Marvel’s Luke Cage – 1×13 – You Know My Steez [SEASON FINALE]

Imagem: Banco de Séries

Imagem: Banco de Séries

Continua após as recomendações

 

“A maioria deles usa malha. Quem pensaria que um negro de capuz poderia ser um herói?”

Você tinha certeza de que o episódio começaria de onde o anterior havia parado, né?  Certeza de que veríamos de cara a continuação do confronto direto entre Luke Cage/Carl Lucas e Kid Cascavel/Willis Stryker, né? Engano nosso. Fomos levados direto para um flashback e nos deparamos com os jovens Carl e Willis em uma academia de boxe. Willis treinava Carl para que este pudesse praticar uma vendeta de moleques, passava ensinamentos, técnicas e os dois dividiam uma cumplicidade.

Continua após a publicidade

O porradeiro se formou ali. Dois grandalhões em pé de igualdade, cortesia das indústrias Hammer (sim, a empresa do Justin Hammer, que já havia aparecido em episódios anteriores), destruindo tudo o que viam. A rua virou então uma arena, se é que é algum dia deixou de ser, com direito a público, imprensa, polícia, coro e formação em meia-lua.

Com uma montagem paralela entre o presente e o passado, com planos magníficos como os dos jovens Carl e Willis socando a câmera, vimos Luke resgatar os ensinamentos do próprio irmão e fazer a cobra provar do próprio veneno – desculpem-me mas o trocadilho foi mais forte do que eu!

Enquanto isso, Mariah Dillard, a verdadeira vilã da temporada, arquitetava e executava planos com uma rapidez e segurança que deixariam qualquer chefão do crime no chinelo. Acredito que depois desses treze episódios ficou claro que a trajetória de Mariah, para assumir sua função como líder da família Stokes e de uma facção no Harlem, esteve lado a lado com a trajetória de Luke.

Toda a arrogância e soberba na sala de interrogatório na delegacia, a naturalidade e a segurança com a qual assumiu o Harlem’s Paradise reforçam essa caminhada de ascensão ao poder. Dillard agora domina o público,  o tráfico e tem poder político. Pior tipo de vilão possível. Ela ainda fez questão de deixar bem estabelecido quem é que estava mandando ali, não só pela gratidão a Alex, pelo beijo territorialista em Shades ou pela substituição do quadro (que eu ainda não consegui descobrir se é real ou um objeto de cena criado para a série), sobretudo porque conseguiu, apesar de qualquer acusação, se transformar na “cara do Harlem”.

Falemos da trajetória de outra mulher incrível que se chama Misty Knight. Antes, porém, suspeitava-se que a corda arrebentaria paras os mais fracos e nessa dinâmica o mais fraco é sempre alguém da população que acabou sendo metido em confusão de gente grande. Candance se redimiu de seus erros mas não conseguiu escapar das tramoias do Harlem. Na verdade seu destino foi selado há episódios passados quando Dillard disse a Shades que a mataria caso contasse a verdade. Dito e feito. E a culpa por mais essa tragédia quem carregará? Se você falou Knight, acertou.

Na reta final da história, Misty se viu numa encruzilhada por saber que o sistema  deveria zelar pela segurança do Harlem conduzir as investigações, ao passo que já não vinha confiando tanto assim nesse tal sistema. Ela resolveu agir por conta e algumas coisas saíram de seu controle. Candance foi uma delas. Essa parece ter sido uma fatalidade que marcou demais nossa detetive, que ainda teve que ouvir caladas os sermões da inspetora Ridley. Aliás, esta é uma personagem ainda muito turva, apresentado um potencial de desenvolvimento para um futura temporada ou até mesmo dentro do enredo dos Defensores.

Imagem: Banco de Séries

Imagem: Banco de Séries

Sobre a trajetória de nosso personagem central, se Luke, durante toda a temporada, relutou em se colocar como uma espécie de protetor do Harlem e se até então não se via como tal, mesmo depois de derrotar  Kid Cascavel e expôr Mariah, o discurso na delegacia sacramentou sua vaga de vigilante. Todavia, o mais importante em sua fala, reforçada pela sequência de imagens, é mostrar que suas ações são comparáveis às lutas diárias daquela comunidade, o que torna Luke Cage muito mais próximo do povo do que qualquer outro vigilante, super-herói ou algo que o valha. Tanto que até quem lhe perseguia parou para ouvi-lo. E foi um ganho trazerem o mantra de Pop à tona, mantra esse  que direcionaria os momentos finais de You Know My Steez (1×13).

Mas chegaram os agentes federais para prender Carl Lucas, rolou uma autoconsciência do dever, um beijo, uma oferta de advogado (Matt Murdock, o Demolidor, para ficar claríssimo, algo que pode vir a ser mais um elemento de ligação entre as séries), mais beijo e algumas promessas institucionais culminando no, por hora, último enfrentamento entre Luke Cage e Mariah Dillard, deixando estabelecido que a disputa é entre os dois.

Esse momento  deu início a uma fluída sequência final que deu margem para muitas, muitas coisas. Para começar, retomou um ponto deixado de lado, compreensivelmente, nos últimos episódios que são as performances no Harlem’s Paradise. Vimos Claire procurando um rumo e dando de cara com um anúncio de aulas de auto-defesa ministradas por Coleen Wing, personagem importantíssima em Marvel’s Iron Fist. Tivemos o alívio com Bobby achando os documentos que podem inocentar Carl Lucas. Vimos Mariah se apoderando da boate e dando continuidade a seu império, sob os olhos de Misty Knight, é claro, produzida em uma linda referência a seu uniforme nos quadrinhos. E ainda ficamos atônitos com Dr. Burstein indo atrás de um Kid Cascavel entrevado na cama de um hospital.

Enfim, um final que dá margem para muitas novas tramas e que de certa forma foi um final cíclico. Luke correu, correu e lutou para ver seu nome limpo e não conseguiu escapar, nos colocando mais um vigilante caindo em desgraça. Quem tinha poder acabou tendo mais poder ainda. Claire continuou buscando formas de ajudar a si e a seus amigos especiais, enquanto Knight retomou suas investigações à la policial infiltrada. Ou talvez nem tenha sido cíclico. Talvez tenha seguido o mantra de Pop apropriado por Luke na última cena: “Às vezes, tem que ir para trás para seguir em frente. Sempre.”

Sem dúvida alguma, para além de certa falta de ritmo ou de certa dificuldade em maratoná-la, Marvel’s Luke Cage marcou pela precisão com a qual trouxe questões sociais e de representatividade, imbricadas em um universo tão denso quanto a pele impenetrável de Luke, carregando consigo marcas e manifestações histórias e culturais, através do vestuário, da literatura e, sobretudo, da música, não só da comunidade do Harlem, mas das comunidades de negros dos grandes centros urbanos.

Nenhum comentário

Adicione o seu