New Amsterdam constrói importante arco em episódios 1×16 e 1×17

New Amsterdam apresentou arco importante

Desde o começo de sua primeira temporada, New Amsterdam tem entregue episódios consistentes. Bem como, um bom desenvolvimento de suas tramas principais. Entretanto, como já havia comentado em outras reviews, faltava uma narrativa mais fechada e densa, sem resoluções simples num único episódio.

Pois bem, esse formato de narrativa foi visto em “King of Swords” e “Sanctuary”. Isso porque, os dois episódios se conectaram de forma que entregaram boas tramas para a série.

Uma quase antologia

De saída, é preciso destacar um aspecto importante desse arco. Apesar de partir das construções de personagens feitas ao longo da temporada, “King of Swords” e “Sanctuary” foram episódios muito fechados em si. Mesmo as tramas criadas dentro do arco já foram relativamente resolvidas. Isso, ao meu ver, é ao mesmo tempo bom e ruim, pois mostra que os personagens já nos cativaram o suficiente para não precisarmos de algo tão conectado. Porém, nos faz pensar qual o sentido geral dos episódios na temporada.

Primeiramente, ao plot. Uma nevasca afeta Nova York e bloqueia os acessos ao hospital, deixando as pessoas dentro presas e impedindo que pacientes cheguem para receber cuidados. No primeiro episódio, a crise se coloca do lado de fora. Assim, os médicos protagonistas encaram o frio rigoroso, além de seus dilemas pessoais.

Na segunda parte, por sua vez, a trama se desenvolve dentro do hospital. com toda a equipe presa no prédio sem energia, e tendo de lidar com as consequências do episódio anterior. Ambas as partes tiveram bom ritmo, porém, “King of Swords” pareceu concentrar mais as emoções do arco.

O relacionamento Helen e Max

Anteriormente, o roteiro da série vinha construindo uma relação de confiança entre Helen Sharpe e Max Goodwin, com ambos participando da (des)construção de seus personagens. Entretanto, o arco dos episódios 16 e 17 trouxe um elemento novo à relação. Assim, surgiu a trama de um possível romance entre os dois protagonistas.

Embora tenha sentido certa química entre os dois personagens, confesso que não gostei da forma como os roteiristas incluíram a possibilidade amorosa na história. Helen vinha num crescente relacionamento com seu colega oncologista. Enquanto isso, Max – além de lidar com o câncer – está também no esforço de resolver seu relacionamento com Georgia.

Antes de tudo, meu ponto não está na união entre os dois. Porém, em como o roteiro a constrói e nos repassa. O repentino ciúme do namorado de Helen por Max, por exemplo, soou um pouco forçado.

De toda forma, o desenvolvimento da tensão na segunda parte do arco desviou um pouco desse caminho. Ainda que olhares mais característicos tenham sido trocados entre os personagens. Ao fim do episódio, porém, o diálogo entre Max e Helen colocou o problema no gerenciamento das três relações entre eles (médico-paciente, amizade e trabalho). Ainda há, é certo, uma margem para o roteiro explorar essa trama pelo viés romântico, mas não me parece ser a opção mais frutífera para a história.

Histórias paralelas de superação

Se a trama central do arco tratou do relacionamento Helen x Max, o que movimentou bem os episódios e convenceu mais foram as histórias envolvendo os coadjuvantes, principalmente Reynolds e Iggy.

O cirurgião cardíaco lidou com um paciente que sofrera um acidente em meio à neve, e teve uma estaca de ferro encravada no peito. A interação entre ambos no primeiro episódio ajudaram a balançar um pouco o lado tecnocrata de Reynolds. Tudo isso, graças a troca de experiências de vida e a criação de um laço afetivo.

Dessa forma, no segundo episódio, vimos um médico extremamente dedicado em salvar o paciente, mesmo nas condições adversas do hospital sem energia. Nessa parte do arco, a interação entre Reynolds e Candelario, substituta de Bloom no setor de emergência, também se mostrou interessante, quebrando um pouco a casca do personagem.

Iggy, por sua vez, lidou com duas situações distintas e bastante delicadas. O personagem, por sinal, é o campeão em situações como esta, sempre encarando os temas polêmicos. Desta vez, o terapeuta participou de jornadas de redenção. Na primeira parte, Iggy fica preso no telhado do hospital com um jovem paciente que tentou o suicídio. O persomagem, assim, compartilhou com ele experiências e sentimentos, ajudando a prevenir o pior.

Redenção

Na segunda parte, entretanto, a trama ganhou um tom mais social. Iggy e Max precisam confiar em um prisioneiro de Rikers para recuperar a energia do hospital. O roteiro do episódio brincou o tempo inteiro com a possibilidade de, no final, o prisioneiro apunhalar a dupla e simplesmente fugir. Mas, estamos falando de New Amsterdam, e finais positivos estão sempre no horizonte.

A segunda parte do arco assumiu discurso de redenção e superação. Imagem: NBC

Kappur foi quem teve menos espaço no arco. Mas sua interação com sua residente no segundo episódio, atuando como um mentor e ajudando em sua superação, foi algo positivo.

Após o fim do arco construído nos episódios 16 e 17, New Amsterdam agora pode voltar ao seu fio condutor da temporada. Dessa forma, continuando a lidar com os problemas centrais. Portanto, voltaremos a doença de Max e o afastamento de Bloom. De toda forma, um arco fechado é refrescante dentro de uma temporada tão agitada.

Nota dos episódios8
8

Share this post

Luiz Alves

Luiz Alves

Historiador, fã de histórias em quadrinhos e jogador de RPG de longa data. Tem interesse por séries de suspense, como Hannibal, The Killing, Luther etc., de fantasia, como Penny Dreadful; e de todas as séries baseadas em HQs.