Marvel’s Luke Cage – 1×10 – Take It Personal

Imagem: Banco de Séries

Imagem: Banco de Séries

Continua após as recomendações

 

“Que preço você daria à paz de espírito?”

Desculpem-me o trocadilho, mas o passado é a coisa mais presente em Marvel’s Luke Cage. Tanto que para se salvar, Luke voltou ao tanque que tanto desespero lhe deu em uma sequência, iniciada no episódio anterior, que parece ter saído do laboratório do Professor Aloprado ou do Dr. Hyde ou, se quisermos ficar na casa, do Dr. Banner.

Continua após a publicidade

Pois agradeçamos a Claire por ter dado tudo certo. Ela botou os conhecimentos científicos um pouco de lado e foi com a intuição a tentativa de salvar Cage. Foi tipo um ou vai ou racha que deu certo, deixando o Dr. Burstein maravilhado e Claire com uma pontinha de vontade de entender melhor todo aquele processo com suas técnicas e possibilidades. A ex-enfermeira (?), futura Night Nurse (?), pode até não ser Luke Cage e pode até não ter suas habilidades, mas que deixou o doutor e a nós com uma deixa para um caminho futuro isso ela deixou.

Ali no celeiro/laboratório do Dr. Burnstein que Luke também enfrentou outro passado, descobrindo finalmente o papel de Reva Connorna transformação de Carl Lucas em que viria a ser Luke Cage. Decepção não faltou ao Powerman ao se deparar com as mentiras e tramoias daquela em que ele mais confiava. Ficou desse jeito, caro Cage,  você se apaixonou por uma ideia de Reva e pelo menos isso te impulsionou a sobreviver em Seagate e depois dali começar uma nova fase da vida.

Às margens do oceano, de fronte ao seu inferno, Cage refletiu sobre a influência de Reva em sua vida e balbuciou suas expectativas em relação a Claire, que o correspondeu e lhe garantiu palavras de confiança. A formação do casal é esperada desde o anúncio da participação de Claire Temple na série do herói de aluguel, até mesmo porque nos quadrinhos os dois se envolvem amorosamente. Não é que isso seja obrigatório nem que Claire esteja fazendo aquela personagem namoradinha dos vigilantes – inclusive porque ela nem precisa pegar ninguém para ter storyline, por favor, ela já é incrível existindo -, mas eles vêm construindo uma tensão sexual desde o começo da relação, tornando um tanto quanto inevitável um DR vir à tona mais dia, menos dias. Podia jurar que Cage beijaria Temple ali, mas foi apenas mais uma piadinha dele.

Dali partiram os dois para Savannah, a cidade natal de Luke e Stryker, para a derradeira – por enquanto – revelação de um passado, quer dizer, aceitação. Ficou claro que no fundo Carl sempre soube de sua verdadeira ligação biológica com Willis. Vale ressaltar a ótima direção da sequência dentro da igreja, rompendo barreiras e fundindo passado e presente. Talvez mais um elemento que exemplifique essa tormenta de Luke ainda tão preso ao que passou. Para além, toda a sequência foi mais uma crítica da série às instituições, neste caso à igreja e à família.

Imagem: Banco de Séries

Imagem: Banco de Séries

Enquanto isso no Harlem, Mariah e Kid Cascavel acirravam seu confronto, com ele a pressionando para desenrolar alguma negociata política que aprovasse a produção em massa de munições Judas. Dois ardilosos no fim das contas, pois se Stryker levou o pânico às ruas, Dillard se aproveitou do momento.

Certo foi que o caos se instaurou e uma perseguição desenfreada por qualquer jovem negro de capuz se iniciou. São em momentos como esse, de completa instabilidade e insegurança que extremistas e falsos líderes se aproveitam para chegar ao topo. Afloram discursos de intolerância em nome de uma suposta honra e segurança; a igreja não consegue se desvincular do estado, pelo contrário, se unem com mais força; estimula-se um sentimento de repulsa e violência em nome da ordem. Elementos que desencadeiam reações como a surra levada por Lonnie e a ascensão de Mariah Dillard como líder de um levante popular no Harlem.

Um parênteses seja feito, alguém pode dizer: “mas não foi Knight que atacou Temple, à época detida para interrogatório?”. OK. Foi ela. E defendo que violência é violência seja qual for sua manifestação. Mas percebam que há uma diferença na motivação e nas consequências em ambos os casos. Sem diminuir a agressividade de Misty para com Claire, estamos falando de um pré-adolescente, abordado sem quaisquer razões concretas, que levou uma surra de um oficial.

Voltando, certeira estava Misty, ao ouvir sua intuição e seu bom-senso e ir atrás daqueles que estão de fato por detrás dos esquemas. Graças à tecnologia e a sua experiência Knight pode materializar suas desconfianças e dar uma nome àquele rosto que tanto a estava atormentando. De quebra ainda constatou uns pontos: “Carl Lucas é Luke Cage”. E só mais uma coisa sobre Knight: as suas cenas visualizando os locais dos crimes  não cansam de encantar!

Então seguimos para o comício organizado por Dillard, comício que estava fadado à confusão, fosse por suas motivações, por seus líderes, pele local em que se desenrolaria. Sua importância foi dar ambientação à passagem de um ponto de virada na narrativa, para entrarmos na reta final de Marvel’s Luke Cage. Ali o herói resolveu surgir e enfrentar passado e presente.

Nenhum comentário

Adicione o seu