O clássico e o inovador de Missão Impossível: Nação Secreta

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Ser dependurado para fora de um avião em plena decolagem aos 53 anos. Uma tarefa nada impossível para Tom Cruise. Na última semana, fomos brindados com o mais novo capitulo da franquia Missão Impossível, o quinto, que tem o subtítulo Nação Secreta. E o filme prova que a fórmula do sucesso descoberta em 1996 pelo filme de Brian de Palma não está nada desgastada. Em meio a uma pós produção caótica, por conta do adiantamento da Paramount para a estreia do longa, o trabalho de Christopher McQuarrie – que repete a parceria com Cruise de Jack Reacher foi bem sucedido.

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mission-impossible-rogue-nation-Quando o primeiro capítulo da saga estreou nos anos 1990, a tarefa de resgatar a clássica série de TV parecia ousada. Mas nada que um rostinho bonito, um bom roteiro e um ótimo vilão não fizessem. Quase 20 anos depois, a quinta parte de Missão Impossível ainda resgata os ingredientes que a clássica série de TV dos anos 1960 apresentava: uma missão, os agentes, apetrechos e um plano que parecia completamente surreal – mas que nos faziam ficar grudados até o fim do episódio para ver como ele ia se concretizar. Porém, Nação Secreta adiciona a estes itens um caráter revigorante, que teve o pontapé dado no filme anterior.

Sem dúvidas, se Protocolo Fantasma (quarta parte da saga) não tivesse sido a maior bilheteria da franquia e um estrondoso sucesso de crítica, não teríamos visto nem sombra deste projeto. Este filme acabou trazendo um vigor que a franquia precisava, após alguns filmes mornos, e parte disso se dava ao elenco. Simon Pegg, que estreou na franquia no terceiro filme, teve uma boa relevância no quarto, mas neste, ele brilha do início ao fim. Engraçado, e ao mesmo tempo inseguro, Benji foi um importante acerto dos produtores e já é uma das figuras que mais gostamos em toda essa história. O mesmo pode-se dizer de Jeremy Renner que entrou no filme anterior e também teve uma ótima relevância nesta sequência. Claro que não podemos esquecer dos rostos do passado e o Luther de Ving Rhames, presente desde o primeiro longa, também retorna. A novidade talvez fique por conta de Rebecca Ferguson que interpreta uma mulher misteriosa e que joga com o espectador sem saber de que lado ela está. Clichê usado em outros filmes da franquia, mas muito bem revigorado pela sua personagem Ilsa que esbanja charme e beleza por onde passa. Com um vilão um pouquinho caricato interpretado por Sean Harris e um agente da CIA um tanto “pé no saco” interpretado por Alec Baldwin, temos os rostos que compõe esta eletrizante aventura.

Nação Secreta apresenta uma história sólida. Desta vez, os agentes da Força Missão Impossível enfrentam uma organização chamada Sindicato – que foi explorada na extinta série de TV e que quer desmanchar a IMF de uma vez por todas. Para completar, a CIA acha que a Força está desgastada e descontrolada, buscando que os seus integrantes sejam punidos por alguns exageros cometidos em suas missões.

Missão Impossível 5Apesar do roteiro às vezes ficar um pouco preso em explicar com detalhes algumas partes da história, o filme trabalha muito bem as cenas de ação. A já citada cena do avião abre muito bem o longa, seguida por cenas espetaculares no Marrocos e em Londres. A cena no tanque de água foi de tirar o fôlego, e mesmo trabalhada com muito CGI, passou a realidade que ela necessitava. Entretanto, são nos dramas de cada personagem que o diretor resolve concentrar o longa, trazendo talvez aí, a maior inovação desta parte. Estas cenas tem funções determinadas no longa, não sendo apenas jogadas aleatoriamente, tendo a responsabilidade de trazer a carga dramática de Ethan Hunt e cia.

Se o primeiro filme é lembrado pela tensão, Nação Secreta será lembrado por explorar ao máximo os dilemas de cada personagem, fazendo-os questionar a todo momento se estão fazendo a coisa certa. Junto de uma fotografia incrível e charmosa, e intercalando com as já famosas cenas de ação, digamos que os fãs da série de TV – e da saga cinematográfica – podem respirar aliviados. Com um nível assim, não me surpreenderia nada que vejamos Cruise correndo em algumas cenas de um novo longa. Estamos na torcida!

Anderson Narciso

Anderson Narciso

Mestre em História, criador de conteúdo, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias e resenha séries semanalmente.

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