Nem Kristen Bell nem Adam Brody conseguem salvar a nova leva de episódios de Ninguém Quer (Nobody Wants This), da Netflix.
A segunda temporada chega com a promessa de amadurecer o casal Joanne e Noah, mas entrega o oposto: uma trama esquecível, diálogos insossos e um roteiro que parece existir apenas para preencher tempo de tela. O resultado? Uma comédia romântica que perdeu o timing — e o charme.
A graça que se perdeu no caminho
Se a primeira temporada de Ninguém Quer tinha um humor espirituoso e uma boa química entre o casal principal, a segunda se contenta em ser morna. O texto repete fórmulas, evita riscos e, pior, ignora tudo que fazia o público se importar. O roteiro parece funcionar no piloto automático, e os personagens, que antes vibravam, agora apenas repetem falas sobre relacionamentos e inseguranças com a energia de quem também não quer mais estar ali.
O maior problema é que a série não tem nada novo a dizer. Ao longo dos dez episódios curtos, de 20 a 30 minutos cada, o enredo gira em torno de situações triviais que nunca ganham profundidade. A trama parece esticar conflitos mínimos — o tipo de história que caberia num filme de duas horas, mas é diluída até perder o sabor.

Morgan é o único respiro de vida na 2ª temporada de Ninguém Quer
Quem realmente se destaca, ainda que brevemente, é Justine Lupe, a Morgan. A atriz traz uma presença leve e espirituosa, transformando pequenos gestos em momentos de graça genuína. Há uma cena em que ela brinca com o próprio cabelo durante um discurso emocionado de Noah — e, sem esforço, rouba o foco da protagonista Kristen Bell. Morgan é divertida, autêntica, meio caótica, e a série parece ganhar cor quando está em cena.
O problema é que nem mesmo ela escapa da mediocridade do roteiro. Morgan vive um arco com seu terapeuta, Dr. Andy (Arian Moayed), que até começa promissor, mas logo se dissolve em nada. O romance termina de forma apressada e sem emoção, num episódio de noivado que poderia muito bem nem existir. O mesmo vale para Esther (Jackie Tohn) e Sasha (Timothy Simons), que enfrentam uma crise conjugal tão superficial que parece escrita apenas para preencher lacunas entre os episódios.
Falta peso, falta humor — e falta vontade
O criador, Erin Foster, até tenta manter o charme das dinâmicas de casal, mas o texto carece de densidade. A única questão tratada com alguma seriedade — se Joanne deveria se converter ao judaísmo por amor — acaba isolada, como se fosse de outra série.
O restante soa como conversa de festa: simpática enquanto dura, mas impossível de lembrar depois.
Quando o último episódio chega, a sensação é de déjà vu: a segunda temporada termina do mesmo jeito que a primeira. A repetição escancara o esgotamento criativo. Não há crescimento emocional, nem resolução satisfatória — apenas um suspiro de tédio.
A impressão é que Erin Foster está tão cansada de Ninguém Quer quanto o público parece estar. O próprio texto ironiza isso, como se a criadora dissesse, em voz baixa: “Gente, eu cansei”. E o espectador responde: “A gente também”.

Veredito: ninguém quer mesmo
A segunda temporada de Ninguém Quer confirma o que o título sempre insinuou: ninguém quer isso. Sem o humor afiado, a energia caótica e a originalidade que marcaram o início da série, a produção se transforma num retrato do conformismo criativo. Kristen Bell e Adam Brody continuam carismáticos, mas estão presos em um roteiro que não sabe o que fazer com eles.
A boa notícia é que, ao menos, Ninguém Quer é fácil de esquecer — o que, nesse caso, é quase um elogio.