Depois de décadas preso em tentativas frustradas de adaptação, Mestres do Universo finalmente encontrou uma versão capaz de funcionar para o público moderno. E a maior surpresa é que o filme não tenta fugir do que sempre tornou He-Man tão peculiar; aliás, pelo contrário.
A nova produção abraça toda a extravagância, os personagens excêntricos e a fantasia exagerada que marcaram o desenho dos anos 1980. O resultado é uma aventura divertida, grandiosa e muito mais emocionante do que muita gente esperava.
Mesmo quem nunca assistiu ao desenho original consegue embarcar facilmente na história.
Qual é a história de Mestres do Universo?
A trama acompanha Adam, príncipe de Eternia, que ainda criança é enviado para a Terra durante um ataque liderado pelo terrível Esqueleto. Durante quinze anos, ele vive longe de seu mundo natal tentando entender seu lugar no universo e procurando a lendária Espada do Poder.
Quando finalmente reencontra a arma e descobre sua verdadeira identidade, Adam precisa retornar para Eternia e enfrentar Esqueleto, que agora domina grande parte do reino.
A partir daí, o filme se transforma em uma grande aventura de fantasia, cheia de batalhas, criaturas, magia e personagens clássicos da franquia.

Nicholas Galitzine surpreende como He-Man
Um dos maiores acertos do filme está em Nicholas Galitzine, o ator que faz o Adam/He-Man. Seria fácil transformar o personagem apenas em um herói musculoso e genérico. Mas o ator encontra algo mais interessante dentro do personagem.
Seu Adam é atrapalhado, inseguro e até vulnerável em vários momentos. Quando finalmente assume o papel de He-Man, ele continua carregando essa humanidade. E isso faz com que o protagonista pareça muito mais próximo do público.
O filme, dessa forma, entende que força não está apenas nos músculos ou nas cenas de ação. Está nas escolhas que Adam faz ao longo da jornada.
Esqueleto também rouba a cena

Outro destaque exaltado pela crítica é Jared Leto como Esqueleto. O ator entrega uma interpretação exagerada na medida certa, abraçando totalmente o lado teatral do personagem.
O vilão é ameaçador, mas também divertidom sendo que em muitos momentos, parece ter saído diretamente do desenho animado. O personagem, então, funciona como vilão caricato a ponto de se tornar totalmente adorável pelo público.
Ao invés de tentar transformar Esqueleto em um antagonista excessivamente sério, o filme aceita sua natureza caricata e tira proveito dela.
Eternia é o verdadeiro espetáculo
Visualmente, Mestres do Universo impressiona. Eternia surge como um universo rico, colorido e cheio de personalidade. Há influência clara de produções como Star Wars e O Senhor dos Anéis, mas o filme consegue construir uma identidade própria.
As batalhas são grandiosas, os cenários são belíssimos e os efeitos especiais funcionam muito bem ao lado dos elementos práticos usados pela produção.
Ou seja: é exatamente o tipo de blockbuster que merece ser visto na maior tela possível.
Nem tudo é perfeito em Mestres do Universo
O filme, claro, não escapa de alguns clichês do gênero. Existem momentos que lembram outras franquias famosas, e algumas situações seguem caminhos bastante previsíveis. Além disso, certos personagens secundários poderiam ter recebido mais desenvolvimento ao longo da história.
Mas esses problemas nunca chegam a comprometer a diversão. Isso porque a aventura avança com bom ritmo e mantém o espectador envolvido do início ao fim.
Vale a pena assistir?
Sim. Mestres do Universo consegue algo que parecia improvável: transformar He-Man em um herói relevante para uma nova geração sem abandonar aquilo que os fãs sempre gostaram na franquia.
É um filme divertido, otimista, cheio de coração e que entende exatamente o tipo de história que quer contar. Talvez ele não reinvente o gênero de fantasia, mas entrega aquilo que promete com muita competência.
Para quem cresceu assistindo ao desenho, é uma adaptação respeitosa e nostálgica. Para quem nunca teve contato com He-Man, é uma porta de entrada extremamente divertida para o universo de Eternia.


