Novembro de 63: Salve o dia, garanta o futuro!

112263

112263

Continua após publicidade

[spacer size = “20”]

Continua após a publicidade

O que você faria se pudesse viajar ao passado? O que mudaria caso encontrasse um portal que lhe permitisse viajar no tempo? Mas e se este “portal” fosse o caminho para apenas um ano específico? 1958, para ser exato. No caso de Jake Epping, voltar a 58 é uma oportunidade de mudar o curso da história impedindo que o presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, seja assassinado por Harvey Lee Oswald. Mas o passado é mais difícil do que pensamos e ele sempre tenta colocar as coisas no lugar, de uma forma ou de outra. Novembro de 63, do mestre Stephen King, é mais ou menos sobre isso.

Continua após publicidade

O romance, um dos melhores escritos por King em toda a sua carreira (e estamos falando do autor de clássicos como O Iluminado, IT, Carrie – A Estranha, A Torre Negra e muito mais), ganhará as telas no dia 15 de fevereiro, na forma de uma minissérie em oito episódios produzida pela plataforma Hulu. O projeto, produzido por King e J.J. Abrams (você deve conhecê-lo por obras pequenas como Lost e Star Wars – O Despertar da Força), promete agradar os fãs do livro, mantendo-se fiel à trama e aos personagens. Estes, aliás, encarnados por um elenco brilhante: James Franco, o protagonista, lidera um time que ainda conta com Chris Cooper, Sarah Gadon, Josh Duhamel e T.R. Knight (que você deve conhecer de uma tal Grey’s Anatomy).

[spacer size = “20”]

Continua após publicidade

De Volta Para o Futuro Passado

Jake Epping é um professor de inglês de vida comum e consideravelmente solitária que recebe uma proposta absurda de Al Templeton, o dono de uma lanchonete local. Segundo Al, na dispensa de seu estabelecimento existe um portal, a Toca do Coelho, uma passagem que pode levar qualquer um ao ano de 1958. Ao passar pelo tal portal, você sempre vai chegar na mesma hora do mesmo dia, sempre no mesmo mês e no mesmo ano, 58. Caso você vá até o passado, mude alguma coisa e volte para o presente, recomenda-se que você não pise no passado novamente, pois tudo o que você fizera da última vez, será apagado, voltando tudo do zero, no começo. Mesmo dia, mês e ano.

Assim, Al, já velho e incapaz, passa uma incumbência para Jake: ir para o passado, estudar cada detalhe, infiltrar-se na sociedade de antigamente e esperar até 1963, quando então poderia salvar a pele do presidente Kennedy. A tarefa é difícil: ir para o passado requer adaptação, dedicação e mais: tempo. Como a chegada sempre é em 58, Jake deve esperar por volta de seis anos até poder salvar JFK, e tudo deveria ser feito impecavelmente de uma só vez e sem voltar, pois isso apagaria todo o trabalho feito. Assim, Jake, que não tem muito a perder, passa pela Toca do Coelho e mergulha nos complicados e longínquos Anos 50.

Continua após a publicidade
O MIX DE SÉRIES atingiu 10 milhões de visitas mensais e vamos ensinar tudo que aprendemos nessa caminhada! Aumente o tráfego do seu site com técnicas avançadas de SEO.
Faça seu pré-cadastro aqui!

[spacer size = “20”]

SAMSUNGAll Hail the King

Nas mãos do escritor, Novembro de 63, (11/22/63, na versão original) vira uma intensa, inesquecível e humana aventura envolvendo viagem no tempo, paradoxos temporais e filosofias que acometem todos nós: qual o peso do tempo? Qual a importância de cada ato? King vai fundo em diversas questões interessantes ao transcorrer de um romance longo, mas nunca enfadonho. Para o autor, o que importa não é o fato científico ou sobrenatural da viagem ao passado, mas como o personagem central reage a isso e como ele vive em um universo completamente diferente do seu habitual.

Assim, durante o livro, King descreve com riqueza de detalhes um período distante, uma época diferente e como um homem contemporâneo, habituado aos comodismos e tecnologias do novo século, pode sobreviver neste mundo. É de se surpreender, aliás, o fator emocional investido por King em sua história. O autor, geralmente mais racional em suas conjecturas, aposta suas fichas no amor, nos relacionamentos interpessoais e na humanidade de cada um. O que vale aqui, muito além da originalidade de sua premissa, é o desenvolvimento de cada personagem. É claro que King não se rende a resoluções rasas de que o amor resolve tudo e redime todos, mas é interessante perceber como nos emocionamos com as páginas de Novembro de 63, algo não muito comum nas obras do escritor.

Não considere, porém, que Stephen King não saiba brincar com sua premissa genial. Pelo contrário: contador de histórias experiente que é, King sabe o que dizer e quais cordas puxar para que todo o contexto das viagens no tempo renda reviravoltas e ideias absurdamente interessantes. Assim, é importante ficar atento a cada detalhe e a todos os nomes que vêm e vão na trama, já que esta é, também, uma história que flerta com o noir e traz densas investigações, como um bom conto de detetives. Tudo converge em um dos melhores finais já criados pelo autor (geralmente polêmico em seus desfechos), que pode render uma boa catarse caso a adaptação resolva seguir fielmente as páginas do romance.

[spacer size = “20”]

11-22-63Adapte-se!

Assim como não é fácil para Jake Epping entrar no ritmo dos anos 50, não deve ter sido tranquilo levar o livro de King às telas. Novembro de 63 é um romance de grande apelo visual e foi concebido praticamente pronto para ser adaptado. Até mesmo a divisão em longos segmentos já escancara o formato perfeito para uma série de episódios. King parece que escreveu a história já imaginando na melhor forma de se criar episódios intensos e movimentados.

Ainda assim, adaptar obras do autor nunca é fácil. Ao que parece, seguindo os títulos dos episódios da minissérie e as sinopses divulgadas, o projeto promete ser fiel, respeitando os detalhes da densa saga de Jake Epping (ou George Amberson, se preferir). Alguns questionaram se certos personagens teriam o espaço devido na trama, como Harry Dunning e o Homem do Cartão Amarelo, mas tudo indica que os roteiristas mantiveram se não tudo, o máximo que puderam do material original.

A fidelidade exagerada talvez não seja a melhor das opções. Como todos sabem, livro é livro e adaptação é adaptação. O ritmo do romance, por exemplo, é lento em certos pontos, o que pode não funcionar nas telas. Isso não quer dizer que o livro seja enfadonho, mas o ritmo de escrita e de leitura e a absorção das informações são completamente diferentes nas páginas do que na tela. Algumas mudanças já foram percebidas: no livro, o ano de chegada é 1958, mas pelos trailers parece que a chegada, na minissérie, é em 1960, o que diminuiu o tempo de espera de Jake. Não espere, também, a presença de alguns personagens de It – A Coisa na TV como acontece no romance. De todo modo, as chances de dar errado são pequenas: o material é fantástico, o elenco é incrível e os roteiristas e diretores são competentes (o piloto é dirigido por Kevin Macdonald, de O Último Rei da Escócia). Para não dar certo, só se alguém vier do futuro para boicotar o nosso presente. Do contrário, tudo deve se desenrolar como o previsto.