Mix Music: A trilha de Six Feet Under

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Six Feet Under é minha série favorita. Não ouso dizer que é a melhor já feita pelo fato de não ter assistido todas as séries do mundo; além disso, fazer tal afirmação poderia afastar o leitor que considera uma outra série como a “melhor já feita”. O fato é que, particularmente, A Sete Palmos é uma das melhores coisas que já assisti. O roteiro de Alan Ball é simplesmente impecável, e o elenco é um dos mais marcantes que a televisão já reuniu. No último dia 3 o piloto completou 15 anos. Não há como negar: SFU foi um marco televisivo; sem ela, muito do que temos hoje não existiria. Ela é, ao lado de The Sopranos, Lost e outras lendas, uma das obras mais importantes e espetaculares na história da TV. Para relembrar, nada melhor que ouvir a belíssima trilha sonora do show.

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Assim como em Grey’s Anatomy, primeira série dissecada neste novo formato da Mix Music, Six Feet Under sabe o poder da música para criar um momento inesquecível. Quem assistiu até o fim sabe que a series finale é uma das coisas mais lindas já feitas. Muito do brilho e da emoção vem da canção que toca enquanto as cenas finais passam. SFU, embora seja relacionada muitas vezes à morte, luto e solidão, é, na verdade, uma história sobre vida e como aproveitá-la. A maior mensagem é e esta: todos nós morremos, mas o que importa não é o fim, mas sim tudo o que aconteceu antes.

Não é à toa que o programa tenha um notável nível de humor e ainda aposte em ternura e romance. A grande questão é que SFU retrata a vida como ela é. Pode ser clichê afirmar, mas é verdade. Six Feet Under sempre buscou trazer um drama real, sem amores idealizados, sem famílias perfeitas. Este não é um comercial de margarina, tampouco uma novela. SFU é como um romance, uma obra que desenvolve seus capítulos com calma, sem ter a necessidade de entregar uma reviravolta ou clímax a cada dez páginas. Talvez seja por isso que a série proponha um envolvimento tão profundo com seus personagens. Ao passar das cinco temporadas nós conhecemos aquelas pessoas e passamos a admirá-las, ou mesmo odiá-las.

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Six_Feet_Under_TV_Series-533563753-largeMuito do sucesso e da qualidade da série se dá graças a Alan Ball, que já havia provado sua genialidade no excepcional Beleza Americana. Em SFU Ball vai além na desmistificação e desconstrução do sonho americano e da família tradicional. Para Ball, o importante é subverter, quebrar obviedades. No episódios derradeiro, Ball fez o impensável indo na contramão de qualquer finalização possível ou provável. Se hoje em dia tentamos adivinhar o que pode acontecer na series finale de nossas séries, com SFU, acredito, foi impossível imaginar. O mais curioso é que parece o final mais perfeito, o único aceitável. Para que não há final melhor e mais adequado para encerrar uma série como SFU. O interessante é que a ideia não partiu de Alan Ball. Alguém na sala de roteiristas, ninguém sabe ao certo quem, falou que seria legal se aquilo acontecesse aos personagens. O tom foi de brincadeira e, por um momento, todos riram. Aos poucos, contudo, Ball e seu time de escritores perceberam que a ideia era certeira, perfeita para o contexto. E assim um dos melhores finais foi criado.

Sobre as canções e a trilha sonora em geral, Ball comenta que, às vezes, as ideias vinham dele. Algumas vezes enquanto escrevia os episódios, o roteirista imaginava a canção ideal para determinado momento e sugeria a música para os produtores. Muitas vezes a ideia não vingava por questões autorais, ou seja: a música pensada era muito cara e o canal não poderia arcar com os direitos autorais. Outras vezes alguém da equipe vinha com uma sugestão e a música era utilizada. Sobre Breathe Me, da cantora Sia, que toca nos minutos finais, Ball explica que alguém a sugeriu como canção de despedida, e que ele pensou não ser a composição adequada. Para o criador da série, a música tinha que ser perfeita e casar precisamente com as cenas e a mensagem. Com o tempo, porém, Ball percebeu que a emocionante criação de Sia era perfeita.

