Notorious e as dificuldades de pôr o jornalismo dentro da TV

Notorious
Imagem: The New York Times

 

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Telejornalismo sempre foi um dos grandes temas do nosso cotidiano que a televisão nunca foi bem sucedida em retratar nas telinhas. O mais recente deles foi The Newsroom que acabou não sendo aquilo que todos esperavam que fossem, inclusive Aaron Sorkin prometeu nunca mais voltar a fazer TV, mesmo que tenha trazido grandes momentos e cenas memoráveis, como o “Porque os Estados Unidos não é o melhor país do mundo”.

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Desafio que Notorious assumiu de peito aberto, pronto para críticas, elogios e tudo o que os telespectadores e críticos resolverem pontuar. O que, olhando por este lado, a série já vale nossa atenção pela ousadia, afinal de contas é disso que a televisão mais precisa no momento – de novidades e ideias originais. É verdade também que nada disso falta neste episódio piloto, o problema, entretanto, fica em toda a estrutura da narrativa, da construção dos personagens e na ginástica do roteiro de fazer com que tudo faça sentido no final.

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Curiosamente, os personagens centrais desta história – Julia George (Piper Perabo) e Jake Gregorian (Danie Sunjata) são baseados em pessoas que realmente existiram. Ele no advogado Mark Geragos, que defendeu Winona Ryder das acusações de furto em 2001, e ela em Wendy Walker, produtora do Larry King Live, exibido pela CNN de 1985 até 2010. Porém, os personagens de Notorious não chegam aos pés do nível da simpatia das pessoas do mundo real, o que aí já mostra um desperdício gigantesco dos dois ótimos atores.

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Imagem: Twitter

O roteiro, como disse anteriormente, mal sabe a história que quer contar, onde estica ideias sem o menor sentido para questões centrais de um enredo que gira, gira e gira até chegar no lugar onde todos esperassem que chegaria. É difícil acompanhar o desenvolvimento da trama e atestar que tudo aquilo faz sentido ou, ao menos, é crível. Não serei hipócrita em dizer que não gostei ou não assisto nada do tipo, porque todas as séries com a marca de Shonda Rhimes, por exemplo, trazem esse tom de megalomania, principalmente por envolver política, mas tudo tem limites, não é mesmo?

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Imagem: USA Today

Com personagens principais que sofrem para simpatizar com o telespectador e atores secundários que aparentam ter faltado no curso de atuação, Notorious é uma excelente pedida para todos aqueles que querem assistir algo despretensioso e que não ocupará sua cabeça após o término do episódio, pelo menos do piloto.

Posso recomendar que assista um drama sobre mídia bem mais interessante como Being Mary Jane, mas eu darei mais uma chance para Notorious, porque mesmo que tenha trazido todos esses problemas, todas essas dificuldades e erros primários de um trabalho da faculdade de cinema, há algo na televisão e, principalmente, no jornalismo que me pedem, ou melhor, me ordenam para que eu continue assistindo e me divertindo com os bastidores de um telejornal sensacionalista, mas que é líder na TV a cabo.

Será que é a história real de alguns programas da Fox News e não percebi?