Marvel’s Luke Cage – 1×09 – DWYCK

Imagem: Banco de Séries
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“A pergunta é: qual a altura do tombo? E você consegue se levantar?”

“Do what you can kid” (em português algo como “faça o que pode moleque”) é o acrônimo do título do nono episódio de Marvel’s Luke Cage “DWYCK”, foi um mantra para as três grandes tramas do episódio.

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Comecemos pela espécie de divã na sala de interrogatório a qual Misty foi submetida. No episódio anterior, ela perdeu as estribeiras ao interrogar Claire Temple, depois de ter sido atacada por Kid Cascavel. O resultado foi uma rehab mental de emergência para forçar uma não um esclarecimento dos fatos, mas uma confissão de que Knight é cúmplice de Cage.  Obviamente não era a resposta que a Inspetora Ridley gostaria. O que acabamos descobrindo foi parte de um passado doloroso de Knight e alguns desdobramentos em sua vida que a levaram a ser quem é e estar ali como detetive no Harlem, especificamente. Ela relutou e no final das contas se abriu para o tal psicólogo. Talvez mais por estratégia do que desabafo. Talvez uma forma de retomar o controle da própria vida.

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Há muito o que ser descoberto sobre Misty Knight ainda, de longe umas das personagens mais fortes e complexas da série – algo que eu venho defendendo nas reviews anteriores – e que ainda tem potencial para muitos desdobramentos. Apesar de um acordo meio tácito com Priscilla para ir atrás de Cage, é muito provável que Knight se embrenhe para outro lado dessa guerra que está se formando no Harlem.

É muito de se estranhar o descaso de Ridley em achar o homem que atacou uma subordinada sua. Por isso uma desconfiança sobre as reais intenções  de Priscilla surge. É muito desvio de assunto, é muita proteção e afirmação da inocência de Dillard.

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Além do mais, é inevitável não pensar essa dinâmica que se estabeleceu no departamento após o ataque de Kid Cascavel a Misty como um representação de uma culpabilização da vítima. É mais uma representação de um Estado e suas instituições omissas e desvirtuadas. Oras, quem nunca ouviu ou viveu situações que se assemelhem a de Misty, onde sobra vontade de ser ouvida e falta apoio daqueles supostamente encarregados da proteção.

Difícil não transpor as palavras do psicólogo (“o que você esperava indo atrás do suspeito sem reforço?”) para os ataques de julgamento do senso comum (“o que você estava fazendo sozinha na rua a uma hora daquelas?”). Reflitam.

Quem também  desdobrava e fazia o que podia era Mariah, que tratou logo de tomar as rédeas dos negócios de uma vez. Engana-se quem acha que aquela relutância inicial era genuína. Tudo é estratégia política ali. Ou melhor, tudo é poder. Dillard está cada vez mais perto do que sempre quis. E inevitavelmente cada vez mais semelhante a quem tanto despreza e cultua. Mama Mabel mandou uma estrelinha.

Agora sim há chances de um real embate entre vilões com a chegada de Kid Cascavel. Cornell era apenas um adereço que estava perdendo o foco, mais cedo ou mais tarde Mariah tomaria o controle de tudo. Sua morte adiantou o processo.

Enquanto isso, o Powerman quase que vai parar num lixão. Por sorte (ou por uma força descomunal?) conseguiu desviar o trajeto e foi-se com Claire para a Geórgia, seu estado natal, atrás do D. Bergstein tentar uma cura.

Imagem: Banco de Séries
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Depois de um “senta que lá vem explicação científica”, resolveram colocar o coitado do homem de volta em um tanque. Algo como uma cura só possível pela dor. Como se tudo o que ele já passou não fosse suficiente…

Isso tudo reforça que a magnificência de Marvel’s Luke Cage tem estado mais nas representações do que na narrativa em si.

Produtora e realizadora audiovisual, no momento em processo acadêmico. 99% seriadora com aquele 1% noveleira. Divide as fases da vida em Buffy, a Caça-Vampiros, Gilmore Girls e Grey's Anatomy. Sua menina dos olhos, porém, é Penny Dreadful. No Mix de Séries escreve as reviews de Modern Family, Orange is the New Black, Scandal e o que vier.