O Conde de Monte Cristo e as possibilidades narrativas de Revenge

Imagem: ABC/Divulgação

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Em setembro de 2011 estreava uma das séries que mais chamaria atenção naquela temporada da TV aberta. Revenge, criada por Mike Kelley (roteirista que escreveu episódios de One Tree Hill e do clássico The O.C.) exclusivamente para o canal ABC, vinha a ser tudo o que a indústria televisiva precisava naquele momento: uma série que não apenas fosse sucesso de audiência, mas que fizesse o público comprar a briga da protagonista interpretada por Emily VanCamp.

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Amanda Clarke retorna aos Hamptons para se vingar das pessoas que destruíram a vida de seu pai injustamente. Para conseguir se infiltrar no grupo social de seus opositores, a personagem se apresenta como Emily Thorne, uma rica mulher que dedica sua vida à trabalhos de caridade. A premissa poderia até não ser tão original, contudo instigou o público a se interessar pelo destino de Emily Thorne. Não foi a toa que a telenovela Avenida Brasil, lançada em março de 2012 pela Rede Globo, fez tanto sucesso. Dramas que envolvem jovens heróis em busca de retaliação são quase sempre uma ideia certeira.

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Os produtores do seriado nunca esconderam que o show é claramente inspirado no romance “O Conde de Monte Cristo”, do escritor francês Alexandre Dumas. As primeiras notícias sobre a produção, ainda em 2011, davam nota de uma série que traria o enredo pautado na vingança para a era contemporânea sob perspectiva feminina. Na obra de Dumas, um marinheiro preso injustamente consegue fugir da prisão com uma grande fortuna em sua posse. O protagonista Edmond Dantés se transforma no Conde que dá título ao livro para punir as pessoas responsáveis pelo seu aprisionamento.

O Conde De Monte CristoClaro que a série não adaptou a obra, no sentido literal da palavra, mas a usou como fonte de livre inspiração. Para quem leu a narrativa, fica claro que apenas a ideia central foi usada por Mike Kelley. Algumas comparações podem ser feitas a partir disso. Enquanto em Revenge, o pai de Amanda Clarke foi preso com a ajuda de sua amante (Madeleine Stowe), o personagem de Alexandre Dumas foi traído pelos próprios amigos e noiva. Em ambos os títulos, praticamente todos os envolvidos de alguma forma no cárcere ganharam vantagem com a situação. Uma referência clara pode ser vista no capítulo “Duplicity”, de Revenge (temporada 01, episódio 04), quando o volume escrito por Dumas pode ser visto em uma prateleira de livros.

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Não demorou para que o sucesso da série indicasse que era hora de explorar as possibilidades narrativas em outras mídias. “Revenge – Treinamento Para Vingança” veio como uma espécie de spin-off para a história de Emily Thorne. No livro lançado em 2013 pela editora Planeta, o autor Jesse Lasky narra o treinamento de Ava Winters (que toma o posto de protagonista, ao invés de Emily Thorne) e outros três personagens com Takeda.

O autor não consegue amarrar bem sua narrativa, o que atrapalha a qualidade do produto. Em primeiro lugar, nada do que foi trazido da série funciona melhor no livro. O próprio Takeda é o melhor exemplo dessa afirmação. “Treinamento Para Vingança” não explica muito sobre o personagem, que ganhou uma construção melhor na produção original. Os flashbacks também não agradam. Jesse Lasky não soube utilizar do recurso narrativo da melhor forma, voltando ao passado mais vezes que o necessário.

Revenge é um bom exemplo de como uma produção pode se utilizar da convergência para complementar sua narrativa. Em setembro deste ano, foi a vez da Marvel Comics lançar, nos EUA, uma obra derivada de sua parceria com o canal ABC. “Revenge: The Secret Origin of Emily Thorne” é a graphic novel que serve como prelúdio da série. O objetivo da HQ é justamente mostrar todo o processo de aprendizado, e compreender como Amanda Clarke se tornou a implacável Emily Thorne. O exemplar ainda não tem data de lançamento no Brasil.