Antes de partir para a lista com as 5 melhores músicas de Six Feet Under, não podemos deixar de citar os momentos musicais da série. Ainda que prezasse pela realidade e pela crueza da vida, SFU encontrava espaço para os sonhos, visões, alucinações e momentos absurdos. Desde o início, a conversa dos personagens vivos com os mortos se mostrou comum. Além disso, era normal que os personagens se imaginassem em situações idílicas, seja realizando vontades ou passando por acontecimentos absurdos. Algumas destas viagens foram musicais, e muitas delas foram encarnadas por David Fischer, interpretado por Michael C. Hall. Aproveitando a veia artística musical do ator (respeitado na Broadway), a série trouxe David em alguns momentos musicais inesquecíveis. Reprimindo sua sexualidade e sua liberdade para seguir nos negócios da família e para se encaixar na sociedade, David vivia uma vida fechada e com pouco brilho. Suas cantorias imaginárias eram uma válvula de escape. O mesmo acontece para Claire, que também soltava a voz em seus momentos de maior pressão. Veja um compilado destes momentos abaixo:

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Vamos, então, ao nosso TOP 5 das melhores músicas que tocaram em Six Feet Under

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[v_icon color=”#444444″ size=”18px” target=”_blank” name=”moon-headphones”] TOP 5 – SIX FEET UNDER

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1) Breathe Me – Sia (5×12, Everyone’s Waiting)

O primeiro lugar não poderia ser de outra canção se não Breathe Me. O hino de Six Feet Under encerra uma belíssima trajetória de cinco temporadas como nenhuma outra série. É impossível ouvir e não se emocionar lembrando dos melhores momentos do show.

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[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=ghPcYqn0p4Y[/youtube]

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2) Cold Wind – Arcade Fire (5×11, Static)

Muitos podem torcer o nariz para Arcade Fire, mas a banda tem sua parcela de músicas notáveis. Em Six Feet Under, a banca emplacou uma música inédita, exclusiva para o programa. Tocou no penúltimo episódio da série, em outro momento marcante.

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[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=4OdZX47TG0w[/youtube]

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3) Don’t feat the Reaper – Caesars (2×08, It’s the Most Wonderful Time of the Year)

Um dos momentos mais legais da série é quando Nate recebe uma motocicleta de presente de uma mulher que acabara de perder o marido em um acidente. É Natal, mas a morte não dá trégua. No fim do episódio, Nate sobe na moto e corre como se fosse seu último dia de vida e liberdade. Tudo ao som de Don’t Fear the Reaper.

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[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=XLrDBb1YuXU[/youtube]

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4) Transatlanticism – Death Cab For Cutie (4×06, Terror Starts at Home)

Uma das mais belas canções toca na quarta temporada enquanto Claire pinta uma parede enquanto seus amigos a fazem companhia. Claire e uma amiga conversam e, aos poucos, cada uma das pessoas na sala começa a cantar o refrão da música. “I need you so much closer…”.

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[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=-3b6hDCIeDk[/youtube]

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5) A Rush of Blood to the Head – Coldplay (3×01, Perfect Circles)

Além de tocar na premiere da terceira temporada, A Rush of Blood to the Head embala o lindo promo do terceiro ano. É uma das que melhor combinam com o clima da série.

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[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=fC26XpXjSVw[/youtube]

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Menções honrosas 1: Aproveitando que a última música foi tema de um dos promos de Six Feet Under, vale apontar os outros belos promos que a série nos entregou. Aliás, SFU dá uma aula de como fazer teaser bacana. O promo da segunda temporada traz ao fundo a música Heaven by Lamb; o vídeo da quarta temporada traz o som de Nina Simone, Feeling Good, que também se tornou um símbolo do programa. Já o promo do último ano é um clipe impecável ao som de Breath Me.

Menções honrosas 2: A música brasileira Aganjú, de Bebel Gilberto, representou a MPB na série. A canção toca em uma reunião de família. Mas não da Fisher, claro. É uma música muito feliz para eles.

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.