Mix Music: A trilha sonora de Westworld

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É muito  provável que nos últimos três meses você tenha ouvido falar nela, se é que ainda não assistiu. Ou então pelo menos ficou sabendo que a HBO trouxe algo diferente á televisão –  o que não nenhuma novidade, convenhamos. Em algum lugar da internet você ouviu falar nela, Westworld, uma das grandes estreias da Fall Season de 2016, uma das maiores audiências da história do canal, um buraquinho preenchido nos corações dos amantes de ficção científica e, de quebra, de faroeste, regada a teorias filosóficas, psicanalíticas, antropológicas, biológicas e vários passeios por tocas do coelho. Ou pelo menos ouviu falar no elenco encabeçado por Anthony Hopkins, Ed Harris e Rachel Evan Wood.  Nada?

Agora a pergunta é: já parou para escutar a trilha desse  estrondo? Pois deveria! E é por isso que o Mix Music da semana vem falar dela.

Westworld  é uma criação de Jonathan Nolan e Lisa Joy, com produção executiva de J.J. Abrams, baseada em um filme homônimo de 1973, escrito e dirigido por Michael Crichton. A premissa da série se baseia em um parque temático que simula o Velho Oeste, habitado por androides, chamados de “anfitriões”, e para onde os humanos, chamados de “hóspedes”, vão em busca de prazeres e aventuras. Precisa nem dizer que só o mais abastados têm condições custear idas ao parque, nem que a história de passa num tempo futuro. Por trás do parque existe uma corporação responsável por projetar toda a estrutura vista em Westworld (o parque) desde a concepção e a projeção dos androides aos cenários, passando pela criação das narrativas que serão vividas pelos visitantes. Precisa nem dizer que a tecnologia utilizada para a construção desse universo é de nos deixar boquiabertos.

Seja no parque propriamente dito ou seja em sua sede administrativa, tudo é muito eloquente, grandioso e imponente. Todavia, tais características não restam apenas nos aspectos estéticos e narrativos da série, se fazem também presentes em sua identidade sonora. Falando nela, uma característica marcante em Westworld são suas músicas estritamente incidentais e isso pode se dar por alguns motivos. O primeiro deles se deve aos diálogos extremamente bem elaborados e carregados de informações, todos eles demasiadamente densos e poéticos. Desta forma, poderia haver um conflito de atenção entre o que é dito no diálogo e o que é dito na letra da música. É como se a equipe de roteiristas nos dissessem “foquem nessas palavras e se deixem levar pela melodia”.

Um outro motivo vem arraigado a questões imagéticas. A série trabalha com muitos ambientes amplos e grandiosos, estamos falando de um enorme parque a céu aberto e estamos falando de uma sede faraônica que o comanda. A música aqui vem para preencher esses espaços e completá-los. Percebam como ela tem um tom mais grave, dramático e poderoso, ecoando pelos ambientes e os ocupando, se fazendo pertencente e tapando quaisquer frestas. E isso é percebido até mesmo nos laboratórios e suas paredes de vidros. Inclusive, é como se essas mesmas paredes reverberassem os sons e os tornassem mais abrangentes.

Mas pera aí, lá pelas tantas em algum episódio você pode ter ser pego pensando “mas eu já ouvi essa melodia antes”. Pois é, já ouviu mesmo. Isso porque grande parte  da trilha sonora da série é composta por versões instrumentais de clássicos do rock e do pop mundial. O que nos leva a mais motivos para justificar o uso exclusivo de músicas incidentais. Essa opção reforça o afastamento de um possível conflito entre o que é dito pelos personagens e o que é ouvido na letra, especialmente quando se tratam de músicas tão populares. É como se nos dissessem “vocês conhecem essas canções, vocês conheceram essas histórias. Agora liguem os pontos entre trama e letra e passem para o próximo episódio.” Aliás, a opção por tantas músicas contemporâneas e populares serve como constante lembrança de que não estamos no Velho Oeste e sim no futuro.

