A 23ª temporada de NCIS promete ser uma das mais intensas da série até aqui — e pode até pavimentar o caminho para um crossover inusitado com NCIS Origins, mesmo com as duas produções separadas por 34 anos na linha do tempo. A conexão entre passado e presente pode vir não só pela presença de personagens mais velhos, mas também por temas compartilhados entre as duas narrativas: a fúria e os efeitos devastadores da vingança.
O arco de Alden Parker (Gary Cole) será o principal motor da nova temporada. Após o chocante final da 22ª, que revelou Carla Marino como a verdadeira mente por trás da rede criminosa Nexus — e a responsável pelo assassinato de Roman Parker, pai de Alden —, o agente especial entra numa espiral de dor e sede de justiça. O que parecia, num momento, uma possível aproximação romântica entre Parker e Carla, se transforma agora em uma caçada pessoal. A frieza com que Carla manipula Parker e o trauma causado por seu ato final indicam que Alden está prestes a atravessar uma linha tênue entre justiça e vingança.
Novas oportunidades para NCIS

A tensão emocional de Parker pode encontrar um eco direto em NCIS Origins, o prelúdio estrelado por Austin Stowell como um jovem Gibbs. A primeira temporada do spin-off revelou que Leroy Jethro Gibbs assassinou Pedro Hernandez — o assassino de sua esposa e filha — antes mesmo dos eventos da série original, e que a vingança não trouxe paz, mas um vazio emocional difícil de lidar. Lala, sua possível parceira romântica, chegou a sofrer um acidente enquanto tentava contar a verdade a Gibbs, intensificando ainda mais o peso do segredo.
Essas conexões temáticas criam a oportunidade perfeita para um crossover simbólico entre NCIS e Origins. Mesmo com a diferença temporal, é possível trazer a lição aprendida por Gibbs para ajudar Parker a processar sua dor. Isso poderia acontecer com uma participação especial de Mark Harmon, retomando seu papel como Gibbs em um momento chave para aconselhar Parker — ou por meio de um personagem secundário que tenha ligação direta com o passado de Gibbs, como Vera ou uma versão mais velha de Lala ou Randy.
A intenção não seria apenas reforçar o universo compartilhado, mas também aprofundar emocionalmente a jornada de Parker. Afinal, assim como Gibbs enfrentou o preço da vingança em silêncio, Parker pode aprender que justiça feita pela própria mão dificilmente leva à paz interior. E caso NCIS Origins siga essa trilha na 2ª temporada, a narrativa poderá se retroalimentar com as consequências do passado refletindo no presente — criando o primeiro verdadeiro “arco duplo” da franquia.
Para os fãs, essa possível ponte entre as séries representa algo maior do que apenas um encontro entre personagens: seria uma reflexão profunda sobre trauma, perda e redenção — temas que sempre estiveram no coração de NCIS.