O bom e o ruim do Globo de Ouro

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Vamos aceitar um fato logo de início: as indicações ao Globo de Ouro, ao menos no segmento televisivo, foram consideravelmente melhores que as do SAG, que foram reveladas no dia anterior. Bem mais ecléticas e justas, as nomeações do Globo de Ouro encontraram uma boa mescla entre produções populares e desconhecidas. Não que programas como Show me a Hero e Mr. Robot, por exemplo, não sejam populares, não possuem a mesma massa de fãs que Game of Thrones ou Orange is the new Black, por exemplo.

Isto posto, é evidente que muita coisa ficou de fora. Ainda que tenham arriscado em várias indicações nas categorias de atuação, os votantes esqueceram diversos seriados que mereciam uma lembrança. É claro que gostos são subjetivos, e não pretendo entrar neste mérito, mas ausências como as de House of Cards e Mad Men na categoria principal são motivos de repreensão.

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Mas não nos antecipemos. Vamos por partes. Comecemos pela parte boa, ou seja, as surpresas, as boas lembranças e as justiças:

 

O lado bom
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Empire foi indicada por ser apenas popular?

Logo na categoria principal, é preciso elogiar as escolhas. Tenho sérios problemas com Empire e acredito que esta foi indicada só porque é um sucesso de público. Caso contrário, ninguém se importaria com o drama rasteiro de Lee Daniels. Mas divago, enquanto Empire ocupa a vaga que seria de qualquer outro programa, as outras séries, ainda que não sejam as melhores em exibição, são produções notáveis. Mr. Robot é uma aula de desenvolvimento de personagens e boa direção. Narcos, ainda que guarde algumas ressalvas, é outro show de destaque no cenário televisivo. Game of Thrones não teve sua melhor temporada, mas segue como um grande programa. Já Outlander é o tipo de série que é difícil não gostar; e é bom ver uma série correr por fora e atingir um reconhecimento do tipo.

Na área das atuações, é impossível não comemorar a indicação de Wagner Moura para Melhor Ator em Série Drama, por Narcos. Pablo Escobar e Moura são o grande trunfo da série, e ver o brasileiro nomeado ao lado de Bob Odenkirk e Jon Hamm dá um grande orgulho. Jon Hamm, aliás, vem representando a última temporada de Mad Men, e deve levar o prêmio. Ainda na categoria dramática, a melhor surpresa entre as atrizes é a presença de Caitriona Balfe, de Outlander. Já a maior justiça é a indicação de Eva Green, finalmente lembrada por seu papel em Penny Dreadful.

Idris Elba

Idris Elba é uma das melhores indicações do Globo de Ouro deste ano.

Na área das comédias, a surpresa fica por conta de Casual e um pouco por Mozart in the Jungle, ambas indicadas na categoria principal. Na parte das minisséries/telefilmes, é ótimo ver Flesh and Bone indicada, já que é, realmente, uma das melhores produções de 2015. Ver Idris Elba indicado na categoria de Ator pelos últimos episódios de Luther – e com fortes chances de vencer novamente – também é uma das melhores coisas deste Globo de Ouro. Oscar Isaac por Show me a Hero e Sarah Hay por Flesh and Bone também são presenças que merecem reconhecimento.

Mas nem tudo são flores. A seguir, o que houve de pior, de injustiça e a parte WTF da festa. Afinal, Globo de Ouro sem o termo WTF não é Globo de Ouro.

 

O lado nem tão bom

Para começar, cadê House of Cards, The Knick e Mad Men na lista? Ao contrário do que dizem alguns, House of Cards segue firme, The Knick é o melhor drama em exibição e Mad Men entregou uma belíssima temporada final. A concorrência era forte, mas alguns programas como estes não poderiam faltar.

House of Cards

Alguém viu a indicação de Kevin Spacey por aí?

A injustiça ainda segue quando nos deparamos com as ausências de Kevin Spacey e Clive Owen, justamente os atores com as melhores atuações da TV. A coisa toda fica ainda mais estranha quando analisamos a própria lógica do Globo de Ouro: The Affair venceu ano passado, sendo considerada a melhor dentre os dramas. Desta vez, sequer foi indicada. Isso, aliás, é recorrente no Globo, que adora premiar estreantes apenas para esquecê-las no ano seguinte. Não se surpreenda, portanto, se Mr. Robot ou Narcos vencerem, já que são boas estreias. Ainda mais comum será quando ficarem de fora na próxima edição.

No ramo das comédias há de se lamentar o esquecimento de Louie e os absurdos das indicações de Jamie Lee Curtis e Rob Lowe. Aqui, novamente, o nome fala mais alto. Pra começar, Curtis não é a protagonista de Scream Queens, e mesmo se fosse, não merecia espaço, já que sua atuação é apenas “ok”. O mesmo acontece para Lowe, que mesmo sendo protagonista de The Grinder, sofre por estar em uma série fraca.

Nas categorias de Minissérie/Telefilme as coisas são mais delicadas, porque os candidatos geralmente estão muito espalhados ou representam programas de pouco apelo. É inaceitável, por exemplo, que Show me a Hero, da HBO, ou Jonathan Strange & Mr. Norrell, ou Wayward Pines, ou mesmo Luther, que ainda não foi lançada oficialmente, tenham ficado de fora da categoria principal enquanto uma atrocidade como American Horror Story: Hotel tenha sido indicada. Cientistas tentam descobrir e Freud tenta explicar o que raios o Emmy e o Globo de Ouro ainda veem nesta imbecilidade de Ryan Murphy. O que Lady Gaga faz entre as melhores atrizes. Sério. Alguém me diz? Falta de alternativa não é. Talvez seja apenas preguiça de quem vota.

*Texto originalmente publicado no dia 11 de dezembro de 2015.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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