Essa balada trilha sonora adaptada é composta por versões de músicas do Soudgarden, Rolling Stones, The Cure, Animals, Nine Inch Naisl, Amy Winehouse e Radiohead. Aliás o Radiohead é a banda com mais músicas adaptadas em Westworld e não é à toa. Além de ser uma das favoritas de Nolan, as músicas da banda tocadas na série fazem parte do CD “OK Computer” – fora que o Radiohead é uma das bandas mais melancólicas e existencialistas deste planeta. Robert Ford aprova!

E adivinhem quem está por trás da trilha sonora de Westworld? Se você falou Ramin Djawadi acertou. Sim, ele mesmo. O compositor responsável pelas trilhas de Game of Thrones, Person of Interest, Prison Break, dentre outras peças audiovisuais. Djawadi é o responsável por transformar os clássicos do rock e do pop em belíssimas performances no marcante piano, além de também ser o cabeça por trás das composições originais, é claro, como o tema de abertura da série. É ele o responsável por construir essa trilha que passei entre o familiar e o desconhecido, entre o futuro dos sintetizadores e o passado das orquestras.

Voltando às justificativas da música incidental, um elemento muito importante surge como personagem nessa roupagem: o piano. Instrumento característicos dos saloons do Velho Oeste, instrumento muito caro a Ford, o piano não poderia ficar de fora. Sempre há uma piano sendo tocado, seja por um androide na sala de Ford, seja no Mariposa Saloon, no bordel sendo um daqueles pianos automatizados, à moda antiga, que tocam sozinhos e vão desenrolando partituras conforme a música segue, . Aliás, fica aqui até uma provocação sobre a real existência dos androides e de alguns outros personagens supostamente humanos e/ou vivos quando se para para pensar na figura de alguém tocando um piano em contraste a uma piano que toca sozinho. Pirações que só uma série como Westworld possibilita.

E se já não bastasse 0 burburinho causado pela trilha sonora executada a cada episódio, na última semana a HBO se uniu ao Spotify e lançou uma playlist com a trilha sonora completa da primeira temporada da série, contendo 36 músicas entre versões produzidas para a série e composições originais. Vale a pena conferir porque essa trilha é linda e poderosa.

Mas antes, vem conferir nosso TOP 5 com cinco versões originais de músicas que tocaram em Westworld e aproveita para matar a saudade porque ao que tudo indica, segunda temporada só em 2018.

TOP 5 – WESTWORLD

1 ) Exit Music (For a Filme) – Radiohead (1x1o, The Bicameral Mind)

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=8051Hipbmmw[/youtube]

Sim. Estamos falando daquele música que tocou nos momentos finais da season finale enquanto Ford discursava, Maeve dava continuidade ao seu plano e Dolores, bem quem viu se lembra.

2) Paint It, Black – The Rolling Stones (1×01, The Original)

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=O4irXQhgMqg[/youtube]

Não seria uma história ambientada no velho oeste caso não houvesse uma grandiosa cena de tiroteio entre “bandidos e mocinhos” e nesta aqui, em especial, somos apresentados a um dos mais temidos foras-da-lei, Hector Escaton, e seu bando.

3) A Forest – The Cure (1×04, Dissonance Theory)

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=xik-y0xlpZ0[/youtube]

Maeve e Clementine estão no Mariposa Saloon quando a primeira começa a ouvir vozes.

4) House of the Rising Sun- Animals (1×08, Trace Decay)

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=5A-4VGfx5lU[/youtube]

Maeve, no Mariposa Saloon, testa suas novas capacidades.

5) Back to Black – Amy Winehouse (1×08, Trace Decay)

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=TJAfLE39ZZ8[/youtube]

Maeve dá início a sua revolução particular.

Menção honrosa: Reverie – Claude Debussy

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=v0CLYpYKHNY[/youtube]

Esta é uma música que toca por diversas vezes ao longo da temporada e seu título, “Reverie”, em português devaneio, é uma referência à mudança de comportamento dos androides. Genial, não?

Melina Galante

Melina Galante

Produtora e realizadora audiovisual, no momento em processo acadêmico. 99% seriadora com aquele 1% noveleira. Divide as fases da vida em Buffy, a Caça-Vampiros, Gilmore Girls e Grey's Anatomy. Sua menina dos olhos, porém, é Penny Dreadful. No Mix de Séries escreve as reviews de Modern Family, Orange is the New Black, Scandal e o que vier.

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