Marvel’s Luke Cage – 1×12 – Soliloquy of Chaos

Imagem: Banco de Séries

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“Ser à prova de balas sempre vai vir depois de ser negro.”

Soliloquy of Chaos (1×12) fez jus ao nome e preparou precisamente o campo de batalha para confrontos finais, pelo menos desta temporada. Vimos tentativas individuais e coletivas de se colocar um fim nos feitos megalomaníacos de Kid Cascavel. Se o episódio pudesse nos falar algo em voz alta, diria “onde queres acordo, eu sou o caos”, parafraseando Caetano.

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Um detalhe interessante lá do início da série foi retomado para este episódio, o xadrez, como metáfora para a batalha pelo Harlem. Porque vimos que foi um episódio em que estratégias foram sendo elaboradas, alianças potencialmente estabelecidas para derrubar um perigo mais urgente.

Sobre essa megalomania de Cascavel da qual foi falada acima, digo isso pois o cara pode até agir na surdina e somente botar a cara no sol quando realmente quer, porém nada é básico, simplório, cada ação é um evento, tudo é muito apoteótico. Explosões, falas elaboradas, aparições triunfais, o tom de voz. Beirando o exagero, não? Até aquele exoesqueleto é esquisitão, um “Stormtrooper cafetão”. Só que a gente entende que é uma referência ao personagem de Kid Cascavel dos quadrinhos.

Mas voltemos no início do episódio. Era óbvio que Luke não iria se render tranquilamente, assim, sem nenhuma tentativa de fuga. E outra, sua condição não estava a das melhores. Uma incógnita para a população e para Misty, uma ameaça inquestionável para a polícia que estava seguindo a cartilha do “atira primeiro para perguntar depois”.

Imagem: Banco de Séries

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É interessante perceber em Luke Cage como a mídia moldou uma opinião pública precipitada, abraçada pelas instituições e seguida à risca por elas, gerando uma espécie de cegueira generalizada determinando papeis de bandidos e mocinhos sem a menor análise mais aprofundada dos fatos. Daí que novas informações e ações são tornadas públicas, tomam espaço, tomas as ruas, e a mesma mídia vai ser responsável por mudar esse cenário.

Porque o vem acontecendo não é só a aceitação de Luke sobre si, mas a aceitação de uma comunidade. Ele surgiu como mais um na leva de “esquisitões com superpoderes”, dividiu opiniões da população, foi execrado pelas autoridades e pelos poderosos para então cair nas graças da mesma comunidade.

Mais uma vez, a série tem seu trunfo na precisão da representação de cenários e atuantes, afinal, condenações e ovações públicas estampam jornais e noticiários semanalmente. E o episódio soube trabalhar essa mudança de perspectiva no tratamento dado a Cage, trazendo na forma de um apoio de um policial mais consciente, nas manifestações pacíficas de apoio a Luke através dos moletons furados (duas coisas sobre isso: tudo pode ser monetizado e eu quero um!) e no rap de Method Man. Aliás, sobre “Bulletproof Love”, em uma série tão musical, a sequência em que o rap é performado ter uma pegada de videoclipe foi um grande acerto. E a letra ainda resumiu a trajetória do heroi de aluguel.

Falando nisso, a esta altura, a insistência nessa alcunha, herói de aluguel, deixou de ser uma referência ao título dos quadrinhos e passou a ser uma possibilidade real para a população. Desta maneira, lê-se a negação de Luke em cobrar por seus serviços de segurança e proteção não somente como um reflexo de seus princípios e martírios, mas também como uma maneira de dizer que a onda de vigilantes fazendo justiça com as próprias mãos precisa ser trabalhada com muita cautela. Vai que esse negócio vira moda e qualquer um sai por aí fazendo o que quer porque pode mais? Veríamos então um novo tipo de caos.

Sobre aceitações, quem parece ter entendido que estava fadada a um destino pré-concebido foi Maria Dillard. Arrisco dizer que a trajetória dela e a de Luke caminham muito próximas, não pelo enfrentamento direto, mas pelo enfrentamentos entre suas missões e suas vontades. Luke não quer ser herói, Mariah não quer ser Mama Mabel. Nenhum dos dois está se tornando o que queria. Vamos ter que esperar mais um cadinho para provar o reverso dessas expectativas.

Agora, uma coisa que poderíamos ter passado sem foi o draminha profetizado por Domingo beirando a morte de que nem Luke poderia parar Kid Cascavel. A provação do herói já está estabelecida e de seu inimigo, não precisava reiterar isso desse jeito. Essa preparação para um duelo final surge muito mais efeito quando se armam as peças no tabuleiro, tal qual foi a cena final do episódio.

Antes de encerrar, dúvidas de que vai dar ruim para Candance? E aquele Alex, o assistente de Mariah? Era bem um nada e está ganhando espaço. E Shades, hein? Esse aí é nojento e se a empatia não rolou até agora, não é nesta temporada que vai rolar.

 

Menção honrosa: Luke colocando Turk na caçamba de lixo! Eu ri alto.

OBS.: Viram Stan Lee em um cartaz pregado na parede de fora da loja de conveniência?

OBS. 2: Desnecessário aquele take GoPro na explosão da granada. Não o take em si, mas a estética dele.

 

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