Modern Love: 2ª temporada é boa, mas tem histórias menos interessantes

Segunda temporada de Modern Love agrada... em partes.

Modern Love

Modern Love foi um dos grandes sucessos da Amazon Prime Video quando surgiu em 2019. Com elenco estelar e variado, além de uma trilha sonora apaixonante, a antologia da plataforma de streaming aqueceu a internet que rapidamente adotou suas tramas sobre o amor. Pois Modern Love promete ser um agregado de histórias de amor, ou melhor, das mais diversas manifestações deste sentimento. Assim, temos romances entre casais, assim como histórias de amor entre amigos e familiares. Tudo, claro, na tentativa de pintar um quadro sobre como nossos relacionamentos se desenrolam na modernidade.

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Baseada em uma coluna do The New York Times, Modern Love retorna para sua 2ª temporada com novas histórias. E como toda antologia, o segundo ano tem altos e baixos, com episódios muito bons e outros totalmente dispensáveis ou, no mínimo equivocados. Começando com um dos capítulos mais sólidos do grupo, On a Serpentine Road, with the top down traz Minnie Driver no protagonismo de uma narrativa triste, mas cheia de belezas. Viúva, sua personagem reluta em vender um carro que traz boas lembranças de seu companheiro.

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Amor na pandemia é um dos temas de Modern Love

Outro bom ponto da temporada é Strangers on a (Dublin) Train. Aqui, John Carney reafirma sua habilidade em mostrar duas pessoas que se conhecem e rapidamente criam conexões enquanto caminham/viagem por uma cidade. Além disso, o episódio acerta em cheio ao trazer a pandemia como um plot twist bem trabalhado.

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Ainda que alguns diálogos e detalhes sugiram que algo não está certo, não sabemos exatamente o que é até que pessoas de máscara começam a passar e o casal se despede com um toque de cotovelos.

A partir daí, vemos um Antes do Amanhecer que não dá certo graças ao lockdown que trancou o mundo todo em suas casas. Combinados para se encontrarem dali a alguns dias, os dois se preocupam quando percebem que não poderão selar o destino romântico. O roteiro é leve e espertinho, mas dois grandes problemas entram no caminho. O primeiro é que Kit Harington e Lucy Boynyon estão longe de ser bons atores. Limitados, falta carisma ao casal, muito embora haja química entre os dois. Outro revés o final, ou melhor, a falta dele.

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Imagem: Divulgação.

Finais são problemáticos em alguns capítulos

Finais mal trabalhados ou totalmente ausentes, aliás, são problema constante nesta segunda temporada. E não estamos pedindo por conclusões definitivas, mas algumas histórias encerram abruptamente sem qualquer razão. No capítulo do Jon Snow isso nem é um grande problema, mas em outras ocasiões é totalmente anticlimático. Em Am I…? Maybe this quiz will tell me a trama nos deixa com uma tentativa tola de resolução que só piora um dos episódios mais fracos do conjunto.

A Life Plan for Two, Followed by One é outro ponto baixo, já que evita discutir diversos pontos interessantes para focar em obviedades ou decisões estúpidas de seus personagens. Nesta perspectiva, Modern Love às vezes falha ao não dar o devido peso a alguns temas. Por mais tóxico que seja o relacionamento visto aqui, ou por mais pesada que seja a dor de outras pessoas, a série jamais mergulha nestes tópicos. Preferindo ficar na superfície e em campos neutros, o show acaba deixando de traçar paralelos honestos sobre o amor moderno que carrega no título.

Saldo é positivo, mas temporada é inferior

A nova temporada de Modern Love chega ao fim com saldo positivo, mas menos interessante. Com tantas histórias românticas por aí, os roteiristas talvez tenham escolhido as mais anêmicas. Nem Nova York, personagem central da temporada de estreia, aparece com propriedade. O elenco, em sua maioria, está ótimo, como é o caso de Sophia Okonedo e Tobias Menzies em A Second Embrace, with Hearts and Eyes Open. A trilha também segue contagiante, enquanto o bom humor permeia até a mais triste das cenas.

Neste ponto, Modern Love é um sopro de leveza em meses tão turbulentos como os que vivemos. Até mesmo o capítulo da pandemia trata do assunto com bom humor, sendo um bom passatempo e uma sólida maratona. Para uma possível terceira temporada, é importante olhar para histórias mais firmes ou completas. Talvez seja mais importante focar em menos coisas durante os trinta minutos de episódio e aprofundá-las mais. Apesar de seus tropeços, o segundo ano vale a conferida.

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.