Minority Report – A Nova Lei do Convencional

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Minority Report – A Nova Lei, filme de Steven Spielberg lançado em 2002, não só é um dos melhores longas-metragens recentes do diretor como também é uma das melhores ficções-científicas feitas nos últimos anos. Baseado em um conto de Philiop K. Dick, o filme era uma mescla perfeita de roteiro inteligente e ágil e qualidade técnica irrepreensível. Como é de se esperar de Spielberg, o longa é de uma beleza estética de encher os olhos. Da direção de arte aos efeitos especiais, Minority Report é uma das obras que melhor imaginaram o futuro. Calcado na realidade, o projeto apresentou um mundo crível e aceitável, sempre fortalecido por atuações competentes e uma trama certeira.

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Eis que em 2014, alguém teve a ideia brilhante de transformar aquele filme em série. Em 2015 o projeto foi ao ar. O resultado, isolado, até pode ser considerado positivo, mas empalidece drasticamente em comparação ao longa. E simplesmente não é aceitável que alguém defenda a série contra-argumentando que são duas obras distintas e que não devem ser comparadas. Para começar, todo produto áudio-visual pode e deve ser comparado. Quando alguém diz que “são duas coisas diferentes e não merecem ser comparadas” é simplesmente porque não quer que algo inferior seja empalidecido por um superior. Minority Report, por se passar no mesmo universo e por ser uma continuação direta do filme, deve ser comparada à obra original.

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Tom Cruise antevia os crimes graças aos precogs.

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E a série só tem a perder na associação. Para começar, parece vingar na TV atual a nova lei do convencionalismo. Por que tudo tem que se tornar procedural? Por que o personagem central sempre tem que ajudar o FBI ou os policiais na resolução de casos? São inúmeros os exemplos de personagens com qualidades especiais que acabam virando consultores de investigadores, enfrentando o monstro da semana toda a vez. Sherlock Holmes e sua inteligência em Elementary, Castle e seu talento com mistérios em Castle, Brian e a droga que o torna mais inteligente em Limitless, Jane e suas tatuagens em Blindspot, Red e sua lista em The Blacklist, até o Flash usa suas habilidades de super-herói em The Flash. Não sou contra procedurais, e tão pouco considero estas séries ruins. Ao contrário: muitas delas são muito boas. O problema é que parece que toda ideia deve ser adaptada ao formato básico da pessoa com habilidade que ajuda a resolver casos.

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Assim, é decepcionante que toda a originalidade inicial tenha se perdido ao colocar o precog como um mero vidente que ajuda o FBI a prevenir crimes. Além disso, o primeiro caso é risível e envolve pássaros que, comandados por humanos, podem ser mortais. Neste ponto, os roteiristas falham ao apresentar um caso muito absurdo para o primeiro capítulo. O espectador casual, que espera algo mais crível, acaba abandonando logo na primeira hora. O que pode manter o público atento, porém, é o bom visual, ornado com um e outro efeito especial satisfatório. De qualquer modo, a série também fica bem abaixo da qualidade visual do filme. É um problema, por exemplo, que o programa se passe anos depois do longa-metragem e nos apresente um futuro menos avançado. A lógica indica que aquele universo deveria ser ainda mais futurístico, o que não acontece. É quase o que acontece com a própria série: é feita anos depois, mas ainda perde para um filme de 2002.

O que fica, então, é a sensação de que a série se beneficiaria caso tivesse outro nome e nenhum ligação com o filme. Com o nome que tem, o projeto sofre desde o início com as comparações. E não dá pra esquecer o que veio antes, já que o show teima em jogar ideias tolas na cara do público. Além disso, a dupla central, ainda que competente, tem sua parcela de culpa. Meagan Good muitas vezes exagera nas caras e bocas e esquece a sobriedade. Já Stark Sands exagera na inocência e ingenuidade de Dash, criando um personagem excessivamente bobo. Para resumir a festa: ganhe pouco mais de duas horas com o longa de Steven Spielberg e não perca quase dez horas em um programa que acaba sendo uma decepção.

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Assista o trailer da série:

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[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=_fLl-DMzxrk[/youtube]