O Cirurgião e a origem literária de Rizzoli & Isles

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Rizzoli and Isles

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Boas histórias de suspense são quase sempre garantia de sucesso. Quem nunca leu aquele livro de mistério difícil de largar? Ou nunca foi viciado naquela série de investigação criminal? Na literatura, o “romance policial” é um dos gêneros mais eficazes quando o assunto é retenção de público. Quem gosta do primeiro, sempre espera o próximo volume da série a ser lançado ou corre atrás dos outros quando a coleção já está publicada. Na TV, a fórmula policial também costuma funcionar bem – até demais.

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Criada em 2010 por Janet Tamaro para o canal TNT, Rizzoli & Isles narra os casos investigados pela detetive Jane Rizzoli (Angie Harmon) e a médica legista Maura Isles (Sasha Alexander) na divisão de homicídios de Boston. A série televisiva se baseia nos livros de Tess Gerritsen, que tem sua obra traduzida em mais de 30 línguas e já vendeu mais de 20 milhões de exemplares no mundo inteiro. A verdade, contudo, é que as escolhas narrativas da produção de Tamaro se distanciam bastante das tramas escritas pela autora sino-americana.

O CirurgiãoO ponto de partida da série é o livro “O Cirurgião”, lançado em 2001. É o primeiro que tem Jane Rizzoli como personagem, mas aqui as diferenças já estão muito bem traçadas. Para começar, Rizzoli não é protagonista do romance, que tem como foco principal o detetive Thomas Moore. Jane está mais para a coadjuvante que cresce aos poucos enquanto o enredo se desenvolve, roubando a cena no desfecho. Enquanto na série Jane é uma mulher forte que já enfrentou grandes casos, como o do assassino apelidado de Cirurgião, no livro ela é o velho cliché da mulher em uma profissão masculina que precisa provar seu valor.

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Apesar da série se inspirar no livro para desenvolver os casos de seu primeiro grande vilão, Charles Hoyt, a cronologia da adaptação já começa mais avançada. Colocando em perspectiva, é como se “O Cirurgião” fosse um prólogo da série. Outra grande diferença é que apesar de Jane Rizzoli já contar com a ajuda de seu parceiro Barry Frost na publicação, Maura Isles ainda não foi introduzida no enredo.

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O livro de estreia, considerado por muitos leitores um dos melhores da série, é muito bem escrito e traz bastante da experiência da própria autora enquanto médica. As partes medicamentosas são todas muito bem embasadas e os momentos que trazem o criminoso em ação são assustadoramente bem descritos. Tess Gerritsen, que é formada em medicina pela Universidade da Califórnia, só trocou a carreira de médica pela de escritora de vez quando precisou se afastar do trabalho após o nascimento dos filhos e seus livros começaram a fazer sucesso, entre os anos 1980-90.

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Após a introdução de Maura Isles em “O Dominador” (livro dois, lançado em 2002), a série literária segue com um desenvolvimento notável das personagens principais. Em “O Pecador” (livro três, lançado em 2003), conhecemos o padre Brophy, que além de ter ligação com o caso investigado, torna-se um personagem memorável devido seu envolvimento com uma das protagonistas. A versão da TV não adaptou a trama de Brophy, assim como vários personagens dos livros que não aparecem no programa. Outro nome relevante na trama de “O Pecador” é o agente Gabriel Dean, que não chega a ter a mesma importância na adaptação.

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Para quem acompanha a série nas duas mídias, fica difícil entender os motivos de Rizzoli & Isles não ir pelos mesmos caminhos narrativas que Tess Gerritsen fez originalmente. Nos três primeiros livros, a história já está bem mais adiantada para Jane Rizzoli do que o show do canal TNT fez em quatro temporadas. Fica a torcida para que a série volte a considerar os livros como base, afinal, as melhores histórias já estão escritas.

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