Não se explique

Um tipo de pergunta era clássico na época da escola: o professor fazia um questionamento e no fim pedia para que justificássemos nossa resposta. Então, permita-me dizer uma coisa: você não precisa mais justificar sua opinião. Faça isso apenas se você quiser e/ou o debate for produtivo. Do contrário, fique tranquilo com o seu ponto de vista e não se culpe por isso. Um seriador não precisa explicar os motivos de gostar de um guilty pleasure. Ele gosta e pronto. É terrível que, em uma roda de conversa, alguém tenha que explicar com diversos argumentos os porquês de gostar de Glee, por exemplo. Ou, pior: explicar porque não gostar de alguma série aclamada pela crítica, como Breaking Bad.

É claro que é válido tecer comentários críticos, positivos e negativos, sobre o que assistimos, mas no momento em que a conversação vira uma mera sucessão de justificativas, o debate vira julgamento. E isso não é produtivos pra ninguém: quem se explica vai se sentir mal por gostar ou não de algo, e quem questiona dificilmente vai mudar sua opinião acerca do objeto de discussão. Assim, qual o propósito?

No mundo das séries isso sempre aconteceu e tem se intensificado cada vez mais. Hoje, não basta fazer um texto ou vídeo elogiando ou criticando uma série, é preciso gastar um tempo dobrado explicando suas opiniões em comentários ou em outros textos. A polêmica é interessante e rende umas discussões bacanas, mas falemos com sinceridade: ninguém deve satisfação pra ninguém. O crítico não deve se explicar ao público e o público não deve, de modo algum, se explicar ao crítico ou fazer o que o crítico sugere.

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Alguns falam de críticos como se estes fossem uma raça alienígena ou totalmente oposta à normal. Críticos são pessoas como qualquer outra, a diferença é que eles resolveram escrever e falar sobre alguma coisa. São pessoas que vão gostar ou não das séries e filmes assim como você. Não há diferença alguma. Logo, falar que a “crítica não sabe de nada” ou a “crítica ama odiar certas séries” é de uma burrice sem tamanho: alguém realmente acredita que todos os críticos do mundo se juntam pra falar mal de alguma coisa? Alguns vão gostar, outros não.

No final, todos somos críticos, mas não precisamos ser todos chatos. No momento que alguém crítica alguém por não gostar de alguma coisa, este alguém está exercendo o mesmo papel e criticando alguma coisa. No momento que você diz “crítico só fala merda”, você está, de certa forma, incluso no grupo. Você foi crítico, logo falou merda. Para não ficar nesse joguinho, é muito simples: debate, discuta, aponte erros e acertos, mas não seja chato. Não cobre explicações, não policie, apenas aceite.

Tags Editorial
Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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