Seth Rogen está de volta — mas desta vez, trocando a frente das câmeras por uma cadeira de executivo. Em O Estúdio (The Studio), nova comédia da Apple TV+, Rogen vive Matt Remick, um apaixonado por cinema que descobre da pior maneira o que significa comandar um dos estúdios mais decadentes de Hollywood.
Os dois primeiros episódios, lançados nesta quarta (27), misturam sátira afiada, amor genuíno pela sétima arte e um mergulho nos bastidores caóticos da indústria.
Quem é Matt Remick?
Logo na abertura da série, vemos uma cena de ação intensa — que rapidamente é revelada como parte de um set de filmagem. É lá que conhecemos Matt Remick (Seth Rogen), produtor executivo da Continental Studios, uma empresa que já teve seu auge mas agora patina tentando se manter relevante na era dos blockbusters infantis e do marketing de brinquedos.
Matt não quer apenas entregar projetos lucrativos. Ele ama cinema de verdade. É o tipo de cara que chama a arte de “sua esposa” e que começou a carreira servindo café no set. O problema? Ninguém liga para suas ideias — nem o diretor Peter Berg, nem os atores. Ele é só mais um engravatado tentando palpitar onde não foi chamado.
Adeus Patty, olá Kool-Aid
As coisas mudam quando Patty Leigh, a chefe do estúdio, desaparece misteriosamente. É o momento perfeito para Matt assumir o comando — e ele aceita o cargo… com uma condição: precisa liderar o próximo grande projeto do estúdio, um filme baseado no personagem da bebida em pó Kool-Aid.
Sim, você leu certo. Em tempos onde o sucesso de Barbie fala mais alto que qualquer roteiro original, O Estúdio mergulha fundo nessa crítica à indústria que troca histórias por IPs lucrativos. Mesmo achando a ideia absurda, Matt aceita. Afinal, é sua chance de brilhar.



Scorsese, Jim Jones e uma ideia genialmente desastrosa
Na tentativa de dar algum valor artístico ao filme, Matt decide fazer o impensável: chamar Martin Scorsese para dirigir Kool-Aid — transformando o projeto em um drama sombrio sobre o massacre de Jonestown, onde seguidores do culto liderado por Jim Jones se suicidaram… bebendo Kool-Aid.
Scorsese topa. Steve Buscemi é escalado. Tudo parece surreal e promissor — até que o CEO da empresa descobre e ameaça cancelar tudo. Matt, então, joga Scorsese debaixo do ônibus e diz que comprou o roteiro apenas para garantir que ele nunca fosse feito. Resultado? Perde o respeito de todos, mas ganha pontos com os engravatados.
O Estúdio Episódio 2: um plano, um plano B e um desastre filmado em plano sequência
O segundo episódio de O Estúdio traz uma verdadeira aula de metalinguagem. Ele inteiro se passa em um plano-sequência (com cortes sutis), enquanto Matt visita o set de um filme da diretora Sarah Polley. A cena final do longa precisa ser filmada exatamente durante o “golden hour”, mas Matt, empolgado, não consegue evitar: dá um palpite sobre a personagem fumar um cigarro, tenta agradar a estrela Greta Lee e atrasa tudo.
Patty, agora recontratada, tenta impedi-lo — mas Matt está encantado com a nova atenção que recebe. O problema? Não é por suas ideias, e sim pelo cargo que ocupa. Ele ainda não percebeu que o glamour é só fachada, e que o caos de verdade está por vir.
Um começo promissor e hilário
Com direção afiada, participações especiais (incluindo o próprio Scorsese) e uma escrita que equilibra crítica e comédia, O Estúdio se apresenta como uma das melhores estreias do ano. É uma carta de amor (e frustração) ao cinema feita por quem conhece — e sobrevive — em meio às excentricidades de Hollywood.
E se os episódios iniciais já mostram Matt se afundando entre egos inflados, executivos gananciosos e filmes absurdos, mal podemos esperar para ver até onde essa loucura vai parar.