Mesmo quem não conhece o nome de Ed Gein já ouviu falar de sua herança macabra. Em 1957, o fazendeiro recluso de Plainfield, Wisconsin, foi revelado como um dos criminosos mais perturbadores da história dos Estados Unidos. Conhecido como “O Açougueiro de Plainfield” ou “O Avô do Gore”, seus crimes chocaram tanto que, mais de 65 anos depois, o cinema e a televisão continuam encontrando inspiração em sua trajetória. É justamente esse legado que Ryan Murphy revisita na nova temporada de Monstro, da Netflix, estrelada por Charlie Hunnam como Gein e Laurie Metcalf como sua mãe dominadora.
Inspiração para o cinema de horror
O impacto de Ed Gein no imaginário coletivo começa cedo. Em 1960, Alfred Hitchcock lançou Psicose, inspirado no livro de Robert Bloch, vizinho de Gein. Norman Bates, com sua relação doentia com a mãe, é um reflexo direto da vida de Gein, que manteve os cômodos da mãe intactos após sua morte. Nos anos 1970, outros filmes beberam dessa fonte, como Three on a Meathook e Deranged, que exploraram a fixação por mulheres semelhantes à sua mãe e a obsessão por cadáveres.
Do massacre ao canibalismo fictício

Talvez a influência mais marcante tenha sido em O Massacre da Serra Elétrica (1974), onde Tobe Hooper criou o icônico Leatherface, que usava máscaras feitas de pele humana, assim como os artefatos grotescos encontrados na casa de Gein.
Já em O Silêncio dos Inocentes (1991), a figura de Buffalo Bill foi parcialmente inspirada no assassino, principalmente na criação de um “traje de pele feminina”. Apesar disso, Gein sempre negou ter praticado canibalismo ou necrofilia, embora suas ações já fossem aterrorizantes o suficiente para alimentar lendas urbanas.
O “monstro” e o homem
Além dos filmes de horror, até comédias macabras, como Ed and His Dead Mother (1993), tentaram transformar sua história em sátira. No entanto, a realidade de Ed Gein era marcada pela solidão e pela devoção obsessiva à mãe. Ao contrário de outros assassinos em série como Bundy ou Dahmer, ele matou apenas duas mulheres confirmadas e confessou os crimes de maneira cooperativa, sendo declarado inimputável por insanidade.
O legado de Ed Gein
Internado até sua morte em 1984, Ed Gein permaneceu como uma figura paradoxal: um paciente modelo nos hospitais psiquiátricos, mas lembrado como uma das maiores inspirações do terror moderno. Seja em Psicose, O Massacre da Serra Elétrica ou O Silêncio dos Inocentes, sua sombra continua presente na cultura pop, mostrando como a linha entre realidade e ficção pode ser tão assustadora quanto a própria monstruosidade humana.