O cinema brasileiro voltou a brilhar em Cannes. No último domingo (18), o longa O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, foi exibido pela primeira vez no Festival de Cannes 2025 e saiu ovacionado com mais de 10 minutos de aplausos.
A reação imediata da crítica internacional e o entusiasmo da imprensa especializada já colocam o filme como um dos possíveis candidatos ao Oscar 2026 — e talvez o grande nome do Brasil na corrida.
Qual a história de O Agente Secreto?
Ambientado no Brasil de 1977, O Agente Secreto acompanha Marcelo (Wagner Moura), um professor e especialista em tecnologia que retorna a Recife em busca de paz e anonimato. No entanto, ao reencontrar sua cidade natal, ele descobre que está sendo vigiado por seus próprios vizinhos, e que nada ali é o que parece. A trama mistura suspense político, drama psicológico e camadas de memória e identidade, com um toque nostálgico típico do cinema de Kleber.
Segundo o próprio diretor, o longa não é exatamente sobre a ditadura, embora o contexto da repressão e do controle social da época seja um pano de fundo inevitável. “O filme é um retrato histórico do Brasil. Ele se passa no Brasil de 50 anos atrás. A palavra ‘ditadura’ nem aparece no roteiro”, revelou Kleber em entrevista à CBN.
Quando o filme O Agente Secreto estreia no Brasil? Temos uma previsão!
Embora a data oficial de lançamento no Brasil ainda não tenha sido confirmada, a equipe do filme afirmou que o lançamento nacional está previsto para o segundo semestre de 2025, provavelmente entre setembro e outubro.
A estreia será estratégica: esse período marca o início da temporada de premiações, o que pode favorecer a visibilidade do longa para o Oscar.
A produção passou por 16 meses de desenvolvimento, entre pré-produção, gravações e montagem. As filmagens ocorreram em Recife, Brasília e São Paulo, entre junho e agosto de 2024. Kleber Mendonça Filho descreveu o trabalho como “uma das maiores experiências da carreira”, e Wagner Moura chegou a morar por quatro meses em Recife para se preparar para o papel.

Repercussão internacional e primeiros elogios
Após sua exibição em Cannes, O Agente Secreto já é apontado por veículos como The Hollywood Reporter, Collider, Screen International e Awards Watch como uma das grandes obras do festival — e um possível nome para a temporada de premiações internacionais.
O crítico David Ehrlich, do IndieWire, afirmou que o filme é um “complemento fascinante” para Ainda Estou Aqui (2024), longa de Walter Salles que venceu o Oscar de Melhor Filme Internacional este ano. Segundo Ehrlich, o filme de Kleber é uma “saga gentil, transportadora e imaculadamente texturizada de morte e memória no Brasil de 1977”.
Além disso, Wagner Moura foi capa da Vanity Fair e concedeu entrevistas para a Collider, o que reforça a estratégia de campanha internacional que já começa a se desenhar.
O caminho até o Oscar 2026
Para representar oficialmente o Brasil no Oscar 2026, O Agente Secreto precisa primeiro ser escolhido como o candidato nacional pela Academia Brasileira de Cinema — uma decisão que geralmente acontece em setembro. No entanto, o forte burburinho após Cannes e a trajetória consolidada de Kleber Mendonça Filho no circuito internacional indicam que o filme deve ser um dos favoritos à indicação.
A crítica especializada também já começa a especular o nome de Wagner Moura entre os possíveis indicados ao Oscar de Melhor Ator. Caso se confirme, será um feito histórico: nenhum ator brasileiro jamais recebeu uma indicação nessa categoria.
Em anos anteriores, filmes como Bacurau, O Som ao Redor e Aquarius fizeram sucesso em festivais, mas não alcançaram a nomeação na Academia de Hollywood. O cenário agora é diferente, especialmente após a vitória de Ainda Estou Aqui — que abriu portas para o cinema nacional em uma nova era de prestígio global.
Um filme político, mas também profundamente humano
Mesmo evitando o rótulo de “filme sobre ditadura”, O Agente Secreto trata de temas que dialogam com a política, o controle, a opressão e, principalmente, com a memória — coletiva e pessoal. O personagem de Wagner Moura vive cercado de silêncios, olhares e ausências que dizem mais do que palavras, enquanto tenta sobreviver a um país que vigia até os pensamentos.
A atmosfera de tensão e paranoia lembra grandes clássicos do cinema político dos anos 1970, como O Conformista, de Bernardo Bertolucci, e O Paciente Inglês, mas com um DNA 100% brasileiro. O frevo na estreia em Cannes — com Wagner Moura e equipe dançando no tapete vermelho ao som da Orquestra Popular do Recife — sintetiza bem essa combinação de sofisticação e raiz.
Elenco e equipe
Além de Wagner Moura, o elenco reúne nomes como:
- Maria Fernanda Cândido
- Gabriel Leone
- Isabél Zuaa
- Udo Kier
- Alice Carvalho
- Hermila Guedes
- Thomás Aquino
O roteiro e direção são de Kleber Mendonça Filho, que já concorreu à Palma de Ouro com Aquarius e venceu o Prêmio do Júri com Bacurau, em 2019.
A trilha sonora, que ainda não foi divulgada oficialmente, deve seguir o estilo melódico e nostálgico típico do cineasta, reforçando a atmosfera sensorial da década de 1970.
O Agente Secreto está agitando os fãs
O Agente Secreto ainda nem chegou aos cinemas brasileiros, mas já é um dos filmes mais aguardados do ano. Com estreia triunfal em Cannes, críticas positivas da imprensa internacional e uma atuação de destaque de Wagner Moura, o longa pode repetir — e até superar — o sucesso de Ainda Estou Aqui na próxima temporada do Oscar.
A expectativa agora é pela confirmação da data de lançamento no Brasil e pela escolha oficial do filme como representante brasileiro na corrida pelo Oscar 2026. Mas uma coisa é certa: o cinema nacional está mais vivo — e necessário — do que nunca.