da trajetória daqueles personagens. Tivemos reencontros, mortes, descobertas, revelações, prisões, alívios e até brechas para um novo ano. Enfim, o pacote completo de um encerramento. Mas foi dito “poderia”, certo?

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Primeiro ponto maravilhoso do episódio: o início com o trecho do programa de rádio Trish Talk. Sim, estamos falando de Trish Walker, a melhor amiga de Jessica Jones, potencial Hellcat no universo em adaptação. Trish, sabendo muito bem da influência que seu programa exerce e conhecendo Luke, ainda que bem por alto, levantou a bola de Luke pela cidade e destacou a importância dele para a comunidade.

Se o detetive Scarfe nos deixou intrigados no episódio anterior, agora já sabemos porque não entregou o carregamento de armas a Stokes tão fácil assim. Ele queria mais. Daí pediu dinheiro logo a quem, foi falar logo de quem, levou bala logo de quem. Scarfe selou seu destino ao confrontar o chefão do crime e antes de morrer tentou uma redenção, mais por vingança do que correição.

Agora me digam uma coisa: como é que um cara gravemente baleado atravessa um bairro sem ser visto, ainda arrombando uma porta de quebra? Resposta: vamos voar!

Os tiros disparados contra Scarfe só reforçaram que Cottonmouth não consegue mais disfarçar sua instabilidade diante da ameaça que Cage apresenta a seus negócios. Ele vem agindo por impulso, colocando seu império em risco e no final não consegue segurar o rojão. Diga-se que é até mais interessante esse tipo de embate do que um confronto mano a mano. Luke tem causado muito mais dano a Stokes do que se lhe metesse uns tabefes. Enfrentando os conflitos da rua, Cage enfraquece o império de Stokes, que mostra sinais de um corrosão interna.

Mas é aí que Dillard, quem ouvimos estar cada dia mais parecida com a vovó Mama Mabel, aparece para por um eixo nos negócios da família. Engana-se quem acha que Cottonmouth é a grande ameaça. Mariah tem mostrado a cada episódio que transpira frieza e crueldade, ainda mais porque não é ela quem age, ela planta a ideia e deixa o pau quebrar. Inclusive, Cage sabe que Dillard é parte dos esquemas, porém tem a certeza de que derrubando Stokes acabaria com tudo. Inocente erro. Vai precisar de muito mais do que uma zoada seguida de um aviso para derrubar o verdadeiro cérebro da família.

Mariah é tão vil e ardilosa que fica difícil acreditar que ela não é uma personagem baseada em personalidades que ocupam instâncias políticas reais. De fato, ela sintetiza retratos de um sistema eleitoral que não mais se suporta, seja pelo caminho tortuoso do financiamento privado, seja pela falácia de uma elite que se diz representante dos interesses do povo. E assim como há dois Harlems, há duas, três, várias Américas.

Imagem: Banco de Séries

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Quem ficou meio perdida neste episódio foi Misty. Não pela narrativa, por sua função na história. Também pudera. Foi como se seu mundo tivesse ruído e tudo em que ela acreditava tivesse sido posto à prova. De certa forma foi. Até os últimos suspiros de Scarfe ela se agarrou no que fosse para tentar entender as razões que levaram seu mentor a sucumbir ao crime organizado. Talvez Knight venha a enfrentar uma crise em seu papel como cidadã e agente policial.

Ressalta-se nesse processo do escancaro da corrupção dentro da polícia a hipocrisia dos chefões quererem abafar  o que escorre pelos próprios  corredores. Aliás, essa crítica às instituições é algo que está sendo muito bem colocada em Luke Cage, assim como em Daredevil. Talvez até sejam alegorias vilanescas que chocam mais por serem tão palpáveis e presentes nos noticiários.

E se Pop não está mais entre nós, agradeçamos a Bobby Fish e, principalmente, a Claire Temple e sua vontade de mudar a dinâmica das coisas ao pentelhar Luke para que ele se assuma se não como herói, como alguém que tem noção do que é capaz e do que pode fazer. Cage insiste no contrário, mesmo não seguindo o que discursa. Por enquanto ele só quer café. E como sabemos que tem muita história pela frente,  por ora nos contemos com esse alívio de fim de arco dramático.

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