O episódio 7 de Monstro: A História de Ed Gein, intitulado “Ham Radio”, apresenta uma das sequências mais brutais — e, ao mesmo tempo, mais enigmáticas — de toda a temporada. O serial killer interpretado por Evan Peters parece cometer outro assassinato dentro do hospital psiquiátrico, desta vez contra a enfermeira Roz Mahoney, mas a dúvida que fica é: isso realmente aconteceu ou foi apenas fruto da mente perturbada de Ed?
A resposta é clara — e perturbadora à sua própria maneira: Ed Gein não matou Roz. Tudo o que o público vê na sequência é resultado de alucinações causadas por sua condição mental, um dos muitos delírios que o acompanharam após sua prisão.
A cena do assassinato — e o que realmente aconteceu
Depois de ser declarado inimputável e internado no Central State Hospital for the Criminally Insane, Ed inicialmente parece adaptar-se à rotina. Ele desenvolve uma relação curiosa com a enfermeira Salty, que, apesar das regras, o trata com certa empatia, trazendo revistas e até pequenas concessões que o mantêm relativamente estável.
Tudo muda quando Roz Mahoney assume o posto. Fria, rígida e implacável, ela corta todos os privilégios de Ed, tratando-o apenas como o que ele é: um assassino e profanador de túmulos. Essa mudança desperta nele um sentimento de raiva e rejeição, que logo se transforma em uma fantasia de vingança.
Na sequência mais chocante do episódio, Ed segue Roz até o banheiro e a ataca com uma motosserra, em uma cena que evoca diretamente o horror clássico de O Massacre da Serra Elétrica — filme que, aliás, foi inspirado em parte pelos crimes de Gein.
Mas o impacto da cena é desmontado logo no dia seguinte: Roz aparece viva e ilesa, revelando que tudo não passou de uma alucinação violenta.

A mente em colapso de Ed Gein
O falso assassinato de Roz é parte de uma longa sequência de delírios e episódios psicóticos que acometem Ed ao longo da série. Diagnosticado com transtorno de personalidade esquizoide, ele frequentemente mistura realidade e fantasia, incapaz de distinguir seus impulsos da vida real.
O fato de ele não ter acesso a uma motosserra dentro do hospital é o primeiro indício de que tudo aconteceu apenas em sua mente. Além disso, não há testemunhas, barulho ou qualquer sinal físico que sustente a ocorrência do crime.
A série usa essa cena para ilustrar o declínio mental de Ed Gein, mas também para fazer um comentário mais amplo: o quanto o horror criado por Gein — tanto na vida real quanto nas narrativas inspiradas nele — é, em parte, alimentado por sua própria mitologia. A sequência é quase um espelho distorcido dos filmes que ele viria a inspirar, em especial Psicose e O Massacre da Serra Elétrica.
De inimigos a aliados: a nova relação entre Ed Gein e Roz
Depois de perceber que tudo foi fruto de sua mente, Ed passa por um momento de colapso emocional. Sentindo culpa e medo de voltar a seus antigos impulsos, ele busca ajuda psiquiátrica — e é justamente nesse ponto que sua relação com Roz muda de tom.
A enfermeira, antes vista como uma inimiga, torna-se uma presença constante e até humana em sua rotina. Aos poucos, Roz e Ed constroem uma espécie de amizade, marcada por conversas sobre solidão, arrependimento e a fragilidade da mente humana.
Na reta final da série, Roz é a responsável por comunicar a Ed seu diagnóstico de câncer de pulmão, o que transforma os últimos momentos de sua vida em um ciclo de redenção e reflexão.
O que começou como uma fantasia de morte e ódio termina com afeto, compreensão e até um senso de paz — algo raro na trajetória do “Monstro de Plainfield”.
A função simbólica da “morte” de Roz
O falso assassinato da enfermeira tem um peso simbólico importante dentro da narrativa de Monstro: A História de Ed Gein. A cena representa o último grito de violência interna do protagonista — uma manifestação de sua raiva e desespero antes de finalmente ceder ao tratamento e encarar suas próprias monstruosidades.
Além disso, o momento é uma metáfora para o próprio ciclo da violência que a série busca discutir: o quanto o isolamento, o estigma e a falta de cuidado com a saúde mental podem transformar indivíduos em monstros — e o quanto a empatia pode, ainda que tarde, humanizá-los novamente.
Ed Gein não matou Roz Mahoney
Não, Ed Gein não matou Roz Mahoney. A cena sangrenta que o público assiste é uma alucinação, fruto de seu colapso mental e da tensão com a nova enfermeira.
No fim, Roz não é mais uma vítima, mas sim uma ponte para o lado humano de Ed, uma figura que o ajuda a compreender — ainda que tardiamente — o peso dos próprios atos e a linha tênue entre a sanidade e o horror.
O resultado é um dos momentos mais ambíguos e poderosos de Monstro: A História de Ed Gein: um episódio em que o verdadeiro terror não está no sangue, mas na mente.