O Conto: força e qualidade em um dos filmes mais importantes do ano

Laura Dern and Isabel Nelisse appear in The Tale by Jennifer Fox, an official selection of the U.S. Dramatic Competition at the 2018 Sundance Film Festival. Courtesy of Sundance Institute | photo by Kyle Kaplan.
Imagem: HBO/Divulgação/Kyle Kaplan

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Em tempos onde as indústrias televisiva e cinematográfica convergem em um caminho que parece único, The Tale surge como um dos maiores representantes dessa divisa que se torna cada vez mais apagada. O Conto, como foi intitulado no Brasil, é um filme exibido pela HBO que revelou-se sucesso absoluto de crítica. A obra, que surgira em festivais de cinema, foi impulsionada pela mídia especializada como uma das favoritas à próxima edição do Oscar. Uma reviravolta surpreendeu o meio: o canal HBO acabou comprando os direitos de exibição e distribuição do filme. O que era possível indicado ao Oscar acabou indo para TV e sendo nomeado ao Emmy.

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Assim, esqueçamos o termo “telefilme”. O Conto é um “filme”, como Moonlight, A Forma da Água ou qualquer outro oscarizável. O meio é outro, mas isso é apenas um detalhe, principalmente na era em que vivemos, onde os filmes são mais assistidos em meios alternativos do que na sala de cinema. Assim, o lançamento da HBO é um curioso atestado de convergência, de mescla de abordagens e quebra de paradigmas.

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A ultrapassagem de fronteiras não fica apenas no campo de lançamento, mas no próprio tema e roteiro do longa-metragem. Corajoso do primeiro ao último segundo, O Conto é um filme poderoso e avassalador. Escrito e dirigido por Jennifer Fox, que criou a história baseada em suas próprias memórias e vida, The Tale não tem medo de deixar o espectador desconfortável e relançá-lo ao mundo real repleto de questionamentos e conflitos internos. Ao chafurdar nas próprias lembranças dolorosas, Fox tenta achar um sentido para o que viveu, tudo tendo a arte como válvula de escape.

O resultado é uma obra que toca fundo. Ao abordar temas como estupro e pedofilia, O Conto não economiza nas cenas gráficas e nas palavras. É válido, aliás, salientar que este não é um filme fácil; pelo contrário, trata-se de um longa pesado que pode chocar ou despertar gatilhos. É um filme que fala de forma franca, sem rodeios, e ainda encontra espaço para discutir a força de nossas lembranças e aquilo que contamos para nós mesmos, de forma a aceitar o que aconteceu e seguir em frente.

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Todo o peso do texto é carregado com mãos firmes por Jennifer Fox, que comanda a câmera com sobriedade. No elenco, a força total reside em Laura Dern, absolutamente incrível no papel principal. Dern, aliás, possivelmente teve em O Conto o papel de sua vida. Trata-se de uma personagem difícil, com camadas escondidas que sequer vemos, mas sabemos que estão ali. É uma performance milimetricamente trabalhada, calcada em detalhes e sem arroubos dramáticos, regado a exageros. Dern tem poder magnético, e certamente estaria entre as favoritas ao Oscar caso O Conto chegasse aos cinemas.

Se O Conto teria chances de indicação ao Oscar, nunca saberemos. E isso não importa. O que importa é que essa belíssima obra chegou ao público, que as pessoas puderam assisti-lo e debatê-lo. O meio para isso é apenas um detalhe.

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